PUBLICIDADE

Home  »  Revistas  »  Edição 2150 / 3 de fevereiro de 2010


Índice    Seções    Panorama    Brasil    Internacional    Geral    Guia    Artes e Espetáculos    ver capa
Livros

O Olimpo é pop

Na série Percy Jackson, de Rick Riordan, um adolescente
problemático descobre que é filho de um deus grego. Os livros
vendem milhões - e fazem a garotada se entusiasmar por mitologia


Bruno Meier

Divulgação
INSPIRAÇÃO MÁGICA
Percy Jackson (no centro) e seus amigos fiéis no filme O Ladrão de Raios: J.K. Rowling, de Harry Potter, cruza com Homero
 


VEJA TAMBÉM

A arte e a literatura deram uma longa sobrevida aos mitos gregos. Escritores, poetas, pintores e escultores seguiram usando como tema o Olimpo e seu elenco de deuses brigões - mesmo quando ninguém mais acreditava na existência deles. E seguem ainda. Ex-professor do ensino fundamental de São Francisco, o americano Rick Riordan, de 45 anos, deu uma guinada pop nessa tradição. Na série Percy Jackson e os Olimpianos, as divindades da Grécia antiga circulam pelos Estados Unidos de hoje. Inseridos em uma saga jovem nos moldes de Harry Potter, Zeus e seus colegas (veja exemplos no quadro) fazem o papel de super-heróis (ou, no caso de Ares, deus da guerra, supervilões). "É fácil para um jovem se interessar por esses deuses. Eles são poderosos e imortais, mas ao mesmo tempo têm defeitos humanos. Sentem fome e ciúme", disse Riordan a VEJA. A série Percy Jackson, com cinco volumes, já vendeu 9 milhões de livros no mundo todo. No Brasil, foram 130 000 - e a editora Intrínseca ainda não publicou a coleção completa: o quarto título, A Batalha do Labirinto (tradução de Raquel Zampil; 392 páginas; 29,90 reais), deve chegar às livrarias a partir do dia 10. O sucesso permitiu que Riordan abandonasse as salas de aula para se dedicar apenas a escrever. Em certo sentido, ele continua educando: seus livros são uma introdução acessível e empolgante ao repertório cultural da Grécia antiga.

SEMIDEUS DISLÉXICO
O escritor americano Rick Riordan: história criada para o próprio filho, que também sofre de dislexia

Shaienne Aguiar, de 16 anos, estudante do 2º ano do ensino médio e presidente de um fã-clube de Percy Jackson, encontrou na série um incentivo para mergulhar nos clássicos. "Os livros de Riordan me deram gás para ler a Odisseia, de Homero", diz a jovem. Riordan orgulha-se de receber cartas de bibliotecários escolares contando que livros sobre mitologia que andavam empoeirados nas prateleiras passaram a ser disputados depois que os alunos se enfronharam nas aventuras de Percy Jackson - um garoto americano que descobre ser filho de Poseidon, o deus dos mares. O autor criou a história para um filho, Haley, que ouviu falar dos mitos gregos na escola e pediu ao pai que narrasse uma aventura com deuses. A despeito dos poderes fantásticos que herdou do pai aquático, Percy, herói e narrador dos livros, sofre de dislexia e déficit de atenção - problemas que afligem Haley. "Foi o meu modo de homenagear todas as crianças que conheci com essas condições", diz Riordan.

O primeiro livro da série, O Ladrão de Raios - sexto lugar na lista de ficção desta semana em VEJA -, já foi adaptado para o cinema. O filme estreia no dia 12 e foi dirigido por Chris Columbus, que deu o pontapé inicial nas adaptações de Harry Potter. As duas séries, aliás, guardam outras e mais profundas similaridades. Antes de descobrir sua natureza divina, Percy Jackson é um garoto-problema, expulso de várias escolas. Só vai encontrar seu lugar quando frequenta um acampamento para meios-sangues (é como são chamados, nos livros, os filhos de deuses com mortais), onde faz amizade com Annabeth, filha da deusa Atena, e Grover, filho de um sátiro. De lá, parte para uma busca aventurosa por um certo raio de Zeus que teria sido escondido em local secreto há muito tempo - e que poderia levar a humanidade a uma guerra de proporções catastróficas. É o modelo consagrado de Harry Potter: um garoto com poderes que vai encontrar seus iguais em uma instituição especial e de lá sai para enfrentar as forças do mal, com a ajuda indispensável de uma dupla de amigos fiéis.

Riordan admite alegremente a sua dívida com J.K. Rowling. "Ela estabeleceu o padrão para a nova literatura infantojuvenil", diz. "Mas Percy e Harry são crianças muito diferentes, que vivem em mundos diferentes." A mitologia de Harry Potter é mais bagunçada, misturando criaturas de origens diversas - centauros gregos e trolls escandinavos, para ficar em dois exemplos. O mundo de Percy Jackson é povoado por respeitáveis deuses e monstros clássicos. Mas é também o mundo cotidiano da adolescência - escola, brigas com os pais, relacionamentos complicados. Essa combinação do prosaico com o fantástico tem se revelado uma grande receita para best-sellers juvenis.

EDIÇÃO DA SEMANA
ACERVO DIGITAL
PUBLICIDADE
OFERTAS



Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados