Edição 1929 . 2 de novembro de 2005

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Radar

Felipe Patury (fpatury@abril.com.br)

• POLÍTICA

A primeira aliança
Representantes do tucano José Serra fecharam uma aliança com o PDT para a eleição presidencial de 2006. O cacique da legenda trabalhista, Carlos Lupi, garantiu que seu partido não se aliará a Lula em nenhuma hipótese. O PDT concorrerá no primeiro turno com Cristovam Buarque e ficará ao lado do PSDB se houver segundo turno. Lupi disse ainda que, entre os tucanos, prefere mesmo Serra.  

Regra do contrapeso
Serra e Alckmin decidiram que o candidato do PSDB ao governo de São Paulo será escolhido por quem perder a disputa entre os dois para ser o candidato do partido à sucessão de Lula.  

De volta às armas
Lula autorizou Jaques Wagner a oferecer uma série de cargos a deputados do PP e do PMDB para tentar eleger aliados como líderes das duas bancadas.

 

• GOVERNO

Um time de futebol
O governo nomeia nesta semana nada menos que onze diretores de estatais do setor elétrico. Alguns cargos estavam em negociação desde a última reforma ministerial. O pote de ouro é a diretoria de Furnas, empresa muito citada pelo hoje ex-deputado Roberto Jefferson no escândalo do mensalão.

Duro de engolir
O ministro da Educação, Fernando Haddad, avisou Eliezer Pacheco, então presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais, que ele seria demitido pelo que se pode chamar de "incompatibilidade de gênios". Pacheco duvidou. Haddad conseguiu tirá-lo do cargo, mas teve de engoli-lo como secretário de Educação Tecnológica. Ordem da ministra Dilma Rousseff.

 

• NEGÓCIOS

O custo da violência
O laboratório Sanofi, da Aventis, decidiu fechar sua unidade no subúrbio do Rio e reabri-la no interior de São Paulo em 2006. A justificativa oficial é que se trata de estratégia empresarial. A razão não declarada é o medo dos executivos de trabalhar numa região marcada por altos índices de criminalidade. Com essa, o Rio perde mais 600 empregos.

 

Para banqueiros, Lula ganhará em 2006

 
Paulo Pinto/AE
Alckmin: o preferido dos empresários e banqueiros

Os banqueiros acreditam que a crise política não foi suficiente para tirar o favoritismo de Lula em 2006. A consultoria Arko Advice, do cientista político Murillo de Aragão, perguntou aos dirigentes de 35 instituições financeiras quem será, em sua opinião, o ocupante do Palácio do Planalto em 2007. Lula ficou em primeiro lugar, com 50% das apostas, Serra em segundo, com 28%, e Geraldo Alckmin em terceiro, com 14%. A Arko Advice também perguntou aos banqueiros quem é seu candidato predileto. O quadro se inverteu. Alckmin disparou na frente, com 74% dos votos. Serra recebeu 8%. Quanto a Lula, ele ficou com apenas 1%, o mesmo que a incendiária Heloísa Helena.

 

• FAMÍLIA SILVA

Agora, também no mar
A agenda do ministro do Desenvolvimento, Luiz Furlan, registra um interessante encontro no dia 11 de fevereiro deste ano, às 14h30. Ele recebeu o aposentado Genival Inácio da Silva, conhecido como Vavá, o irmão lobista de Lula. Assunto: transporte marítimo e contêneires. Ninguém sabia, exceto Furlan, que Vavá era um expert no assunto.

 

• ENERGIA

Novas obras
A Eletrosul, que havia sido obrigada a vender suas usinas elétricas, quer voltar ao setor de geração. Associou-se à Vale do Rio Doce para disputar uma licença de construção de uma hidrelétrica de 1 bilhão de reais entre o Paraná e Santa Catarina.

 

• PECUÁRIA

Um centavo por cabeça
O governo federal mandou 400.000 reais em 2004 para que a vigilância sanitária em Mato Grosso do Sul fiscalizasse a vacinação dos 25 milhões de cabeças de gado do estado. Ou seja: um centavo por cada rês.

 

• BANCOS

Outra do carequinha
O TCU diz que os contratos do Banco do Brasil com a DNA, uma das agências de publicidade do carequinha Marcos Valério, estão recheados de irregularidades. O relatório fica pronto nos próximos dias.

 

• EDUCAÇÃO

No Sul é mais caro
A cidade com as faculdades mais caras do país é Porto Alegre, é o que mostra um estudo da Ideal Invest, que capta recursos para universidades privadas. Logo em seguida vêm São Paulo e Belo Horizonte.  

O céu de cada um
Serra voltará a construir em São Paulo os CEUs, que se tornaram a marca da gestão de Marta Suplicy. Mas a única semelhança entre os CEUs das duas prefeituras é o nome. Serra quer fazer mais escolas, mas de tamanho menor.

 

• FUTEBOL

Até na passagem
As investigações sobre a máfia do apito revelaram que dezoito juízes ganhavam uns trocados também com passagens aéreas. Compravam bilhetes com desconto, mas apresentavam outros com tarifa cheia ao pedir ressarcimento à CBF.

 

Dossiê "reforma do gabinete"

Cid Barbosa/AP
BC em Fortaleza: dinheiro foi para a sala do chefe


O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, ficou tão preocupado com a repercussão do assalto à gerência do Banco Central de Fortaleza que decidiu demitir ao menos um funcionário de escalão superior da instituição. Desistiu ao descobrir que funcionários da área administrativa elaboram um dossiê que mostra que a diretoria do BC sabia dos problemas de segurança, mas não tomou providências. Um dos documentos relata as necessidades de investimento em segurança nas unidades regionais do BC. Outro, elaborado pela gerência de Fortaleza, descreve os riscos que sua unidade corria. Um terceiro mostra que parte do dinheiro reservado a obras no BC foi usada para reformar o gabinete da presidência da instituição, em Brasília. Meirelles nega que pretendesse fazer demissões.

 

Colaboraram Fábio Portela, Marcelo Carneiro, Otávio Cabral e Thaís Oyama

 

 

Fotos Sergio Dutti/Nilton Fukuda/AE/Guto Costa/Ag. O Globo

 
 
 
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