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• GenteEconomiaÉ melhor prevenirO compulsório dos bancos subiu. Isso fortalece
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Sergio Lima/Folha Imagem![]() |
| COFRE REFORÇADO Henrique Meirelles, presidente do BC: "Olhamos sempre para a frente" |
O Banco Central anunciou na semana passada que aumentará,
a partir de 22 de março, os recolhimentos compulsórios de alguns
tipos de depósito (veja o quadro). Na prática, os bancos
terão de entregar ao BC uma parcela maior dos recursos que recebem de
seus clientes. O resultado será a retirada de 71 bilhões de reais
da economia - quase três quartos de todo o dinheiro que havia sido liberado
em 2008, quando houve o afrouxamento dessas mesmas regras por causa da crise
global. A preocupação subjacente a essa medida é o risco
de aumento da inflação. Moeda no sistema bancário, ou liquidez,
é combustível para a economia: os bancos transformam depósitos
em novos empréstimos, o que estimula famílias e empresas a consumir
mais. O ambiente fica, assim, mais propício à alta dos preços.
Ora, o país já dá sinais de que está a todo o vapor.
A taxa de desemprego de janeiro (7,2%), por exemplo, foi a menor para esse mês
desde que o IBGE começou a medi-la, em 2002. Tanto a inflação
voltou a preocupar que bancos e consultorias ouvidos periodicamente pelo BC
estimam que, medida pelo índice oficial, o IPCA, ela poderá encerrar
2010 em 4,86% - acima da meta estipulada pelo governo, de 4,50%. "A diminuição
da liquidez causada por um compulsório maior ajuda a política
monetária. Pode, inclusive, reduzir a alta dos juros, que, acreditamos,
é inevitável neste ano", avalia o estrategista-chefe do WestLB,
Roberto Padovani.
A taxa de juros continua sendo o principal instrumento do BC para controlar a inflação. O compulsório, como diz Padovani, apenas ajuda nessa tarefa. Sua função essencial, na verdade, é outra: dotar um banco central de recursos para agir em momentos de turbulência. Segundo o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, as discussões no Comitê de Basileia - fórum em que BCs do mundo todo propõem formas de aprofundar a solidez do sistema financeiro global - já têm um consenso: o compulsório é a ferramenta ideal para prover liquidez de emergência quando o dinheiro some da economia. O Brasil, como tem sido usual nos últimos anos, antecipou-se ao anúncio de novas regras. Os sinais de que a economia mundial ainda não está 100% saudável, como evidenciam as agruras de países como Grécia, Portugal e Irlanda, confirmam que a cautela é acertada. "O Banco Central não faz regulação olhando o espelho retrovisor. Nós olhamos sempre para a frente", diz Meirelles.
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