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Automóveis Cura
para os beberrões Já existe
tecnologia para produzir carros que gastem 50% menos combustível sem
sacrificar a potência e a velocidade
 Rafael
Corrêa
Devido
à alta no preço do petróleo, a construção de
carros mais econômicos, que gastem menos combustível, está
se convertendo em questão de vida ou morte para os fabricantes. Até
nos Estados Unidos, paraíso dos carrões perdulários, os consumidores
já não estão dispostos a gastar cada vez mais dinheiro para
encher o tanque. Em setembro, a participação dos carros compactos
no mercado americano de veículos novos passou de 14,5% para 17%, enquanto
as vendas de utilitários esportivos, jipões e picapes, possantes
e gastadores de combustível, passaram de 5,8% para 3,8%. O desafio colocado
para a indústria pode ser resumido numa pergunta: como produzir carros
mais econômicos sem sacrificar conforto, robustez, potência e velocidade?
A resposta pode estar num projeto
recém-apresentado por uma associação de cientistas americanos,
a Union of Concerned Scientists (união dos cientistas preocupados, em inglês).
A sugestão não envolve idéias mirabolantes ou tecnologias
que exijam pesados investimentos e anos de pesquisas. Ao contrário, o projeto
reúne num veículo do tipo utilitário esportivo uma série
de equipamentos e recursos já conhecidos pelas fábricas, mas que
são pouco utilizados. O carro montado por esses cientistas com peças
e equipamentos já existentes gastaria metade da gasolina queimada por modelos
equivalentes e não custaria muito mais por isso.
Materiais mais leves Qualquer diminuição
no peso de um carro gera uma economia significativa de combustível. É
possível substituir um grande número de peças de aço
e ferro fundido por outras de alumínio, magnésio e plástico,
bem mais leves. Protótipos feitos com peças de alumínio apresentaram
uma redução de 40% no peso do veículo. Como o alumínio
custa mais caro que o aço, uma opção seria utilizá-lo
em estruturas mais pesadas do carro, como o motor e a caixa de transmissão.
O uso do plástico poderia ser ampliado nos pára-choques e na tampa
do porta-malas. Pneus com
sensores de pressão Muita gente não se dá conta
de que os pneus têm um papel importante na economia de combustível.
Rodar com pneus descalibrados acarreta um aumento de consumo estimado em média
em 3%. Sensores de pressão, que avisam quando o pneu está vazio,
são uma solução simples e útil para motoristas desatentos.
Design aerodinâmico
De acordo com o estudo, não é difícil reduzir
em 10% a 25% o coeficiente aerodinâmico (índice que mede o atrito
do carro com o ar) dos utilitários esportivos. Como o design é uma
das etapas mais caras do projeto de um carro, a implementação de
pequenas mudanças pode ser a solução mais conveniente. A
parte de baixo do veículo, que fica junto ao solo, pode ser redesenhada
para ficar mais plana, sem tantas peças protuberantes que ofereçam
resistência ao ar. Outro recurso é a substituição dos
espelhos retrovisores por câmeras com visores embutidos no painel. Esses
dois aperfeiçoamentos no design podem contribuir para uma economia de combustível
de até 6%. Motor inteligente
Mesmo após mais de um século de evolução
tecnológica, grande parte dos motores ainda aproveita apenas 30% da energia
produzida pela queima do combustível. Novos motores, já disponíveis,
contam com mais de uma válvula (peça que permite a entrada da mistura
de ar e combustível) por cilindro. Quanto maior o número de válvulas,
mais eficiente é a ação da mistura, resultando em mais potência
com menos combustível. Nesse tipo de motor, um sistema computadorizado
monitora e controla o funcionamento das válvulas para que não entre
combustível a mais ou a menos no cilindro. O motor também conta
com um sistema que desativa parte dos cilindros quando o carro se encontra em
situações que demandem pouca potência, como uma estrada. Óleo
de baixa viscosidade e peças que oferecem pouco atrito completam o conjunto,
gerando uma economia de até 13%. Starter
generator Estima-se que nas grandes cidades os motoristas gastem entre
10% e 15% do combustível do tanque em situações de trânsito
lento. É inútil desligar o motor em engarrafamentos porque esse
recurso não gera economia. Por meio de módulos eletrônicos,
o sistema starter generator desliga o motor quando o carro está parado
e ativa-o automaticamente quando o motorista acelera, sem que ele precise girar
a chave da ignição novamente. A peça responsável por
religar o carro é um alternador reversível, combinação
do alternador e do motor de arranque tradicionais, que vai acoplado diretamente
ao motor. Câmbio de
seis marchas Adicionar mais marchas à caixa de transmissão
é uma forma barata e relativamente simples de diminuir o consumo. A marcha
adicional faz com que o motor trabalhe de maneira mais eficiente em alta velocidade.
Uma opção um pouco mais cara é o câmbio automático
continuamente variável. Esse mecanismo possui um número infinito
de marchas, o que possibilita ao motor trabalhar sempre no ponto ideal. |