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O mito Lula
"Espero que o filme do Lula não seja decalcado no
famoso O Triunfo da Vontade, realizado em 1934 pela cineasta alemã
Leni Riefenstahl, sobre o endeusamento progressivo de Adolf Hitler. Este também
foi pobre, excluído, preso por suas ideias e, com garra e ajuda divina,
chegou lá, dando no que deu." O filme Lula, o Filho do Brasil conta a história
de um homem que saiu do nada e venceu. É o melhor exemplo que nós,
brasileiros humildes, trabalhadores e sonhadores, podemos ter. Sinto orgulho
de ter um presidente como o Lula em meu país ("A construção
de um mito", 25 de novembro). Sinto que estão tentando fazer em nós, brasileiros,
algo similar a uma lavagem cerebral. Um povo desorientado que se deixa levar
por qualquer coisa, que acredita em falsas desculpas e se emociona com algumas
lágrimas. Tenho uma sugestão de um próximo filme: Mensalão,
Tristeza do Brasil. Digna de aplauso a capa de VEJA que traz o nosso "astro" maior,
beatificado, e seu filme pago por empresas que financiam o populismo do nosso
presidente, motivadas por interesses próprios. Pos-so imaginar a choradeira
e o melodrama, na tentativa de idolatrar um homem que possui seus méritos,
uma história de vida difícil e vitoriosa, mas que, com seu endeusamento,
nos cria um constrangimento antidemocrático sem precedentes, uma vez
que teremos eleições em 2010. Muito antes de ser um filme, é
uma perfeita estratégia eleitoreira. E disso o PT entende muito bem.
Não precisamos de mitos. Precisamos de presidentes de verdade. Quase todos concordam que a história de vida de Lula é
digna dos cinemas. Não é qualquer um, afinal de contas, que passa
pelo que ele passou e vence como líder político. Mas a magia durou
pouco e cessou com os escândalos do mensalão, do dossiê dos
aloprados, de Valdomiro Diniz e outros, justamente no momento em que Lula finalmente
chegou aonde sonhava (o Palácio do Planalto). Agora, às portas
de sua sucessão, aterrissa nas telas do cinema sua cinebiografia,
com o óbvio intento de inflar-lhe o ego e consolidá-lo como mito
(vide os patrocínios da fita). Daí fica fácil entender
o mistério: o governo tem candidata ao lugar de Lula, a ministra Dilma.
2010 é ano eleitoral. Dilma está atrás nas pesquisas. Lula
é seu principal cabo eleitoral. Pronto. Basta unir os pontos que se revela
o plano. Lula tem uma história que merece realmente ser retratada
em filme. Mas esse filme que está sendo lançado não passa
de uma produção com interesses puramente eleitoreiros, na qual
são realçadas as características positivas do presidente
enquanto as negativas são jogadas para debaixo do tapete. Vou esperar
para assistir a um filme que tenha uma produção independente,
que aborde os escândalos de seu governo, sua conivência em livrar
dos escândalos pessoas envolvidas até o pescoço, enfim,
um filme que mostre o lobo que se esconde por trás dessa pele de cordeiro
que está sendo mostrada. Um filme realista que exponha a decadência
moral de um mito, em nome de um projeto de poder. É impressionante como vivemos numa ditadura disfarçada
e sem farda. Ditadura de um polvo com centenas de tentáculos imobilizadores
dos mais variados setores do país. Até o cinema é utilizado
como máquina de perpetuação no poder. Esse é um
filme sem originalidade, que exala bajulação, mas esconde os porões
da corrupção. É o poder a qualquer preço. A história
nos diz, com sabedoria, que pior do que Hitler eram seus fanáticos admiradores,
os mesmos que idea-lizavam os filmezinhos de propaganda em troca de migalhas.
Triste é o país que consegue atrofiar, cada vez mais, o cérebro
de um eleitorado sem a educação necessária para distinguir
um líder real de um populista simplório e oportunista. VEJA prestou, mais uma vez, um grande serviço à
consciência nacional com essa excelente reportagem. Vale ressaltar que
o diretor Fábio Barreto parou o filme exatamente antes de o governo Lula
começar. E ele sabe por quê. Se tivesse de mostrar o governo Lula,
veríamos o escândalo do mensalão, dólares na cueca,
sanguessugas, aloprados, PAC que não anda, ministra Dilma Rousseff, que
mente publicamente (caso Lina Vieira), apoio a Sarney, Collor, Jader Barbalho,
CPI dos Cartões Corporativos, CPI do MST... Impressiona a "boa vontade"
dos patrocinadores. Como sou profissional que trabalha com patrocínios
de nível nacional e internacional, conheço as grandes dificuldades
para um projeto sério obter patrocínio. Fica uma sugestão
para o cineasta Fábio Barreto: por que não completa a série
com um filme sobre o filho de Lula, cujo título poderia ser "Lulinha,
o Netinho do Brasil", falando do retumbante e cinematográfico êxito
desse jovem e preparado empresário e seus financiadores, como o banqueiro
Daniel Dantas? Como roteirista poderia convidar o delegado Protógenes
Queiroz, da Polícia Federal. "Nunca antes na história deste país" se gastou tanto
para produzir um filme, mais exatamente cerca de 16 milhões de reais.
O filme pode contar votos para a ministra Dilma, aquela do PAC. Não sei
o que diz o Código Eleitoral sobre longas-metragens eleitoreiros. Será
que o TSE ou o STF não vão intervir e tirar de cartaz essa campanha
política camuflada? Há de admirar a propaganda em torno de Lula: ao mesmo tempo
em que namora ditadores, ele tenta calar a imprensa (ironia do destino, porque
foi justamente parte da imprensa que ajudou a criar o mito), autoproclama-se
democrata e estimula a realização de um filme sobre sua vida patrocinado
por empresas com interesses no governo. Os bajuladores de plantão dirão
que sua aprovação popular chega aos 80%, mas vale lembrar: nos
anos iniciais do nazismo, Hitler também alcançou essa aprovação.
A propaganda em torno de Lula é tão aviltante que nem Goebbels
ousaria tanto. Estudante universitária sendo hostilizada em universidade,
helicóptero sendo derrubado em território brasileiro, Lula nas
telas de cinema. Nunca foi tão desanimador sair de casa!
Diogo MainardiÉ muito bom saber que há pessoas que sabem escrever.
Mainardi foi demais no artigo "Quem é o Filho do Brasil"
(25 de novembro). Concordo em gênero, número e grau. O filme sobre
Lula é uma grande comédia... e das ruins. Não perderei
meu tempo. O artigo de Diogo Mainardi sobre os "cineastas de bolso", sempre
prontos, subservientes e dóceis para assestar suas câmeras,
capachos do "pudêr", em troca de prebendas e benesses, foi preciso e mortal.
Diria que na veia! A indigência intelectual e criativa do cinema brasileiro,
que já vinha descendo a ladeira nestes anos de "estética lulista"
(elegia da miséria, alegoria da pobreza e revisionismo histórico
pelo viés ideológico), só resiste na UTI, em sua falência
crônica de boas ideias livres do jugo estatal, por estar ligada nos aparelhos
pagos pelo BNDES e pela Petrobras, entre outras.
Cesare BattistiVenho registrar o mais veemente repúdio do Supremo ao título
da reportagem sobre o julgamento do pedido, formalizado pelo governo da Itália,
de extradição do nacional italiano Cesare Battisti "Uma
enorme asneira jurídica". O texto, veiculado na edição
2140, de 25 deste mês, além de desservir à boa informação,
desmerecendo a revista, agride esta instituição e revela o total
desconhecimento do direito posto. Vai ser fácil para Lula decidir sobre o destino de Cesare
Battisti. O que fez o ex-terrorista italiano é fichinha perto do
repertório de crimes e barbaridades cometidos pelos integrantes do MST,
com os quais o petismo mantém relacionamento visceral. Os políticos que paparicam Battisti, em detrimento das
instituições brasileiras, agiriam assim se entre as vítimas
de Battisti houvesse um político de esquerda? Ou só agem assim
porque a vida das vítimas de Battisti é considerada desprezível
por esses deputados? Vejam que país surrealista é o Brasil. Os ministros
do STF, no papel de intérpretes da Constituição, e para
cuja função se exige "notável saber jurídico", transferem
a um "analfabeto jurídico" o papel de uma decisão que, em tese,
dará abrigo até a Bin Laden.
ApagãoO apagão de energia elétrica não me preocupa
tanto, visto que ele é democrático, pois é percebido por
pobres e ricos, alfabetizados ou não, conscientes ou não, politizados
ou não, e seus prejuízos podem ser medidos. O apagão com
o qual devemos nos preocupar é o apagão criado pelo governo Lula,
que faz o cerceamento do direito de bem informar, que acaba com o estado democrático
de direito ("Não deu para apagar o apagão", 25 de novembro).
Adolfo Pérez EsquivelA ideia do senhor Adolfo Pérez Esquivel (Amarelas,
25 de setembro) é totalmente plausível. A depredação
do meio ambiente ocorre de forma sistemática, em todos os lugares, a
cada segundo, e sua propagação nos levará fatalmente a
grandes desconfortos no futuro. Criar mecanismos que consigam evitar esse desmazelo
com certeza fará com que os povos vindouros possam habitar
um planeta pelo menos em condições sustentáveis de
sobrevivência. Concordo com o ilustre ativista político e ganhador do
Nobel da Paz Adolfo Pérez Esquivel quando propõe acabar com a
impunidade dos crimes contra o ser humano. As pessoas não acordaram ainda
para essas transgressões ambientais. Sem as condições mínimas
para a sobrevivência do ser humano, que deveriam ser dadas pelos governos,
como educação, trabalho, saúde etc., o homem não
evolui e continuará sempre na sua pequenez, nos jeitinhos e na sua falta
de ética e de moral.
Cerco ao fumoMais uma reportagem extraordinária de VEJA ("A morte lenta
do cigarro", 25 de novembro). Como estudante de medicina, vejo a importância
de manter as pessoas bem informadas diante de um assunto ainda tão polêmico.
A mídia construiu a imagem de glamour do cigarro, e devemos desconstruí-la
com reportagens de tal porte. VEJA nos traz novamente extensa e consistente matéria sobre
o tabagismo. A redução do consumo de cigarro é uma vitória
da sociedade, e para que isso acontecesse foi necessário mostrar aos
brasileiros os malefícios que ele provoca. Nesse sentido, não
podemos esquecer a reportagem de 29 de maio de 1996 ("O Instituto do Câncer
contra o cigarro"), pois ela representou, sem dúvida, um marco fundamental
em toda essa história. Isso mostra quanto é importante o papel
da imprensa livre neste país para a construção de uma sociedade
saudável e sem dependências.
Herança genéticaDepois de ler a reportagem "O testamento dentro de cada um" (25
de novembro), que trata do dilema criado pelos exames que visam a identificar
nossas heranças genéticas para patologias graves, sendo muitas
delas incuráveis, eu me perguntei até que ponto me é benéfico
saber se sou ou não portador em potencial de determinada moléstia,
ainda que incurável. Estaríamos criando nosso próprio inferno
por antecipação? Por outro lado, esses mesmos testes são
capazes de prever heranças genéticas para doenças que podem
seguramente ser postergadas ou mesmo evitadas com alterações no
estilo de vida, como é o caso do diabetes melito e da hipertensão
arterial, males silenciosos e devastadores a longo prazo. Jamais podemos esquecer
que grandes descobertas encerram em si um pouco de luz e sombra. Foi assim com
a roda, inicialmente utilizada para girar moinhos e edificar civilizações
e depois usada em carros de guerra. Espero sinceramente que nossas sentenças
genéticas sejam mais acalentadoras para o espírito humano. A pesquisa dos polimorfismos dos fatores V Leiden ou II 20210,
por PCR, é imprescindível na avaliação do risco
trombótico. Como resultado da solicitação rotineira desses
testes genéticos por angiologistas, hematologistas e ginecologistas,
o custo de cada um varia, hoje, de 150 a 300 reais. Quando a mulher, com perdas
fetais recorrentes e histórico familiar de tromboses venosas, descobre
que seu exame deu positivo, isso significa que as gestações podem
não estar seguindo adiante porque os vasos da placenta estão sofrendo
trombose. Esse problema poderá ser facilmente resolvido com tratamento
anticoagulante. Posso assegurar que, nesses casos, identificar o gene defeituoso
traz enorme alívio.
Viver a VidaA cena em que Helena, interpretada por Taís
Araújo, é estapeada de joelhos implorando por perdão foi
de embrulhar o estômago ("Tapa na pantera", 25 de novembro). Fez lembrar a
relação colonialista entre a sinhá e a escrava. Ou seja,
a negra servil deve sempre cuidar da filha da dona da casa-grande como
uma ama, submetendo-se a todo tipo de capricho, sem reclamar. Não executou
bem a tarefa? Merece chibatadas.
CarroExcelentes os novos acessórios mostrados na seção
Guia ("No carro com conforto", 25 de novembro). Mas o macaco elétrico
e as câmeras retrovisoras, que facilitam estacionar, são imprescindíveis
e deveriam se tornar itens de série até de carro popular.
Arquitetura sustentávelRealmente, as propostas apresentadas por Natal deixam dúvidas
quanto à seriedade ("Gramados ainda mais verdes", 25 de novembro). A
energia gerada por placas fotovoltaicas apresenta um custo ainda excessivamente
elevado, ao passo que no Rio Grande do Norte já temos energia eólica
gerada a um preço bem inferior. Mas a antena para absorver raios
ganha disparado. É a maior piada. Em nove anos morando em Natal, eu nunca
vi um único raio! É brincadeira!
Veja EssaA cantora Luiza Possi está linda, no esplendor de seus
25 anos, que eu já tive, mas não com toda aquela beleza. Sua declaração
de que ficar velho é tão triste (Veja Essa, 25 de novembro) é
própria da juventude, que não para para pensar na alternativa:
não ficar velho é morrer antes de envelhecer. É bem mais
triste. Realmente, a oposição reclama da oportunidade do
lançamento do filme de Lula. Mas, em vez de seguir o conselho do presidente
do PT, Ricardo Berzoini (Veja Essa, 25 de novembro), e fazer um filme do FHC,
a oposição deveria fazer "outro" filme sobre o próprio
Lula.
O mito Lula 2Gostaria de esclarecer aos milhões de leitores de VEJA alguns
pontos abordados na reportagem "A construção de um mito". O filme Lula, o Filho do Brasil, um melodrama épico, como o
define o diretor Fábio Barreto, em momento algum, desde sua concepção
até sua finalização, foi orientado por político
de qualquer partido ou por membros do Poder Executivo, como a reportagem faz
crer. O filme não foi concebido para ser instrumento de propaganda política.
O desenvolvimento do longa teve início em 2003, quando a LC Barreto Filmes
do Equador adquiriu os direitos de filmagem do livro de Denise Paraná.
Sua conclusão só foi possível agora por causa da dificuldade
de conseguir patrocinadores, da crise econômica e das complicações
técnicas e logísticas próprias de uma grande produção
cinematográfica. A captação foi desenvolvida entre empresas
que já apoiam a cultura brasileira em todas as suas modalidades, inclusive
no cinema, e não é verdade que houve qualquer interferência
do ministro das Comunicações, Franklin Martins. Parte significativa
das verbas captadas é proveniente do próprio meio cinematográfico
- Globo Filmes, Europa Filmes e Downtown Filmes -, além de recursos investidos
pelas produtoras envolvidas no projeto. A trilha musical e os efeitos sonoros
não receberam interferência de políticos. Agradecemos a
VEJA o destaque da capa - a quinta sobre filmes produzidos por nós -
e a exposição dada ao filme Lula, o Filho do Brasil.
GaranhunsSobre a reportagem "A construção de um mito" (25 de novembro),
informo que Garanhuns não fica no sertão, mas na região
do agreste pernambucano. Também informo que a "Suíça Pernambucana"
registra baixas temperaturas durante o ano, abrigando, inclusive, um Festival
de Inverno que acontece no mês de julho.
Correções: na reportagem "Check-up sem fim" (VEJA Tecnologia, 18 de novembro), a imagem identificada como sendo do relógio Garmin Forerunner 405CX é, na verdade, do Garmin Forerunner 405. • O nome do estaleiro coreano que pretende se instalar no Porto de Suape é Sungdong, e não Samgdong, como publicado na nota "Os holandeses querem retomar Tatuoca", na seção Holofote (25 de novembro). |