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O sucesso do iconoclasta
Livro
com grosserias contra o presidente Bush é o mais vendido nos Estados
Unidos
AP

Moore,
o provocador: 280 000 cópias em um mês |
Há escritores americanos com uma receita certeira para produzir
best-seller. Em geral, misturam mistério, gente rica e casos complicados
de amor, recorrem a uma grande editora e lançam o livro com enorme
campanha de divulgação. Aos 47 anos, Michael Moore chegou
ao primeiro lugar na lista dos mais vendidos do The New York Times
e da Amazon Book apenas oferecendo aos leitores comentários
debochados sobre quase tudo aquilo que a maioria dos americanos trata
com respeito: os partidos Democrata e Republicano, as grandes corporações,
os ricos em geral e, com especial maldade, o presidente George W. Bush.
Em vez de campanha publicitária, Moore enviou 100.000
mensagens eletrônicas pela internet. O livro Stupid White Men...
and Other Sorry Excuses for the State of the Nation! ("Brancos e Burros...
e Outras Desculpas Esfarrapadas para o Estado da Nação",
em inglês) vendeu 280.000 cópias
no primeiro mês.
O
que Moore fala sobre o presidente são as piores coisas, sejam ou
não verdadeiras. Ele acusa Bush de ocupar ilegalmente a Presidência,
visto que teve menos votos que seu adversário, Al Gore, e pede
a intervenção das Nações Unidas para depô-lo.
Em lugar de "comandante-em-chefe", chama-o de "ladrão-em-chefe".
Também o trata de "analfabeto funcional". Por que tantos americanos
querem ler essa espécie de comentário, muitas vezes grosseiro,
sobre o presidente? Talvez porque tal tipo de crítica se tenha
tornado raro no país. A popularidade de Bush continua alta, e a
população ainda é movida à base do apelo patriótico
que dominou os EUA após os atentados terroristas. Talvez Stupid
White Men... encante exatamente por ir contra a maré.
Reuters

Bush
foi poupado depois dos atentados, mas lua-de-mel com americanos chegou
ao fim |
Não se trata dos quinze minutos de fama de um desconhecido. Michael
Moore é uma celebridade. Foi um dos responsáveis pela campanha
de Ralph Nader, o candidato verde à Casa Branca, em 2000. Seu programa
de televisão, TV Nation, que misturava jornalismo com humor
e gozação ao estilo Casseta e Planeta, ganhou o Emmy,
o Oscar da TV americana. Depois do fim do programa em 1996, ele fez documentários
e até pontas em filmes com John Travolta e Al Pacino. O livro deveria
ter sido lançado em outubro do ano passado, mas a editora preferiu
adiar devido aos atentados e pediu para Moore reescrever alguns trechos.
Ele não apenas se recusou como contou para a imprensa. Isso o transformou
em vítima de "censura". Esse episódio, somado à fama
de "maldito contra o sistema", foi ótima arma de marketing. Os
Estados Unidos vivem um momento curioso em termos de leitura política.
O segundo lugar na lista dos mais vendidos de não-ficção
é Bias, que critica o politicamente correto na imprensa
americana. O livro Blinded by the Right ("Cegado pela Direita"),
de David Brock, um conservador arrependido, e 9/11, uma compilação
de artigos sobre os atentados de 11 de setembro do ultra-esquerdista Noam
Chomsky, também estão na lista. Moore acha que os americanos
foram obrigados a ficar calados nos últimos seis meses, e quem
discordasse seria considerado impatriótico. "Os EUA continuam polarizados
como em novembro de 2000, apesar de escutarmos esse mantra de que o país
inteiro está com George W. Bush", diz Moore.
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