Edição 1929 . 2 de novembro de 2005

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Automóveis
Cura para os beberrões

Já existe tecnologia para produzir carros
que gastem 50% menos combustível sem
sacrificar a potência e a velocidade


Rafael Corrêa


NESTA REPORTAGEM
Quadro: O carro supereconômico

Devido à alta no preço do petróleo, a construção de carros mais econômicos, que gastem menos combustível, está se convertendo em questão de vida ou morte para os fabricantes. Até nos Estados Unidos, paraíso dos carrões perdulários, os consumidores já não estão dispostos a gastar cada vez mais dinheiro para encher o tanque. Em setembro, a participação dos carros compactos no mercado americano de veículos novos passou de 14,5% para 17%, enquanto as vendas de utilitários esportivos, jipões e picapes, possantes e gastadores de combustível, passaram de 5,8% para 3,8%. O desafio colocado para a indústria pode ser resumido numa pergunta: como produzir carros mais econômicos sem sacrificar conforto, robustez, potência e velocidade?

A resposta pode estar num projeto recém-apresentado por uma associação de cientistas americanos, a Union of Concerned Scientists (união dos cientistas preocupados, em inglês). A sugestão não envolve idéias mirabolantes ou tecnologias que exijam pesados investimentos e anos de pesquisas. Ao contrário, o projeto reúne num veículo do tipo utilitário esportivo uma série de equipamentos e recursos já conhecidos pelas fábricas, mas que são pouco utilizados. O carro montado por esses cientistas com peças e equipamentos já existentes gastaria metade da gasolina queimada por modelos equivalentes e não custaria muito mais por isso.

Materiais mais leves – Qualquer diminuição no peso de um carro gera uma economia significativa de combustível. É possível substituir um grande número de peças de aço e ferro fundido por outras de alumínio, magnésio e plástico, bem mais leves. Protótipos feitos com peças de alumínio apresentaram uma redução de 40% no peso do veículo. Como o alumínio custa mais caro que o aço, uma opção seria utilizá-lo em estruturas mais pesadas do carro, como o motor e a caixa de transmissão. O uso do plástico poderia ser ampliado nos pára-choques e na tampa do porta-malas.  

Pneus com sensores de pressão – Muita gente não se dá conta de que os pneus têm um papel importante na economia de combustível. Rodar com pneus descalibrados acarreta um aumento de consumo estimado em média em 3%. Sensores de pressão, que avisam quando o pneu está vazio, são uma solução simples e útil para motoristas desatentos.  

Design aerodinâmico – De acordo com o estudo, não é difícil reduzir em 10% a 25% o coeficiente aerodinâmico (índice que mede o atrito do carro com o ar) dos utilitários esportivos. Como o design é uma das etapas mais caras do projeto de um carro, a implementação de pequenas mudanças pode ser a solução mais conveniente. A parte de baixo do veículo, que fica junto ao solo, pode ser redesenhada para ficar mais plana, sem tantas peças protuberantes que ofereçam resistência ao ar. Outro recurso é a substituição dos espelhos retrovisores por câmeras com visores embutidos no painel. Esses dois aperfeiçoamentos no design podem contribuir para uma economia de combustível de até 6%.

Motor inteligente – Mesmo após mais de um século de evolução tecnológica, grande parte dos motores ainda aproveita apenas 30% da energia produzida pela queima do combustível. Novos motores, já disponíveis, contam com mais de uma válvula (peça que permite a entrada da mistura de ar e combustível) por cilindro. Quanto maior o número de válvulas, mais eficiente é a ação da mistura, resultando em mais potência com menos combustível. Nesse tipo de motor, um sistema computadorizado monitora e controla o funcionamento das válvulas para que não entre combustível a mais ou a menos no cilindro. O motor também conta com um sistema que desativa parte dos cilindros quando o carro se encontra em situações que demandem pouca potência, como uma estrada. Óleo de baixa viscosidade e peças que oferecem pouco atrito completam o conjunto, gerando uma economia de até 13%.  

Starter generator – Estima-se que nas grandes cidades os motoristas gastem entre 10% e 15% do combustível do tanque em situações de trânsito lento. É inútil desligar o motor em engarrafamentos porque esse recurso não gera economia. Por meio de módulos eletrônicos, o sistema starter generator desliga o motor quando o carro está parado e ativa-o automaticamente quando o motorista acelera, sem que ele precise girar a chave da ignição novamente. A peça responsável por religar o carro é um alternador reversível, combinação do alternador e do motor de arranque tradicionais, que vai acoplado diretamente ao motor.  

Câmbio de seis marchas – Adicionar mais marchas à caixa de transmissão é uma forma barata e relativamente simples de diminuir o consumo. A marcha adicional faz com que o motor trabalhe de maneira mais eficiente em alta velocidade. Uma opção um pouco mais cara é o câmbio automático continuamente variável. Esse mecanismo possui um número infinito de marchas, o que possibilita ao motor trabalhar sempre no ponto ideal.

 
 
 
 
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