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Home  »  Revistas  »  Edição 2141 / 2 de dezembro de 2009


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Carta ao Leitor

A chave é o indivíduo

Fabiano Accorsi

O policial, quando valorizado como indivíduo, é mais eficiente na luta contra o crime


Vive-se um tempo em que as pessoas, suas circunstâncias particulares, responsabilidades e conquistas sumiram de vista em favor de projetos de engenharia social e suas promessas de resultados obtidos com a adesão de grandes massas. O mundo já se encantou antes com essas ilusões coletivistas apenas para descobrir, não sem sofrimento, que o sucesso e o fracasso dependem das ações de cada indivíduo. A presente edição de VEJA traz diversas reportagens que reavivam o conceito do ser humano não em seu estado difuso de integrante de uma colmeia, mas como unidade pensante, dotada de livre-arbítrio e guiada por uma bússola ética.

A primeira dessas reportagens é uma investigação sobre a releitura atual das técnicas clássicas de autocontrole, comedimento, serenidade e senso de justiça que abriram para a humanidade, há muitos séculos, a opção civilizatória. A reportagem fala de valores individuais poderosos que atravessaram as eras produzindo pessoas boas e bem-sucedidas, a despeito dos cruéis arranjos sociais em que elas viveram. Na entrevista das Páginas Amarelas, o ator canadense Michael J. Fox conta como rejeitou a vitimização por ser doente de Parkinson e tirou dessa condição adversa não amargura, mas belas lições de tolerância. Outra reportagem ressalta a coragem de Eduardo Paes, prefeito do Rio de Janeiro, em acusar os cariocas de "emporcalhar a cidade", lembrando que se cada um sujar menos todos ganham. A limpeza pública é um dever da prefeitura, pois afinal as pessoas pagam impostos e esperam que eles sirvam para alguma coisa útil. Isso, porém, não diminui a força do diagnóstico do prefeito: a compostura pessoal tornaria o trabalho de limpeza da cidade muito mais eficiente e barato.

Finalmente, uma reportagem especial sobre as polícias brasileiras, feita pelo editor Ronaldo França, revela que aumentar contingentes policiais e dotar as unidades de melhor armamento e tecnologia são fatores essenciais no combate ao crime. Mas nada é tão eficiente quanto dar ao homem e à mulher de farda treinamento, confiança pessoal e reconhecimento moral e financeiro para fazer deles heróis perante si mesmos e os cidadãos.

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