Imagem da Semana
O terrível
show da tarde
Orca mata treinadora, e volta à tona a
pergunta que só humanos
podem fazer (e responder): é certo
exibir animais selvagens?

Vilma Gryzinski
Julie Fletcher/AP
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• As baleias assassinas
não são baleias nem assassinas, embora tenha ficado mais difícil
defender a reputação dos magníficos animais depois da morte
da treinadora Dawn Brancheau, durante uma apresentação no mais famoso
parque marinho dos Estados Unidos (na foto acima, ela aparece com outra orca,
muito antes do ataque fatídico). Tilikum, um macho dominante de 30 anos
e quase 6 toneladas, pulou no ar e agarrou a treinadora pelo cabelo quando ela
ia passar a mão em sua cabeça, durante o show da tarde. Sacudiu-a
como as orcas fazem com seu prato predileto focas , diante dos olhos
horrorizados do público, e não queria largá-la de jeito nenhum.
Responsáveis pelo parque tentaram insinuar que a treinadora havia escorregado
e caído na água, o que explicaria uma reação
agressiva da orca. Todas as testemunhas discordaram. É claro que o caso
suscitou uma discussão que pega fundo: é certo manter animais selvagens
em cativeiro, para entretenimento dos humanos? Num futuro não muito distante,
é provável que sejamos vistos como romanos no Coliseu pelas barbaridades
infligidas aos nossos primos genéticos por pura diversão. Mas não
é razoável dizer "benfeito", como fizeram certos defensores
dos direitos dos animais diante da morte de Dawn. Tilikum, que tem outros dois
casos na ficha (um treinador no Canadá e um desavisado que entrou no tanque
dele, na Flórida), não será sacrificado nem solto no mar,
como aconteceu com Keiko, o protagonista de Free Willy, que não
se adaptou à liberdade e morreu de pneumonia. Relembrando: as orcas são
as parentes maiores dos golfinhos e desde a Antiguidade levam o epíteto
de assassinas por matarem baleias de verdade. Nada que combine com bichinhos
de pelúcia.
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