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Brilhante a reportagem de capa com Xuxa ("Nunca houve uma mulher como
Xuxa", 27 de março). Ícone de toda uma geração,
ela merece o sucesso que tem, pois é competente naquilo que faz:
transmitir alegria. Xuxa
é e continuará sendo uma grande personalidade brasileira.
Amada, respeitada, valorizada e, principalmente, criticada! Afinal, nem
tudo agrada a todos. Com
respeito à figura de Xuxa, assusta-me ver a revista dedicar a capa
e todo o precioso espaço para falar de suas finanças. Triste
é ver a bela balzaquiana posar de entrevistadora: "Qual o maior
mico, como foi sua primeira vez", e por aí afora. Xuxa, volte a
trabalhar só com criancinhas, que é o que você faz
de melhor. Assim
como eu, há muitos que não consomem nada que venha dessa
mulher, porque ela nada faz pela cultura do país. Ao contrário,
ensina a falar errado e prega o consumismo.
Sobre a entrevista com Domenico de Masi (Amarelas, 27 de março),
existem jogadores que pouco rendem durante uma partida; no entanto, em
apenas uma jogada são capazes de decidir o jogo. É exatamente
esse ócio criativo que o grande autor defende, não horas
e horas jogadas fora sem responsabilidade nem conteúdo. Perfeitas
as palavras do sociólogo italiano Domenico de Masi em relação
aos reality shows: "Programas desse tipo são a morte do
tempo". Espanta-me ver milhares de pessoas gastando o tão precioso
tempo livre para assistir a essas atrações tão bizarras
e deprimentes. A
"fórmula de eficiência" do professor Domenico de Masi (Amarelas,
27 de março) pode ser ótima para gerar idéias. Mas
como conciliar "ir ao cinema, a exposições e encontros amorosos
no horário do trabalho" se você precisa atender ou enfrentar
um cliente no caixa, uma grávida na maternidade, um casal à
mesa no restaurante, uma sala de aula cheia de alunos, um bandido assaltando
um banco ou até fechar uma edição de VEJA no prazo?
Acho que o sociólogo em questão precisa de uma urgente imersão
na realidade.
Soa patética a necessidade de levar uma lâmpada mais potente
para o local onde vamos nos hospedar, hipótese levantada pelo Movimento
dos Sem-Luz em razão da precária iluminação
dos quartos dos hotéis brasileiros ("Movimento dos Sem-Luz", Ponto
de vista, 27 de março). Até
que enfim alguém expressou exatamente o que penso sobre a escuridão
dos quartos de hotel -- e não é só no Brasil, é
no mundo todo. Obrigada, da mais recente integrante do MSL.
Em seu discurso, o ex-presidente Sarney deixou passar uma grande oportunidade
de se projetar como estadista, explicando a origem de cada uma das 26.000
notinhas de 50 reais encontradas no escritório de sua querida filha
e de seu estimado genro ("Exagerado no ataque, fraco na defesa", 27 de
março). O
desmemoriado ex-presidente José Sarney esqueceu, entre outras coisas,
as arbitrariedades cometidas por seus fiscais, na época do cruzado,
e a imensa inflação deixada como herança para brasileiros
e brasileiras. Escutando
o discurso do senador José Sarney tive a nojenta sensação
de estar vendo um banqueiro do jogo do bicho defendendo a contravenção,
e não um ex-presidente que conhece todas as mazelas do jogo político
e nunca fez nada para combatê-las. No
último parágrafo da reportagem "Exagerado no ataque, fraco
na defesa" (27 de março) há uma frase a mim atribuída
"Joguei o nome da minha família na lama" que jamais
foi dita, seja a um "político íntimo", como afirma o texto,
seja a qualquer outra pessoa. Até porque, apesar de estar sendo
insistente e publicamente execrada por denúncias baseadas no que
a imprensa qualifica como "indícios" de ações ilegais,
devo lembrar que nem mesmo esses alardeados "indícios" me alcançam.
Em minha carreira política e em minha vida pessoal não há
um gesto que possa "jogar minha família na lama". Até aqui
a história comprova isso. Tenho absoluta certeza e convicção
de que, em futuro próximo, a mesma implacável história
vai registrar todas as verdades sobre este momento que estou vivendo.
Destaco: por questões políticas, o direito constitucional
da presunção de inocência tem sido solenemente desprezado.
Também me é negado outro direito elementar de qualquer cidadão
o de saber com precisão e rigor, e não com ilações
e hipóteses, de que se é acusado. No entanto, tenho confiança
na serenidade do Poder Judiciário de meu país e acredito
que, levado a analisar concretamente os fatos, saberá decidir com
justiça. E, no momento adequado, esse mesmo Judiciário será
acionado para a reparação dos profundos males a que tenho
sido submetida.
Infelizmente o projeto Operação Belezura, promessa de campanha
da prefeita Marta Suplicy para a cidade de São Paulo, limitou-se
ao sofisticado conteúdo de seu armário, repleto de roupas
e acessórios de grifes internacionais ("Parabéns, Marta!",
27 de março). Achei
um absurdo a revista VEJA gastar quatro páginas com o guarda-roupa
da prefeita de São Paulo. Imaginei,
ao ler o título "Parabéns, Marta!", que se tratava de um
reconhecimento à nossa prefeita por alguma melhora em São
Paulo. Doce ilusão. Mas que falta de assunto!
A respeito da afirmação "Filho de uma família modesta,
que nos anos 70 era dona de uma cantina de escola e uma padaria, Murad
tornou-se um homem abastado", quero informar que meu pai, Jorge Francisco
Murad, em 1970, era um dos maiores empresários do Maranhão.
Apesar da honrosa referência de que possuía apenas uma "cantina
de escola e uma padaria", essa informação é absolutamente
falsa. Libanês de nascimento, iniciou cedo, aos 14 anos, na cidade
de Coroatá (MA), em 1929, sua vida comercial em companhia do irmão
mais velho. Ao longo do tempo, com o sucesso obtido em suas atividades,
tornou-se um homem de posses. Faleceu aos 82 anos deixando para todos
os que com ele conviveram exemplo de uma vida digna, honesta e de muito
trabalho ("A família de 125 milhões de reais... e um genro",
13 de março).
VEJA fez um estardalhaço na época da privatização
da Telebrás que culminou com a saída de membros importantes
do governo FHC. Foram mais de três capas em que a lisura do processo
foi colocada em jogo e a honra de pessoas foi questionada. Para meu espanto,
quatro anos mais tarde vejo a matéria "Negócio do século"
(Contexto, 27 de março), em que a revista constata que o sistema
Telebrás poderia ser recomprado hoje por 40% do valor da época
da privatização (alguns falam até em 30%), um baita
negócio. Uma situação precisa ser colocada: por que
VEJA destinou três capas para enfocar o problema e anos mais tarde
vem com uma reportagem de meia página dizendo que foi o negócio
do século? Não teria esse grupo, encabeçado pelo
ministro Sergio Motta, e depois por Luiz Carlos M. de Barros, vendido
o sistema Telebrás a preço de banana?
Na nota "Prós e contras do chiclete" (Para usar, 27 de março),
VEJA esqueceu-se de mencionar que o chiclete deve ser sem açúcar.
Crianças carentes estão perdendo os primeiros molares permanentes,
em média, um ano após estes terem nascido. Sou uma cirurgiã-dentista
que também trabalha em serviço público e enfrento
uma luta diária tentando convencer crianças e adolescentes
a pelo menos diminuir o consumo dessas baboseiras, tendo em vista o quadro
caótico em que se encontram as boquinhas que acompanho.
No trecho em que a reportagem "As escolas do PIB" (20 de março)
compara o Ibmec à FEA/USP, em número de computadores à
disposição dos alunos, é preciso informar aos leitores
que o Ibmec exige de cada estudante que lá ingressa a posse de
um notebook. Portanto, não é a instituição
que oferece os computadores aos alunos. Logo, não cabe a comparação.
CORREÇÕES: O doutor Paulo Ferrara de Almeida Cunha
("Anel mágico",
6 de março) não é professor da Universidade Federal
de Minas Gerais. Sua técnica foi desenvolvida, em parte, no Hospital
São Geraldo, que pertence à UFMG.
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