Publicidade
buscas
cidades PROGRAME-SE
Edição 1 745 - 3 de abril de 2002
Internacional Estados Unidos

estasemana
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Índice
Seções
Brasil
Internacional
  Argentina: Dólar dispara e acorda o fantasma da hiperinflação
Estados Unidos: O best-seller que xinga o presidente
China: Líderes da revolta de 1989 viraram empresários
Alemanha: Orientais continuam fugindo para o Ocidente
Geral
Economia e Negócios
Guia
Artes e Espetáculos

colunas
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Stephen Kanitz
Sérgio Abranches
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo

seções
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Carta ao leitor
Entrevista

Cartas
Radar
Holofote
Contexto
Veja essa
Arc
Gente
Datas

Para usar
VEJA on-line
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos

arquivoVEJA
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Arquivo 1997-2002
Reportagens de capa
2000|2001|2002
Entrevistas
2000|2001|2002
Busca somente texto
96|97|98|99|00|01|02


Crie seu grupo




 

O sucesso do iconoclasta

Livro com grosserias contra o presidente Bush é o mais vendido nos Estados Unidos


AP

Moore, o provocador: 280 000 cópias em um mês


Há escritores americanos com uma receita certeira para produzir best-seller. Em geral, misturam mistério, gente rica e casos complicados de amor, recorrem a uma grande editora e lançam o livro com enorme campanha de divulgação. Aos 47 anos, Michael Moore chegou ao primeiro lugar na lista dos mais vendidos do The New York Times e da Amazon Book apenas oferecendo aos leitores comentários debochados sobre quase tudo aquilo que a maioria dos americanos trata com respeito: os partidos Democrata e Republicano, as grandes corporações, os ricos em geral e, com especial maldade, o presidente George W. Bush. Em vez de campanha publicitária, Moore enviou 100.000 mensagens eletrônicas pela internet. O livro Stupid White Men... and Other Sorry Excuses for the State of the Nation! ("Brancos e Burros... e Outras Desculpas Esfarrapadas para o Estado da Nação", em inglês) vendeu 280.000 cópias no primeiro mês.

O que Moore fala sobre o presidente são as piores coisas, sejam ou não verdadeiras. Ele acusa Bush de ocupar ilegalmente a Presidência, visto que teve menos votos que seu adversário, Al Gore, e pede a intervenção das Nações Unidas para depô-lo. Em lugar de "comandante-em-chefe", chama-o de "ladrão-em-chefe". Também o trata de "analfabeto funcional". Por que tantos americanos querem ler essa espécie de comentário, muitas vezes grosseiro, sobre o presidente? Talvez porque tal tipo de crítica se tenha tornado raro no país. A popularidade de Bush continua alta, e a população ainda é movida à base do apelo patriótico que dominou os EUA após os atentados terroristas. Talvez Stupid White Men... encante exatamente por ir contra a maré.


Reuters

Bush foi poupado depois dos atentados, mas lua-de-mel com americanos chegou ao fim


Não se trata dos quinze minutos de fama de um desconhecido. Michael Moore é uma celebridade. Foi um dos responsáveis pela campanha de Ralph Nader, o candidato verde à Casa Branca, em 2000. Seu programa de televisão, TV Nation, que misturava jornalismo com humor e gozação ao estilo Casseta e Planeta, ganhou o Emmy, o Oscar da TV americana. Depois do fim do programa em 1996, ele fez documentários e até pontas em filmes com John Travolta e Al Pacino. O livro deveria ter sido lançado em outubro do ano passado, mas a editora preferiu adiar devido aos atentados e pediu para Moore reescrever alguns trechos. Ele não apenas se recusou como contou para a imprensa. Isso o transformou em vítima de "censura". Esse episódio, somado à fama de "maldito contra o sistema", foi ótima arma de marketing. Os Estados Unidos vivem um momento curioso em termos de leitura política. O segundo lugar na lista dos mais vendidos de não-ficção é Bias, que critica o politicamente correto na imprensa americana. O livro Blinded by the Right ("Cegado pela Direita"), de David Brock, um conservador arrependido, e 9/11, uma compilação de artigos sobre os atentados de 11 de setembro do ultra-esquerdista Noam Chomsky, também estão na lista. Moore acha que os americanos foram obrigados a ficar calados nos últimos seis meses, e quem discordasse seria considerado impatriótico. "Os EUA continuam polarizados como em novembro de 2000, apesar de escutarmos esse mantra de que o país inteiro está com George W. Bush", diz Moore.


 
 
   
  voltar
   
  NOTÍCIAS DIÁRIAS