Edição 1843 . 3 de março de 2004

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Cartas

 

"O PT revelou-se um partido de contradições. Como pode esse grupo fazer chantagem com os colegas para se livrar de uma CPI?"
Marcelo de Freitas Mendonça
Uberlândia, MG

 

O vale-tudo do PT

O PT, que se elegeu prometendo "acabar com tudo isso que está aí", está comprovando uma máxima dos tempos do Império que dizia: não existe nada mais moderado do que um oposicionista no poder.
Jorge Jossi Wagner
Ribeirão Preto, SP

Existe aquela piada do sujeito que flagrou a mulher traindo-o com um amigo no sofá da sala. Tomou a decisão: jogou o sofá fora. Foi o que ocorreu agora. Em vez de afastar o ministro e não tentar impedir a CPI, o presidente fez uma medida provisória fechando os bingos. Já pensou se acontecer agora suspeita de propinas envolvendo donos de planos de saúde? Ele manda fechar os planos de saúde e hospitais conveniados.
Francisco J.D. Santana
Salvador, BA

É lamentável todo esse lamaçal em que está envolvido o PT. Logo ele, que sempre teve como pilares a probidade e a moralidade administrativa. E agora? Acreditar em quem?
Jaqueline Mota Kiemle
Recife, PE

Notabilizados por atirar para todos os lados, os petistas se esqueceram de proteger a retaguarda e acabaram levando uma saraivada de chumbo no traseiro.
Sergio Dias Nunes
São Caetano do Sul, SP

Acreditei que estávamos a caminho de um governo ético. Estamos bebendo vinho velho em garrafa nova. Dá para acreditar neste Brasil?
Marcio de Vasconcellos Pinheiro
Belo Horizonte, MG

O PT está envolvido com o que mais abominamos, ou seja, o crime organizado via máfia dos bingos e jogos ilegais. Isso significa lavagem de dinheiro, corrupção, tráfico de drogas, seqüestro e até assassinatos mal resolvidos, como o do prefeito de Santo André, Celso Daniel. O PT finalmente mostrou sua cara.
Luiz Sérgio de la Orden Wanderley
Florianópolis, SC

Lendo VEJA, acompanho a evolução da ciência, da engenharia, da medicina, da indústria e assemelhados. Na política vejo fotos novas com histórias velhas. Será que daqui a doze anos lerei que o ex-presidente Lula diz do ostracismo "Alguns ainda me são simpáticos"?
Carlos Ferreira da Silva
Guarulhos, SP

Parabéns pelo retorno das reportagens investigativas. A cidadania, o estado de direito e o regime democrático agradecem. Não parem por aí, pois em nosso país a improbidade administrativa está arraigada em nossas instituições. Portanto, pauta é que não vai faltar.
Antônio Carlos de Lima
Goiânia, GO

No Brasil, a corrupção compensa. Muito raramente as autoridades descobrem a ação dos corruptos. Todos os grandes escândalos nacionais vieram a público por causa de desavenças entre corruptos e corruptores, brigas familiares ou quando a imprensa, assumindo o papel dos órgãos competentes (?), investiga, apura e denuncia.
Adhemar Ramires
Brasília, DF

 

Patch Adams

Que surpresa agradável foi receber VEJA antecipadamente nesta semana de Carnaval. Como assinante desta revista há mais de vinte anos, e atualmente preso a um leito de hospital aqui em São Paulo, foi gratificante ler a excelente entrevista com o doutor Patch Adams (Amarelas, 25 de fevereiro), em que ele fala de sentimentos humanos numa relação mais próxima entre médico e paciente. Oxalá todos os profissionais de saúde pudessem tirar lições dos ensinamentos do doutor Alegria.
Luiz Thadeu Nunes e Silva
Hospital São Camilo (Santana)
São Paulo, SP

Sou estudante de fisioterapia e achei maravilhosa a entrevista com o doutor Adams. Se todas as faculdades da área de saúde tivessem professores como ele, não teríamos tantas pessoas frias e incapacitadas trabalhando em nossos hospitais.
Andrea T.C. Stanieski
Ponta Porã, MS

Patch Adams nos faz refletir sobre quanto precisamos desenvolver o palhaço que existe em nós, para atuar no verdadeiro show da vida, com gestos de amor, compaixão, alegria, perdão, esperança e paz. Que seu exemplo seja seguido ao máximo.
Solange P. Marques
Salvador, BA

Oportuna e luminosa, a entrevista do doutor Patch Adams precisa ser lida e relida por médicos que insistem em tratar a doença sem se preocupar com o doente, a principal causa do crescente desprestígio de sua profissão.
J.C. Ismael
São Paulo, SP

 

Claudio de Moura Castro

A respeito do artigo "A ilegalidade virtuosa" (Ponto de vista, 25 de fevereiro), em que sinteticamente se defende a quebra do regime de dedicação exclusiva (DE) por parte dos professores nas universidades federais das áreas profissionais e aplicadas, gostaria de dizer que, em vez de qualificar essa ilegalidade como virtuosa, por que não se faz o correto e legal? Ou seja, a mudança de regime de trabalho, de dedicação exclusiva para o de vinte horas semanais? O que não dá para aceitar, em minha opinião, é que esses professores burlem um regime de trabalho, estabelecendo (mais) um duplo universo de docentes: os que são DE de fato e de direito versus os que são DE apenas de direito.
Edilson José Graciolli
Uberlândia, MG

Mais uma vez, Claudio de Moura Castro faz uma análise impecável dos descalabros de nossa educação. A solução para o dilema ilegalidade ou professores puramente acadêmicos é a universidade abrir-se para a sociedade e permitir que seus melhores professores passem a prestar consultoria em nome da própria instituição, com parte dos ganhos sendo revertida para ela. Prática, aliás, presente em muitas universidades da França, da Inglaterra e de outros países.
Solon C. de Araujo
solon@netsite.com.br

Estava na hora de alguém ter a coragem de dizer o que de fato acontece. Como pode, por exemplo, um professor de odontologia não conviver com pacientes num consultório e ter de passar essa experiência a seus alunos? Chega de hipocrisia.
Marco A.B. Pontual
www.drpontual.com.br

Cláudio de Moura Castro foi quase rigoroso em seu artigo. Faltou-lhe colocar a principal razão da burla da dedicação exclusiva: baixos salários, míseros salários.
Ronaldo Ronan Oleto
oleto@uaivip.com.br

O professorado federal acataria mais a legislação se os salários fossem bem mais altos?
Peter Schröder
Jaboatão dos Guararapes, PE

 

Fernando Collor de Mello

Que saudade de Collor! Foi o único presidente a permitir e a incentivar uma CPI que visava à Presidência. Sarney dobrou a CPI tentada contra si pelos então senadores Itamar Franco, Carlos Chiarelli e José Ignácio. FHC evitou a CPI da reeleição. Qual foi o método milagroso que aqueles presidentes usaram para não ser investigados? Você, eleitor, pode imaginar. E o Lula vai permitir a CPI do Waldomiro? ("A nova rotina de Collor", 25 de fevereiro)
Rita de Cassia Guermandi
Pirajuí, SP

VEJA deveria publicar que o presidente Collor foi absolvido em julgamento no Supremo Tribunal Federal por falta de provas. O governo do PT, o partido da ética e da moralidade – na visão deles –, além de falar demais, faz de menos, e o país continua a ver passivamente o "crescimento do espetáculo".
Paulo Horta
Belo Horizonte, MG

 

Amazônia

A reportagem "O paraíso cercado e ameaçado" (25 de fevereiro), sobre os desmatamentos na Amazônia, demonstrou bem o que está acontecendo. Mas a única maneira de barrar esse avanço é criar (e executar) políticas de desenvolvimento para a região, que se encontra no mais completo abandono por parte do governo federal e tem a maioria da população vivendo abaixo da linha de pobreza.
Cristiano Q. da Silva
Belém, PA

A reportagem é um excelente acervo de dados sobre a região amazônica e seu processo de devastação. Servirá, sem dúvida, como importante fonte de pesquisa e será instrumento de grande valia no processo de conscientização ambiental, para o qual conhecimento é condição imprescindível. Só se pode lutar por algo que se conhece. Está na hora de conhecermos a Floresta Amazônica, para que possamos conservá-la, explorando-a de forma consciente e sustentável.
Antonio Silveira R. dos Santos
Programa Ambiental: A Última Arca de Noé
www.aultimaarcadenoe.com

Que tristeza ver o que está acontecendo com a Amazônia. Moro na Europa há vinte anos e o que dizem aqui é o seguinte: se isso está ocorrendo no Brasil e na Amazônia é culpa dos próprios brasileiros, que não sabem cuidar daquilo que possuem.
Cilene Marques de Almeida
roskomode@planet.nl

Acho muito cômodo culpar os agricultores e os pecuaristas pelo desmatamento da Amazônia. O que li a respeito não condiz com a realidade da região, principalmente em Mato Grosso, já que muitos pecuaristas também são ou estão se tornando agricultores. Isso significa que o capital da soja não está impulsionando os pecuaristas a desmatar a floresta. O que acontece na realidade é uma modernização da região, onde terras degradadas, desmatadas nas décadas de 70 e 80, estão sendo recuperadas com agricultura pelos próprios pecuaristas. Devemos também salientar que ocorre na região um aumento da oferta de trabalho, coisa de que o Brasil está precisando muito.
Leonardo Galvão Netto
São José do Xingu, MT

Até quando continuaremos explorando irracionalmente nossas florestas? Será que o exemplo do que foi feito com a Mata Atlântica e com o cerrado não basta?
Neuton Luiz Ramos de Melo
Formoso do Araguaia, TO

O processo de exploração vigente na Amazônia ocorre sem planejamento nem ordenação ambiental; portanto, é insustentável. A agricultura migratória já devorou vários tipos de floresta, apesar da existência de tecnologias para o desenvolvimento sustentável da região. Infelizmente, muitas pessoas inescrupulosas, inimigas da natureza e escravas do lucro fácil, teimam em exterminar a galinha dos ovos de ouro (Amazônia).
Manuel Souza Neto
Fortaleza, CE

 

Colômbia

A "política de mão pesada" assumida pelo atual presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, tem surtido efeito positivo tanto na economia quanto no tocante à coibição da criminalidade. Guardadas as peculiaridades de cada país, não seria o caso – e o momento – de o Brasil adotar uma postura mais austera no trato com os criminosos, de modo a inibir sua proliferação ("O sucesso da política de mão pesada", 25 de fevereiro)?
Huanderson de Araújo dos Santos
São Paulo, SP

 

Diogo Mainardi

"Vamos demolir o Tuca" (25 de fevereiro) não faz o menor sentido. Seria muito mais fácil e melhor escrever um artigo que falasse sobre o empreguismo que toma conta da máquina estatal. O Tuca é um teatro antes de qualquer coisa; é palco de todos. De todos os que querem falar, filosofar, debater, atuar ou seja lá o que for. Sugerir, mesmo que seja no sentido figurado, a demolição de um espaço cultural de relevada importância é, no mínimo, uma idiotice.
Fabio Toro
São Caetano do Sul, SP

Concordo com Diogo Mainardi. Também demoliria o Tuca. Os revolucionários brasileiros são mais inteligentes do que seus camaradas colombianos, pois há quarenta anos, na mesma luta pelo poder, os camaradas de lá vão de mal a pior, principalmente agora que o Congresso deu poderes judiciários ao Exército. Enquanto os camaradas daqui perderam algumas batalhas estratégicas na década de 70 e durante o último governo da ditadura, com o apoio dos nossos brilhantes intelectuais, começaram a reverter o quadro. O primeiro mandato de FHC já foi uma grande conquista, afinal FHC também é um revolucionário e intelectual; o segundo mandato foi considerado um pequeno revés, porque os grandes revolucionários ainda não haviam conseguido conquistar o poder; e a vitória de Lula nas eleições foi a vitória da batalha final. Por isso todos devem ser recompensados com empregos, salários e indenizações vultosas, enquanto a maioria do povo permanece calada. Calcula-se que cerca de 300 a 400 revolucionários foram mortos ou desaparecidos durante os 21 anos de ditadura militar brasileira. No entanto, gostaria de saber com quantos foram divididos os 4 bilhões de reais. Ainda bem que o Brasil é rico. O que será da Colômbia quando o povo tiver de indenizar seus revolucionários? É isso aí. Acabem com o Tuca, agora, ou o Brasil estará acabado em quarenta anos.
Antônio Vieira Torres
Itajaí, SC

 

Holofote

Realmente, o trabalho que vem sendo desenvolvido pela Pastoral da Criança é sensacional. Hoje, seguramente, cerca de 70% dos municípios são atendidos por esse importante segmento social. Eu cito como exemplo o pequeno município onde resido, em que o trabalho da pastoral, implementado por dezenas de voluntários e voluntárias, tem sido extremamente produtivo na melhoria da qualidade de vida dos familiares de crianças entre zero e 6 anos de idade. Acho que em vez de o governo "procurar" fórmulas mágicas para a implantação e o sucesso de seus programas sociais deveria apoiar e fortalecer esse importante trabalho desenvolvido, sem nenhum cunho político, pela Pastoral da Criança. Parabéns, senhora Zilda ("O exemplo de Zilda Arns", Holofote, 25 de fevereiro)!
Osmar Martins Cerioni
Jarinu, SP

 

Roberto Pompeu de Toledo

É sempre uma delícia ler os ensaios de Roberto Pompeu, mas devo confessar que fiquei especialmente extasiada com esse último ("Sussurros, silêncios, olhares, sombras", Ensaio, 25 de fevereiro). São incríveis sua percepção e sua sensibilidade. Sem falar na elegância do seu estilo. Quem mais conseguiria perceber detalhes tão sutis e escrever algo tão profundo e tão inteligente?
Ionê Monteiro
Salvador, BA

 

Igreja

Os inúmeros telefonemas que recebi e os e-mails chamaram minha atenção para a nota "Pesadelo da Igreja", em que VEJA trata do assunto pedofilia por parte dos sacerdotes americanos usando minha fotografia, mesmo que de costas, diante da imagem de Nossa Senhora de Fátima. Confesso que não gostei dessa associação. As pessoas amigas da entidade que mantenho, a favor de crianças carentes, viram como de muito mau gosto e ofensiva até a junção de minha foto ao artigo. Venho por meio desta pedir uma explicação e retratação e solicito que ela seja feita através da revista. Seria uma maneira leal e correta por parte desta publicação de pedir desculpas, não a mim, mas à instituição Obras do Amor Maior – Centro Educacional Catarina Kentenich, da qual sou fundador e presidente. Sei dos escândalos que acontecem. O próprio Jesus disse que haveria escândalos, mas ai daqueles que são causadores. De minha parte tenho dedicado toda a minha vida para salvar, recuperar e encaminhar crianças abandonadas, que são pelo descaso de nossa sociedade um escândalo que deve merecer nossa atenção.
Padre Antonio Maria
Presidente do Centro Educacional Catarina Kentenich Obras do Amor Maior
www.amormaior.org.br

 

NOTA DA REDAÇÃO: Na nota "Pesadelo da Igreja" da seção VEJA on-line da edição 1.842, foi publicada inadvertidamente a foto de um sacerdote de costas, que depois se soube tratar-se do padre Antonio Maria. A fotografia era apenas ilustrativa de uma missa católica. A nota falava da reação da Igreja contra a pedofilia em seus quadros. Ela se referia exclusivamente à Igreja dos Estados Unidos e o assunto tratado não tinha relação alguma com a Igreja brasileira, muito menos com o padre Antonio Maria. VEJA lamenta que a foto tenha produzido interpretações que não tinha a intenção de gerar.

CORREÇÕES:O ladrão que assaltou o ministro do STF Marco Aurélio Mello recentemente em São Paulo levou um Rolex de mergulho, e não um relógio Baume & Mercier (Veja essa, 25 de fevereiro)..Na reportagem "A faxina continua" (18 de fevereiro), sobre a marcação cerrada contra o crime corporativo, estão trocadas as fotos de Andrew Fastow e Calisto Tanzi.

 
SUCATÃO OU SUCATINHA?


A foto do avião que ilustrou a reportagem "O custo do vôo presidencial" (18 de fevereiro) foi erroneamente identificada como sendo do Sucatão, um Boeing 707-300 da FAB que serve à Presidência da República. O leitor Enos Moura Filho, de São Paulo, viu e observou: "O avião que aparece na foto é um Boeing 737-200, o Sucatinha". Ele está certo. O aparelho fotografado é o jato que ostenta na cauda o nome de VC-96. O Sucatão é um Boeing 707-300C em sua versão militar, identificado na Força Aérea pela sigla KC-137.


João Ramid
Ana Araújo
Sucatão: Boeing 707-300C Sucatinha: Boeing 737-200

 

NÃO CAUSE STRESS NOS OUTROS


O leitor Luiz Guimarães Vianna, de Niterói, gostou tanto da reportagem de capa "Stress" (11 de fevereiro) que resolveu divulgar sua receitinha para evitar que as pessoas irradiem esse mal para terceiros. "Não seja um gerador de stress, roubando o tempo dos outros", recomenda Vianna. Acompanhe suas dicas:

Não passe e-mails desnecessários.
• Se mandar um e-mail, NÃO telefone para ver se ele já chegou.
Não alugue o ouvido do colega com papo furado.
• Não buzine quando o sinal abrir.
• Dirija respeitando os outros motoristas e os pedestres.
• Tenha sua carteira à mão na hora em que a caixa do supermercado registrar a última mercadoria.
• Entre no ônibus com o dinheiro na mão, em vez de procurá-lo quando chegar em frente ao cobrador. Há uma fila atrás de você.

 
 
 
 
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