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Edição 1 745 - 3 de abril de 2002
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Reuters
Naomi: vitória contra tablóide


Ganhou:
um processo por danos morais contra o tablóide The Mirror a top model inglesa Naomi Campbell. O jornal foi acusado de invasão de privacidade por ter publicado uma foto da modelo saindo de um centro de tratamento da Associação dos Narcóticos Anônimos. A indenização estipulada foi equivalente a apenas 14.000 reais, mas a decisão pode iniciar nova fase no relacionamento entre a mídia e celebridades na Inglaterra. Na véspera do Carnaval, Naomi saiu do Rio de Janeiro às pressas para depor nesse processo. Dia 27, em Londres.

Venceu: o último amistoso disputado no país antes da Copa do Mundo a seleção brasileira. O jogo contra a Iugoslávia marcou a volta do atacante Ronaldo, da Inter de Milão. O único gol da partida foi marcado por Luizão, que entrou no segundo tempo. Dia 27, em Fortaleza.

AP

Terremotos no Afeganistão: tragédia sem fim


Atingido:
por uma série de terremotos que chegaram a 5,9 na escala de Richter o Afeganistão. Estima-se que 5.000 pessoas tenham morrido. O povoado de Nahrin, a 150 quilômetros de Cabul, foi soterrado. Dia 25.

Demitiu-se: o presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Renato Guerreiro. No cargo desde a criação da agência, em 1997, ele anunciou que pretende dedicar-se a projetos pessoais. Dia 28, em Brasília.

Assassinados: dois observadores internacionais da ONU na Cisjordânia – uma suíça e um turco que integravam um grupo com representantes de vários países. Eles estavam em área de conflito entre palestinos e israelenses. Cada um dos lados acusa o outro pelas mortes. Dia 26, em Hebron.

oito vereadores de Nanterre, cidade próxima a Paris. Um homem com histórico de distúrbios psíquicos, Richard Durn, disparou cerca de quarenta tiros com duas pistolas automáticas no fim de uma sessão legislativa. Depois, suicidou-se ao saltar da janela do 4º andar da delegacia em que estava preso. Os vereadores mortos pertenciam a diferentes partidos. Outras vinte pessoas ficaram feridas. Dia 27, em Nanterre.

 
AP
AFP

Moore (à esq.): derrotado por uma doença degenerativa. Wilder (ao lado): carreira de 26 filmes e sete Oscar

Morreram: o ator inglês Dudley Moore, conhecido por filmes como Mulher Nota 10 (1979) e Arthur, o Milionário Sedutor (1981). Desde 1999, Moore sofria de paralisia supranuclear progressiva, rara doença degenerativa que danifica funções mentais e motoras. Sua última aparição pública foi em novembro, quando, já impossibilitado de falar e andar, recebeu uma comenda da rainha Elizabeth II, em Londres. Dia 27, aos 66 anos, de pneumonia, em Nova Jersey, Estados Unidos.

o diretor Billy Wilder, um dos mais importantes do cinema americano. Dirigiu 26 filmes e atuou como roteirista e produtor. Foi indicado 21 vezes ao Oscar e recebeu sete estatuetas, incluindo a de melhor direção por Farrapo Humano (1945) e Se Meu Apartamento Falasse (1960). Nascido na Áustria, iniciou a carreira na Alemanha, como roteirista. Com a ascensão do nazismo, na década de 30, decidiu mudar-se para a França e depois para os Estados Unidos. Dia 27, aos 95 anos, de pneumonia, em Beverly Hills.

o inglês William Scholl, conhecido como Dr. Scholl, célebre por ter se dedicado à saúde dos pés. Nos anos 50, ele criou sandálias de madeira com funções terapêuticas. Dia 15, aos 81 anos, de pneumonia, em Douglas, na Ilha de Man, pertencente ao arquipélago britânico.

Conquistou: medalha de ouro no exercício de trave da primeira etapa da Copa do Mundo de ginástica artística a brasileira Daniele Hypólito. Dia 24, em Cottbus, Alemanha.

AP

A camisa de Pelé: mais de 500.000 reais no leilão


Vendida:
pelo equivalente a 520.000 reais a camisa usada por Pelé no segundo tempo da final da Copa de 70, em que a seleção do Brasil derrotou a italiana por 4 a 1 e conquistou o campeonato mundial pela terceira vez. Leiloada pela tradicional casa londrina Christie's, a camisa pertencia ao ex-zagueiro italiano Roberto Rosato. O comprador não foi identificado. Dia 27, em Londres.

 

 

 

A CHACINA NO INTERIOR

Comércio de Franca

Faccion na delegacia: ataque aos pais, irmãos e sobrinhos por influência da namorada


Os 50.000 habitantes da pacata Batatais, a 350 quilômetros de São Paulo, viram a calma tradicional de sua cidade ser destruída por um massacre ocorrido na madrugada da última terça-feira. Ajudado pela namorada e por um rapaz de 13 anos recrutado em troca de meio quilo de maconha, o pintor de paredes Carlos Faccion, 25 anos, matou a facadas e golpes de barras de ferro o próprio pai, a mãe, um irmão adolescente, uma irmã grávida de nove meses e uma sobrinha de 3 anos. Faccion ainda deixou outra sobrinha de 3 anos e o irmão mais novo, de 7, em estado grave, ambos com traumatismo craniano. O casal confessou o crime poucas horas depois. Disse ter matado porque a família do rapaz interferia no namoro. Os dois afirmaram que seu plano era matar somente os adultos e que, perdendo o controle, acabaram atacando também as crianças. Não demonstraram arrependimento. Levado para a cadeia pública de Franca, Carlos foi agredido logo no primeiro dia por outros presos. O mesmo ocorreu com a namorada, Edna Milani, 20 anos, espancada pelas companheiras de cela na cadeia pública de Altinópolis.

 

A LEI DAS TREVAS

AFP

Safiya: comoção mundial evita morte a pedradas


O destino da nigeriana Safiya Hussaini, 35 anos, havia sido traçado por um júri da cidade de Sokoto no fim do ano passado: ela morreria apedrejada em praça pública, acusada de ter cometido adultério. A sharia, lei sagrada do islamismo adotada há dois anos em doze Estados de maioria muçulmana na Nigéria, proíbe que uma mulher separada tenha relações sexuais sem se casar novamente. Esse foi o caso de Safiya, concluiu o tribunal. Mãe de quatro filhos, ela ficou grávida algum tempo depois de se ter afastado do ex-marido. O suposto pai seria um vizinho casado. Durante o julgamento, a pequena Adama, já com 1 ano, foi apresentada como "prova do crime". Quando o veredicto se tornou conhecido, causou comoção em todo o mundo. Entidades de defesa dos direitos humanos e líderes de vários países, incluindo Fernando Henrique Cardoso, pediram clemência para Safiya. A Justiça nigeriana decidiu anular a condenação na semana passada, alegando "falhas processuais". Qualquer comemoração pela conclusão desse caso foi ofuscada, no entanto, pela notícia de que outra mulher acabara de ser condenada à mesma pena, e pela mesma razão, na cidade nigeriana de Bakori. Amina Lawal, também de 35 anos e separada, alegou no julgamento que consentiu fazer sexo com um homem porque ele havia prometido casar-se com ela. Acabou ficando grávida, o que, outra vez, serviu como evidência da desobediência à lei islâmica.



 
 
   
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