Panorama
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Catástrofe no HaitiDiego Escosteguy conseguiu fazer poesia de matéria jornalística
sobre uma tragédia. "O caos depois do desastre" (27 de janeiro) é,
sem sombra de dúvida, um dos textos mais bonitos e mais bem escritos
que eu já li. A sensibilidade e o envolvimento profissional dos jornalistas
nos fizeram compartilhar mais intensamente dessa tragédia, tirando-nos
da posição de conforto. São fotos emocionantes e palavras
que traduzem o horror, contrastando com a esperança. Na simplicidade da capa de VEJA está o retrato do
amor, da solidariedade, da esperança de que, apesar do momento
que a humanidade atravessa, ainda existam pessoas prontas a se doar, com o coração
cheio de fé e amor. Que o caos do Haiti, que a todos comoveu, seja o
início de um novo mundo global de amor, esperança, fraternidade
e, sobretudo, uma nova era da solidariedade universal. A expressão daquele garotinho renascendo dos escombros
do Haiti me fez chorar o domingo inteiro. Seu olhar era de esperança,
de alegria em ver gente, de renascimento. Aqueles braços abertos eram
de uma criança que quer abraçar o mundo e agradecer a todos. Eu
jamais esquecerei aquele olhar e aquele sorriso. A cada dia admiro mais o ser humano comum, aquele que luta ferozmente
pela vida, pela sobrevivência. Vendo, ouvindo e lendo sobre os últimos
acontecimentos no Haiti, me enchi de admiração pela força
dos haitianos. Mesmo depois de dias soterrados, depois de serem retirados do
inferno, saem sorrindo, agradecendo, sob os aplausos de seus conterrâneos. O debate sobre a tragédia do terremoto no Haiti se resume
hoje a como lidar com ela. A reconstrução do país, uma
ilha de miséria, conflitos civis e indicadores sociais ruins, exige um
nível de coordenação logística que só o Exército
americano tem, por motivos evidentes. Fora disso, e nas circunstâncias
verificadas em Porto Príncipe, as perspectivas são ainda piores
que a realidade. Portanto, chanceleres e governantes de todo o mundo, conscientizem-se:
dor de cotovelo, ciumeira e nariz torcido à parte, o que importa agora
é ajudar o Haiti a se reerguer dos escombros.
Carta ao LeitorA Carta ao Leitor "O pior e o melhor do homem" (27 de
janeiro) nos chama a fazer uma reflexão profunda a respeito do Haiti.
Realmente, não podemos mais admitir que a humanidade assista ao aniquilamento
de uma nação e não some esforços no sentido de proporcionar
ao povo daquele país a possibilidade de desfrutar uma vida normal. Que
o Haiti seja um laboratório do qual saiam as soluções para
que o mundo estabeleça uma nova ordem na convivência entre as pessoas.
Claudio de Moura CastroExcelente o artigo "Na Idade das Trevas" (27 de janeiro),
no qual Claudio de Moura Castro aborda com precisão cirúrgica
um tema que é ao mesmo tempo essencialmente estratégico para o país e angustiante
para a comunidade científica. O Brasil realmente alcançou lugar
de destaque na produção científica, atingindo um porcentual
expressivo de 2% da produção mundial (há dez anos era menos
de 1%). No entanto, ainda engatinhamos na inovação tecnológica,
com posição que nos causa constrangimento. No indicador de depósitos
de patentes nos Estados Unidos, por exemplo, amargamos um porcentual em torno
de 0,1%. O que é grave e reforça a tese de Claudio de Moura
Castro é que neste quesito, da inovação tecnológica,
se encontra o entulho legislativo que obriga os órgãos de controle
a fazer a necessária fiscalização dos investimentos públicos
em ciência e tecnologia referenciados em leis, decretos e normas elaboradas
com base em conceito da "Idade das Trevas". Mesmo
com todos os percalços, a Lei de Inovação foi e é
um avanço importante. A Finep (que merece nosso reconhecimento e aplauso,
pelo esforço em prol das empresas de base tecnológica) e o próprio
Ministério da Ciência e Tecnologia, além das empresas, encontram
dificuldades para agilizar e dar vida a projetos e programas devido, realmente,
à legislação ultrapassada e que nada tem a ver com a velocidade
necessária para a inovação e o desenvolvimento tecnológico.
Temos uma Lei de Inovação do século XXI e uma burocracia
do século XIX! Essa é a realidade hoje, infelizmente. É sempre
bom lembrar que tecnologia não se compra, se desenvolve, e leva tempo e
dinheiro no processo. A
sociedade, até com certa razão, está mais interessada na
fiscalização do que nos avanços tecnológicos. Os fiscais,
por sua vez, consideram que todo pesquisador é desonesto até que
se prove o contrário. O resultado é a apatia que toma conta das
universidades públicas. Tudo o que o professor fizer poderá ser
usado contra ele. Melhor é não fazer nada? Como
ex-assessor na então Secretaria de Ciência e Tecnologia do
Estado de São Paulo, tive a oportunidade de vivenciar esse emaranhado
jurídico-burocrático que impede que a sociedade brasileira seja
beneficiada por uma maior integração entre quem faz pesquisa e quem
precisa dela. Também concordo que tem de haver controle e fiscalização,
para evitar desvios e corrupção na aplicação de recursos.
Quem é bem-intencionado não só é a favor desse controle,
como o exige para evitar as malandragens. Mas não se pode aceitar que esse
controle passe a ser um fim em si mesmo, exercido por profissionais
muitas vezes incompetentes.
Peter Ward
Gostei muito da entrevista com o paleontólogo Peter
Ward (Entrevista, 27 de janeiro). Agrada-me saber que pessoas de bom nível
intelectual defendem ideias diferentes das dos ambientalistas de plantão.
Acho que a tecnologia é um remédio do qual não podemos prescindir.
Se ele tem efeitos colaterais como parece inquestionável ,
temos de procurar combatê-los, e não deixar de tomar o remédio. São
ótimas as páginas amarelas de VEJA. Sobre a fome global, a própria
FAO considera que sua meta para o milênio, de reduzi-la em 50%, não
foi atingida. Em todo o mundo a fome já afeta mais de 1 bilhão de
pessoas. A expectativa da FAO é que em 2050 sejamos 9 bilhões de
pessoas. Portanto, se hoje já temos 15% da população nessa
situação, as previsões de Ward estão corretas. É
urgente o acordo entre os "verdes" e os produtores rurais. Necessitamos
de produção de alimentos em larga escala, ou o que será da
humanidade daqui a quarenta anos?
Democracia sob riscoAuspicioso que
comecem a "quicar" indignações contra o desmonte institucional
que este governo vem sistematicamente promovendo, o que, por um dever de justiça,
há que ser dito, VEJA vem denunciando com alguma insistência. Triste
é não vermos uma disposição mais incisiva em outros
veículos de imprensa e entidades representativas importantes, que tanto
se empenharam contra tais tentativas nos anos dos governos militares ("A
obsessão totalitária", 27 de janeiro). Sobre
a reportagem "A obsessão totalitária" (27 de janeiro),
de fato, deve-se cumprimentar o jornalista Fábio Portela pela abordagem,
que mostra como uma verdadeira democracia tende a ganhar com a liberdade de imprensa,
como defendida por Thomas Jefferson. Àqueles que têm algo a esconder
e querem impedir o necessário trabalho da imprensa, que se alinham perfeitamente
ao pensamento leninista, que desejam transformar Brasília em uma nova Caracas, meus
pêsames. Essa mesma imprensa e a população estão alertas,
em nome do país. A reportagem "A obsessão
totalitária" resumiu com clareza e didática a ideologia do
PT. Mostrou sem meias palavras a intenção nefasta e lamentável
do partido que governa o Brasil: a volta de um regime para as massas ignorantes.
Para os apedeutas que não admitem o contraditório. Trata-se de um
partido que não admite um povo pensante, que lê e interpreta textos.
A imprensa livre é o grande satã dos petistas e dos comunistas de
além-mar. Não é à
toa que o Brasil está tão mal colocado no Índice de Desenvolvimento
Educacional da Unesco (88º). A reportagem "A obsessão totalitária"
mostra bem o motivo, quando afirma que censurar a imprensa e impedir o fluxo de
ideias no Brasil é a única bandeira genuinamente comunista que sobrou
aos petistas. Ou seja, o governo não quer uma educação forte,
nem uma imprensa livre e democrática. Que pena!
Eleições 2010É sabido que o PAC não existe, a não
ser como um tolo acrônimo inventado pelos marqueteiros petistas para apelidar
o velho Orçamento da União, com o objetivo de ludibriar tolos, fazendo-os
acreditar que os petistas governam o país como ninguém. O tucano
Sérgio Guerra, ao dizer que vai acabar com algo que não existe,
apenas dá motivos para desnecessárias polêmicas. Ora! Caso
o seu partido vença as eleições, é só jogar,
sem alarde, a famigerada sigla na mesma lixeira do já esquecido "Fome
Zero".
Bolsa FamíliaÉ
uma vergonha assistir a essa compra de voto tão inusitada. Um programa
da grandeza do Bolsa Família está perdendo seus objetivos e se tornando
uma potência eleitoreira. Será que ninguém vai fazer nada?
Acredito que não ("Bolsa-cabresto", 27 de janeiro). Fico
sem entender como um presidente que conseguiu respeitar a política econômica
do país e ganhar prestígio internacional continua fazendo política
como os coronéis do passado. Senhor presidente, por que não começar
a mudar essa forma tão arcaica e desumana de comprar o voto dos menos esclarecidos
com pão e banana?
Mensalão do Distrito FederalCorrupção,
chaga maldita que nunca sara. Enquanto esses bandidos se aproveitam de seus cargos
e de leis fajutas criadas por eles próprios para surrupiar o dinheiro público
e financiar suas mordomias, milhões de brasileiros continuam vivendo em
situação de extrema pobreza ("Banditismo institucional",
27 de janeiro). O governador Arruda é um
grande maestro. Ainda que faltem nove músicos na orquestra da Câmara
de Brasília, ele consegue manter a harmonia da corrupção
sem desafinar uma nota sequer.
Eleições no ChileGostaria
de cumprimentar o povo chileno pelo desprendimento e confiança no
destino de seu país ("Vitória na era do consenso", 27
de janeiro). E também agradecer-lhe por nos apontar o caminho, e assim
dar um basta nessa ideia de que "o Brasil começou em 2002".
BeyoncéDizer
que no mundo pop Beyoncé está à frente de Madonna é
um grande equívoco ("Beyoncé, a poderosa", 27 de janeiro).
É bem verdade que seu disco vendeu mais nos Estados Unidos. Mas a turnê
de Madonna foi a mais bem-sucedida de todos os tempos para uma cantora, quebrando
um recorde que já era dela. Seu último disco, Hard Candy, estreou em primeiro lugar em mais de 27 países e, no Reino Unido, ela só
perde para os Beatles na parada de singles. Quero ver Beyoncé, quando chegar
aos 51 anos, fazer isso. Correção: as mudanças no Bolsa Família, de que tratou a reportagem "Bolsa-cabresto" (27 de janeiro), não evitarão a exclusão de 5,8 milhões de pessoas do programa, como foi escrito. O número baseou-se em cálculo feito com dados de 2009, e não de 2010, como seria o correto. Os beneficiários que descumpriram regras do programa em 2009 serão excluídos em fevereiro. As mudanças, que seguem diretrizes de 2008, só terão efeito prático em 2010.
Para se
corresponder com a redação de VEJA: as cartas para VEJA devem trazer
Por
motivos de espaço ou clareza, as cartas poderão ser publicadas
resumidamente. |