VEJA Recomenda
CINEMA
MOTHER
(Madeo, Coreia do Sul, 2009. Estreia na próxima sexta-feira no país)
Divulgação
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CINEMA
O
filme sul-coreano Mother: o instinto
materno pode ser monstruoso |
Hye-ja é uma mulher simples. É viúva, tem uma pequena loja
de ervas medicinais numa cidadezinha do interior da Coreia do Sul e pratica acupuntura
às escondidas, já que não possui licença, a fim de
completar sua renda. Interesse, tem um só na vida: o filho Do-joon, um
rapaz muito bonito, mas que sofre de certo atraso mental. Todos os pensamentos
e ações de Hye-ja revolvem em torno de Do-joon. O filho de vez em
quando se rebela contra a tutela materna e, como este é um filme
do excepcionalmente talentoso diretor Joon-ho Bong, de Memórias de um
Assassino e O Hospedeiro, desde a primeira e muito surpreendente cena
já se sente no ar aquela eletricidade característica das terríveis
cadeias de eventos que às vezes envolvem as pessoas. Do-joon é atropelado,
corre atrás do motorista fugitivo, e o espectador sente o coração
vir à boca: é agora que o pior vai acontecer. Não; ele passa
a noite num bar, embebeda-se e tem um estranho encontro que, ao que parece,
não resulta em nada. Assim, de cena em cena, a roleta vai girando, até
que finalmente para de vez na casa do azar. Do-joon é acusado de um crime
gravíssimo e, sem outra opção, Hye-ja, essa mulher tão
sem preparo e sem recursos, tenta provar sozinha a inocência dele. Nesse
percurso desesperador, algo inesperado fica à mostra: o instinto materno
pode, sim, ser algo cruel e até mesmo monstruoso. Não há
nada, hoje, que se compare à inventividade e à turbulência
do cinema sul-coreano. Nem à sua perícia: Joon-ho Bong lida o tempo
todo com emoções extremas sem nunca descuidar também da trama
policial que dá sustentação ao enredo e que, como
tudo mais em Mother, é coisa de virtuose.
LIVROS
SE
VOCÊ GOSTOU DA ESCOLA, VAI ADORAR TRABALHAR, de irvine welsh
(tradução
de Paulo Reis e Sergio Moraes Rego; Rocco; 376 páginas; 54,50 reais)
O escocês Irvine Welsh não é um escritor sutil. Seu maior
sucesso, Trainspotting, de 1993, crônica devastadora da vida de um
grupo de viciados em heroína, não tinha pudor em apresentar seus
protagonistas nas situações mais degradantes e escatológicas.
Apesar desses temas pesados, Welsh faz uma literatura pop muito divertida
a leitura perfeita para o período de férias. Este novo livro reúne
quatro contos e uma novela breve de Welsh. No primeiro conto, Cascavéis, um grupo de jovens viaja pelo deserto do Arizona em busca de uma droga indígena
mística, mas um dos rapazes acaba picado por uma cobra em local dolorosamente
íntimo acidente que vai precipitar outras circunstâncias cômicas.
Welsh convida o leitor a rir, sem culpa, desses personagens desgraçados. Leia o trecho.
A
ARTISTA DE XANGAI, de Jennifer Cody Epstein
(tradução de Flávia
Carneiro Anderson; Record; 452 páginas; 57,90 reais)
Album/Latinstock
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LIVRO
Tela
de Pan Yuliang, a protagonista de
A Artista de Xangai: escândalo
na China |
A chinesa Pan Yuliang (1899-1977) ficou órfã na infância
e aos 14 anos foi vendida, por um tio viciado em ópio, a um bordel. Foi
tirada de lá por um funcionário do governo que a transformou primeiro
em concubina e depois em esposa. O marido incentivou seu talento artístico.
Pan frequentou uma escola de arte em Xangai e prosseguiu seus estudos em Paris.
De volta ao país natal, suas telas "afrancesadas" as cores
lembram Cézanne causaram escândalo por retratar a nudez feminina,
tabu no meio artístico chinês. Em 1937, escapando à invasão
japonesa, Pan radicou-se em Paris, onde morreu em 1977. Neste romance biográfico,
a jornalista americana Jennifer Cody Epstein reconstitui, com muita vivacidade,
a extraordinária vida dessa prostituta que se tornou artista. A descrição
da vida no bordel resultou em páginas fortes. Leia o trecho.
DISCOS
WATCHING THE SKY, Jesse
Harris (PIC Music)
Divulgação
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DISCO
Jesse Harris: ele
é mais do que
o parceiro de Norah Jones |
O cantor e compositor americano
Jesse Harris já lançou seis discos e trabalhou com artistas de estilos
os mais variados do cantor de soul Solomon Burke ao grupo folk Bright Eyes.
Mas ele ficou conhecido sobretudo como o autor de Dont Know Why, sucesso do primeiro CD de Norah Jones. Watching the Sky é uma
ótima chance para conhecer mais de perto o trabalho de Harris, um
ótimo compositor. Suas canções mesclam o jazz, o country
e a música folk, com melodias que ora emulam o pop elegante do maestro
americano Burt Bacharach, ora lembram o country rock do também americano
Gram Parsons. Watching the Sky ganhou forma durante uma turnê de
Harris com o percussionista brasileiro Mauro Refosco (que tocou ao lado de Bebel Gilberto e David Byrne). A dupla se encarregou de quase todos os instrumentos
do disco a exceção foi o baixo, a cargo do excelente
Tony Scherr. Harris é também um bom intérprete: embora não
seja poderosa, sua voz é afinada e agradável. E é claro que
ele recorre à amiga que lhe consolidou a fama: Norah Jones faz um dueto
com Harris em It Will Stay with Us.
EU MENTI PRA VOCÊ,
Karina Buhr (Tratore)
Divulgação
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DISCO
Karina
Buhr: folclore, reggae
e deboche com as leis
de incentivo à cultura |
Desde que Chico Science
& Nação Zumbi lançaram o disco Da Lama ao Caos, em 1994, todo artista que sai de Pernambuco é recebido como vanguarda
da MPB. Os imitadores de Chico Science, porém, apenas mascaram a falta
de talento com uma atitude exótica e certa discurseira "social".
A cantora e instrumentista Karina Buhr passa longe dessa turma. Nascida na Bahia,
criada em Pernambuco e atualmente radicada em São Paulo, ela foi uma das
fundadoras do Comadre Fulozinha, grupo que trabalhava com ritmos pernambucanos.
Essa vertente, digamos, folclórica ainda se faz presente no seu primeiro
disco-solo, mas a ela foram integrados gêneros como funk, reggae, dub e
pop. O resultado é um trabalho de fácil assimilação,
porém com uma carga de inovação e ousadia que estava em falta
no atual cenário das cantoras brasileiras. Como letrista, Karina revela
uma ironia mordaz, seja falando de assuntos do dia a dia (a faixa-título, Mira Ira) ou dos burocratas das artes (Ciranda do Incentivo debocha
das leis de incentivo à cultura).
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[A|B#]
A] posição do livro na semana anterior
B] há quantas semanas o livro aparece na lista
#] semanas não
consecutivas
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Belo Horizonte: Laselva, Leitura; Betim: Leitura; Blumenau: Livrarias Catarinense;
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Cultura, Fnac, Laselva, Siciliano; Campo Grande: Leitura; Caxias do Sul: Siciliano;
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do Iguaçu: Laselva; Goiânia: Leitura, Saraiva, Siciliano; Governador
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