Ladrões de bebês

Outro figurão da ditadura está de volta à cadeia

Agora já são dois ex-chefes da ditadura argentina atrás das grades. Convocado a depor, na terça-feira passada, o almirante da reserva Emilio Massera foi preso sob acusação de responsabilidade pelo seqüestro de duas crianças nascidas na Escola de Mecânica da Marinha, centro de torturas e extermínio que ele comandava. Massera segue o mesmo destino do general Jorge Rafael Videla, seu companheiro no golpe de 1976. Ambos foram condenados à prisão perpétua em 1985 e indultados cinco anos depois. Videla voltou à prisão em junho, também por causa do seqüestro de crianças, um trauma insuperável do período ditatorial.

Os militares no poder tinham por hábito tirar os filhos recém-nascidos de presas políticas e entregá-los a pessoas de confiança do regime. Hoje, essas crianças chegam à idade adulta com uma trágica suspeita: seus pais adotivos podem ter sido os assassinos de seus pais biológicos. A apuração da verdade é levada à frente, com análises genéticas, pela organização Avós da Praça de Maio, que encaminha as conclusões à Justiça. Baseados no princípio de que os seqüestros de bebês se perpetuaram no tempo e por isso não se incluem no indulto de 1990, tribunais argentinos agora ajustam contas com um passado ainda vivo e doloroso.




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