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Saúde Para
driblar o sono Pesquisas mostram que
exercícios físicos ajudam a manter alerta quem dorme pouco
 Tiago
Cordeiro
Theo
Ribeiro/Vipcomm
 | | Cammarota
em ação no Ecomotion: apenas quatro horas de sono em cinco dias |
Quem trabalha até tarde ou tem o hábito de dormir pouco à
noite sabe como é difícil driblar aquela sonolência que chega
aos poucos e fecha as pálpebras quando menos se espera. Segundo uma pesquisa
recém-concluída pela Universidade Federal de São Paulo, a
melhor receita para combater o sono fora de hora é levar uma vida atlética,
ou seja, agregar os exercícios físicos à rotina diária.
A pesquisa, coordenada pela especialista em psicobiologia Hanna Karen Antunes,
do Instituto do Sono da Unifesp, dividiu-se em duas partes. Na primeira, foram
monitoradas as reações físicas de um grupo de atletas que
participou das três últimas edições do Ecomotion, a
maior prova de esportes de aventura da América Latina. Nessa competição,
os atletas costumam dormir apenas quatro horas durante os cinco dias de provas.
Na segunda etapa da pesquisa, foi
montado um laboratório no qual dois grupos, um formado por atletas e o
outro por pessoas sedentárias, permaneceram durante dez dias sem dormir.
Os atletas fizeram seus exercícios físicos normalmente, enquanto
os sedentários só podiam ler, ver televisão e jogar videogame.
O resultado foi espantoso: além de terem muito mais dificuldade para se
manter acordados, os sedentários se tornaram irritadiços e, às
vezes, não conseguiam se movimentar sem esbarrar em paredes e portas. Já
os atletas, além de alertas, mostraram-se mais capazes de memorizar ordens,
manter a atenção durante uma conversa e deslocar-se pelo laboratório.
Os pesquisadores acreditam que o aumento
da produção de endorfina, provocado pelos exercícios, seja
responsável por manter o cérebro mais atento. "Nossa equipe treina
oito horas por dia. Esse preparo físico é fundamental para resistir
tanto tempo sem dormir", diz o engenheiro florestal Monclair Cammarota, integrante
da equipe brasileira mais bem colocada no Ecomotion deste ano. "A atividade física
protege o organismo dos efeitos da falta de sono. Essa lição serve
para todas as profissões que fazem turnos de trabalho longos, como os médicos,
os policiais e os motoristas de ônibus", explica Hanna Karen Antunes.
A pesquisa confirma outro estudo feito anteriormente pelo Instituto do Sono da
Unifesp. Nele, acompanhou-se a jornada de trabalho de 400 motoristas de ônibus
do Brasil inteiro. Conclusão: aqueles que fazem exercícios físicos
são bem menos propensos a cochilar no meio da estrada. No percurso entre
São Paulo e Belo Horizonte, os motoristas sedentários cochilaram
em média oito vezes, contra apenas três dos colegas que faziam ginástica.
"O ideal seria que os motoristas aproveitassem as paradas no meio da viagem para
fazer rápidas sessões de exercício. Dessa forma, evitariam
a sonolência", diz o médico Marco Túlio de Mello, responsável
pelo estudo. |