Edição 1843 . 3 de março de 2004

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Olelê, olalá, olha o DNA

E assim sucedeu que, neste ano, o Carnaval foi parar nas páginas da revista Nature. "a Unidos da Tijuca celebrou as conquistas da ciência", elogiou a veneranda publicação especializada. Entre o original DNA momesco e os desfiles de sempre, muito mais aconteceu nos quatro dias de folia e fofocas: estrangeiros desengonçados, madames em férias conjugais, políticos desenxabidos, brigas aqui e acolá e até uma avassaladora legião de beldades desvestidas. Até Luma teve, como não?

Reginaldo Teixeira
Luma, a madrinha que não foi: presente em espírito, em pescoços e em conversas


Ausente de corpo, para desconsolo da nação lumense, Luma de Oliveira marcou presença neste Carnaval no pescoço dos integrantes da bateria da Mocidade Independente (homenagem à madrinha que não foi) e no zunzunzum sobre seu sumiço, sua gravidez e sua separação do marido para toda obra Eike Batista. Em meio às interrogações ("Foi ele?" "Foi ela?"), de efetivo se sabe que na mesa dos advogados fumegam duas questões incandescentes: a separação de corpos (ele continua em casa) e, mais tóxica ainda, a divisão de um patrimônio de 500 milhões de reais.

Quem não tem Luma baba por Juliana Paes, a Jaqueline de Celebridade, que sobreviveu à comparação com a multidão de beldades do mesmo biótipo que brota da terra no Carnaval. Veterana, cheia de molejo, ela eclipsou Deborah Secco, a colega manicure da novela que cruzou a avenida em tresloucado transe indiano. Sem comentários da morena: "Ela me desejou sorte e eu torço por ela". Mas na novela, pobrezinha, seu destino é sofrer. Com a morte de Lineu, Jaqueline vai perder seu programa de TV. Já Darlene ficará grávida de Caio, irmão de Renato Mendes, o chefão da revista Fama. Como? Por auto-inseminação. Já viram esse capítulo? É bis do samba do novelista doido.

Diferente mesmo foi a cadeia de DNA montada pelo carnavalesco Paulo Barros, da Unidos da Tijuca, que banhou 127 pessoas em vaselina, pintou-as dos pés à cabeça em purpurina azul, prendeu-as por um cinto numa pirâmide de 7 metros e mandou que se contorcessem em arriscada coreografia. "Ninguém acreditava que o carro fosse causar tanto impacto", diz Barros, comemorando o segundo lugar da escola.

Cabelo desalinhado, dentes tortos, figurino zero (mas, para compensar tudo isso, 21 bilhões de dólares, quinto lugar entre os mais ricos do mundo na nova lista da Forbes), Paul Allen, 51 anos, ex-sócio de Bill Gates, impressionou até os cariocas mais blasés com o fabuloso iate Octopus. A tripulação de 55 pessoas (cerca de 140.000 dólares em salários por mês) servia a exatos quatro passageiros fixos: além de Allen, guitarrista fanático, o ator Dan Aykroyd e mais dois amigos, também chegados a um som. Allen assistiu aos desfiles, recebeu visitas e tocou com seu grupo no estúdio de gravação do iate. Ah, também passou cinco horas trancado em uma cabine, fechando um negócio.

De um lado, Quitéria Chagas, 1 metro de quadril, cinco horas diárias de malhação. De outro, Ketula Rocha, 1,06 metro de atributos carnavalescos, malhação moderadíssima. Resultado do embate das gigantes: rebolados igualmente titânicos. Quitéria, 23 anos, estrela do Império Serrano, é força bruta. "Nos exercícios para glúteos, levanto 30 quilos; nos de coxa, vou até os 160", gaba-se a ex-bailarina. Ketula, 19 anos, da Porto da Pedra, conta com as bênçãos da mãe natureza e da mãe em carne e osso, Mary Rocha, que lhe vigia a retaguarda monumental. "Como eu cuido da ala de passistas da escola, saio logo atrás dela", diz.

João Miguel Junior
Tudo e mais alguma coisa para mimar Gisele Bündchen: o poder da beleza

Imagine ter um ensaio da Mangueira fechado só para você, depois espaço especial dentro do camarote badalado, todos os caprichos atendidos (inclusive o de convocar "gatinhos" para alegrar a paisagem) e ainda por cima ter todas as despesas pagas. Tem de ser Gisele Bündchen para exercer tantos privilégios. Dançando, cantando, falando ao celular e sacudindo a linda cabeleira, ela se esbaldou. Da avenida, voou, de jatinho particular, direto para Parati, onde estava hospedada desde o dia 19. Passou o dia recompondo as forças (leia-se: dormindo) para, à noite, embarcar de volta para Los Angeles.

Tasso Marcelo/AE
Maninho toma conta de Ana Cláudia: samba sob marcação cerrada


Ana Cláudia Soares
conseguiu dois prodígios: desbancou Luana Piovani como musa do Salgueiro e manteve o maridão colado na bota em tempo integral. Milagre de Carnaval? Que nada. Ela é casada com o patrono salgueirense Waldemir Paes Garcia, apodado "Maninho". Ana Cláudia, esclareça-se, não se opõe à marcação conjugal. "Isso é preconceito contra o Maninho. Ele ficou mesmo do meu lado o tempo todo e é meio ciumento, mas sem ele eu não estaria lá", assume.

Onipresente mesmo, meu rei, é Carlinhos Brown, voz, batucada, dreadlocks e espírito encrenqueiro do Carnaval baiano. O entrevero deste ano começou com um integrante de seu trio elétrico preso por agredir outro folião. Microfone em punho, Carlinhos foi ao posto policial, discutiu, voltou e puxou uma vaia à polícia. "Ele tentou jogar a massa contra a polícia. Do ponto de vista moral, legal e ético, o que fez foi condenável", critica o coronel Siegfrid Frazão, o wagneriano coordenador de comunicação social da PM. Mesmo assim, diferentemente de 1998 (quando ficou pelado e foi processado), recebeu apenas uma advertência.

Ana Carolina Fernandes/Folha Imagem
Dilma e seu modelo pouco energético: petistas com penachos de molho

Petistas não barbados colocam o que de molho quando o clima está carregado? Seja o que for, eles praticamente sumiram da folia. Exceção: a ministra das Minas e Energia, Dilma Rousseff, que assistiu ao desfile carioca no camarote da Federação das Indústrias de Minas Gerais usando um pouco energético modelo composto de arranjo de penas pink na cabeça, camiseta colorida e óculos. Explicação: ela é mineira, e Minas foi enredo da Mangueira, e a Mangueira é a escola verde e rosa.

Mandela na folia: camarotes para todos

Já o colega ministro Gilberto Gil, que está de férias e tem habeas-corpus preventivo para fazer o que lhe der na cabeleira, marcou ponto toda noite, com direito a pausa para massagem, no camarote soteropolitano de sua mulher, Flora. Ops, de Flora não, que mulher de ministro não tem camarote. Da empresa de eventos que contratou Flora para assessorar na logística. Entre os convidados, Malenga Mandela, enteado de Nelson Mandela e arroz-de-camarote. O Mandelinha, ex-Machel (é filho de Graça, a segunda mulher de Nelson), nasceu em Moçambique e fala português com vernáculo e tudo. "Os brasileiros são muito gente boa", filosofou, sempre de charutão.

Ana Carolina Fernandes/Folha Imagem
Cláudia, descalça na chuva: se precisar, repete


Não existe desfile sem a heroína de pés em frangalhos, dando o sangue por sua escola. O papel neste ano foi preenchido por Cláudia Raia. Insegura num carro alegórico da Beija-Flor, ela desceu para o asfalto. Aí, atacaram as botas assassinas: altíssimas, sem sola antiderrapante, levaram a atriz a se esborrachar quatro vezes até resolver seguir descalça. "Faria tudo de novo", declarou a mártir da folia, com os pés cheios de bolhas e a maravilhosa sensação de dever cumprido.

Enquanto o samba rolava, Cecilia Bolocco, mulher do ex-presidente argentino Carlos Menem, se asilava em Búzios. Ela passou cinco dias na cidade com o filho de 3 meses, Máximo Saúl, a babá e os pais, mas sem o marido. Os dois tiveram uma briguinha – isso, em pleno inferno astral de Menem, que acaba de ter todos os bens bloqueados pela Justiça. Mas já fizeram as pazes. "Eles estão em Santiago, no Chile, muito bem e unidos como sempre", assevera Adrián Menem, sobrinho do ex-presidente.

 

O camarote virou ringue


Murilo Tinoco
Divulgação
Oliveira e Jenifer: depois, sem óculos Álvaro e Suzana, na chegada: que briga?

Ricos, famosos ou simplesmente exaltados protagonizaram lá seus momentos de excesso. O técnico do Corinthians, Oswaldo de Oliveira, 53 anos, passou boa parte da noite olho no olho com a modelo-e-atriz Jenifer Leite, 20. De repente, ela sai, ele segura, ela revida, óculos voam e cada um vai para o seu lado. "A gente discutiu, como todo casal", diz a morena. "Não existe relacionamento entre nós", declarou o técnico, que é casado – com outra. Já o empresário/playboy paulista Álvaro Garnero, nervosíssimo, de repente partiu para uma rodada geral de empurra-empurra, sendo contido por seguranças e pela namorada Suzana Gullo. Na sua frente, também nervoso, também cercado, nariz sangrando, o irmão dele, Mário Bernardo. Mas não foi, de jeito nenhum, uma briga entre irmãos, garantem. "Houve um tumulto na entrada, tentei intermediar e acabei levando uma cotovelada de um segurança", diz Mário. "Álvaro ficou nervoso porque me viu machucado." Então tá.

 

Tapa, mas dói

Oscar Cabral
Modelo de rabinho de Rachel: princípio do brinco de pressão


De onde viemos, para onde vamos e, principalmente, como aquela engenhoca desafia a lei da gravidade? A dúvida mais crucial se refere ao tapa-sexo, peça do, digamos, vestuário oficial das desnudas da avenida. Feito de metal, sob medida, por ferreiros habilidosos, o tapa-sexo funciona como um brinco de pressão: fica no lugar porque aperta na frente e atrás. O forro de espuma e tecido tenta amenizar o desconforto. "No final estava incomodando muito. Mas fica supersensual", diz Rachel Blanc, 21 anos, que usou quatro modelos – um com rabinho de onça – na Sapucaí. Conselho das veteranas: é bom testar a peça várias vezes em casa. E lembrar de fechar a janela.

 

Editado por Lizia Bydlowski. Colaboraram Anna Paula Buchalla,
Bel Moherdaui, Marcelo Carneiro, Roberta Salomone e Simone Seara

 
 
 
 
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