Edição 1929 . 2 de novembro de 2005

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Cinema
Na tela, com afeto

Tudo Acontece em Elizabethtown
vence pela simpatia do diretor
Cameron Crowe


Isabela Boscov

Divulgação
Bloom e Kirsten: se não fosse a perspicácia das mulheres...


Drew (Orlando Bloom) acaba de perder 972 milhões de dólares para sua empresa. É natural que perca o emprego – e, no ambiente em que vive, também a namorada. Prestes a se suicidar, ele recebe um telefonema da irmã: terá de interromper seus planos para cuidar do enterro do pai, que morreu durante uma visita à família, no interior do Kentucky. Inspirado num evento semelhante de sua própria vida, o diretor Cameron Crowe defende em Tudo Acontece em Elizabethtown (Elizabethtown, Estados Unidos, 2005), que estréia nesta sexta-feira no país, que o fiasco pode ser uma bênção. Os caminhos pelos quais essa transmutação acontece têm, aqui, uma relação direta com aqueles que Drew vai percorrer no Sul americano, das várias vezes em que se perde nas estradas da região ao encontro com os parentes excêntricos e, principalmente, com a aeromoça Claire (Kirsten Dunst). Drew, na visão de Crowe, é um homem transplantado muito cedo para um outro mundo e ignorante de suas origens. Conhecendo-as na pior das ocasiões, a morte do pai, terá a chance de apreciar o que de melhor elas têm a oferecer.

Cameron Crowe é um sujeito afetuoso, e que invariavelmente imprime essa qualidade a seus trabalhos. Por razões insondáveis, a crítica americana implicou com tudo em Elizabethtown, da trilha sonora (sempre um dos pontos fortes do diretor) à atuação de Bloom, até destroçar o filme por completo. É fato que ele tem um trecho irritante e perfeitamente dispensável, no qual Susan Sarandon (interpretando, como sempre nos últimos tempos, uma versão mal-e-mal modificada de Susan Sarandon) ganha o coração da caipirada com seu humor negro de viúva. Mas Crowe sabe filmar, escreve bons diálogos e tem uma crença muito elogiosa na perspicácia das mulheres. Elizabethtown está longe de se comparar ao seu também autobiográfico Quase Famosos, mas passa longe do desastre que se anunciou para ele.

 
 
 
 
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