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Manoel Marques![]() |
| EXERCÍCIO CONTÍNUO Depois da cirurgia a laser, a esteira diária de Ronaldo Laguardia voltou a ser feita sem interrupções |
Aos 20 anos, o homem desconhece por completo a função
da próstata. Aos 50, ele se torna um especialista no assunto." A ironia
preferida dos urologistas sintetiza com exatidão a relação
dos pacientes com a glândula produtora de PSA, a proteína responsável
por diluir o sêmen durante a ejaculação. Do tamanho de uma
noz, a próstata só chama atenção quando começa
a incomodar. Durante o processo de envelhecimento, é natural que ela cresça.
Para 80% dos homens com 50 anos ou mais (o equivalente a 14 milhões de
brasileiros), ela se faz notar pela dificuldade de urinar, em menor ou maior grau.
Localizada abaixo da bexiga, a glândula prostática se avoluma e comprime
o canal da uretra - o que caracteriza a hiperplasia benigna da próstata.
"Apesar de sintomas tão evidentes, metade dos pacientes os subestima",
diz o urologista Gustavo Guimarães, do Hospital A.C. Camargo, em São
Paulo. Com isso, um problema que seria facilmente controlável pode exigir
intervenção cirúrgica - uma possibilidade de fazer tremer
os senhores mais destemidos. Uma técnica recém-chegada ao Brasil,
no entanto, ajuda a amenizar esse pesadelo. Com o poder de emitir ondas a uma
temperatura de 200 graus, o laser verde faz o excesso de tecido prostático
evaporar. Como evita sangramentos, o novo procedimento resulta na recuperação
mais rápida do paciente e, consequentemente, reduz o tempo de sua internação
para um dia - contra os quatro exigidos pelo método convencional.
Aplicado desde 2005 em alguns dos mais célebres hospitais americanos, como o MD Anderson, em Houston, e o Memorial Sloan-Kettering, em Nova York, o laser verde para o tratamento da hiperplasia benigna da próstata pouco lembra a cirurgia por endoscopia criada há cerca de trinta anos. A única semelhança entre as duas técnicas é um tubo finíssimo que chega à próstata por meio da uretra. Na operação tradicional, a cânula leva em sua ponta instrumentos para recortar e sugar as sobras de tecido prostático. No tratamento a laser, um tubinho de 1,8 milímetro de diâmetro libera o feixe de luz quente. "Esse é o procedimento cirúrgico menos agressivo já criado na medicina para tratar a hiperplasia", diz o urologista Miguel Srougi, do Hospital Oswaldo Cruz, em São Paulo. A terceira opção é a cirurgia aberta, indicada principalmente para os casos mais graves, quando a próstata tem mais de 100 gramas (normalmente, ela pesa 20 gramas).
As causas da hiperplasia benigna não são completamente conhecidas. A hipótese mais aceita relaciona o problema ao hormônio testosterona, que funciona como combustível para a multiplicação das células prostáticas. Um dos medicamentos usados para o controle da doença, a finasterida, reduz os níveis de testosterona na glândula. Outro remédio também indicado para os casos moderados é a doxazosina, que relaxa o canal da uretra e aumenta a contração da bexiga. O tratamento medicamentoso, porém, nem sempre consegue conter o crescimento da próstata. Antes de ser submetido à cirurgia a laser, o engenheiro Ronaldo Laguardia, de 66 anos, foi medicado por cinco anos. No início do ano, o quadro se agravou. Ele não conseguia completar a caminhada diária de uma hora na esteira sem ter de ir ao banheiro pelo menos três vezes. "Se soubesse da simplicidade da intervenção, não teria padecido tanto." Agora, Laguardia pode até esquecer qual é a função da próstata.
O teste da próstataOito em cada dez homens acima dos 50 anos apresentam hiperplasia prostática benigna. O principal sintoma é a dificuldade em urinar - o comprometimento varia conforme o grau da doença. Metade dos pacientes subestima o problema, aumentando o risco de ter de passar por procedimentos mais agressivos. O teste a seguir é usado como ferramenta de apoio para o diagnóstico da hiperplasia Das vezes em que urinou no mês passado, em quantas você... RESULTADO De 1 a 7 pontos De 8 a 19 pontos 20 pontos ou mais Fontes: International Prostate Symptom Score, urologistas Gustavo Guimarães, do Hospital A.C. Camargo, e Miguel Srougi, do Hospital Oswaldo Cruz |