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Brasil Campanha
de Lula recebeu dinheiro de Cuba
Os dólares, acondicionados em caixas de bebida, andaram por Brasília
e Campinas até chegar ao comitê eleitoral de Lula em São
Paulo. Dois ex-auxiliares do ministro Palocci confirmaram a história
a VEJA. São eles: Rogério Buratti e Vladimir Poleto, que
transportou o dinheiro de Brasília a Campinas a bordo de um avião
Seneca  Policarpo
Junior
Bruno
Domingos/Reuters
 | | Lula:
ninguém no partido do presidente nega que havia caixa dois, mas agora há
sinal de onde pode ter vindo o dinheiro |
A
grande interrogação ainda não respondida sobre o escândalo
que flagrou o governo e o PT num enorme esquema de corrupção é
a seguinte: afinal, de onde veio o dinheiro que abasteceu o caixa dois do partido?
Essa é a pergunta que intriga as comissões parlamentares de inquérito
e as investigações policiais. Pode ser que os recursos clandestinos
do PT tenham vindo de uma única fonte, mas o mais provável, dada
a fartura do dinheiro, é que tenham origem em várias fontes. Uma
investigação de VEJA, iniciada há quatro semanas, indica
que uma das fontes foi Cuba. Sim, a ilha de Fidel Castro, onde o dinheiro é
escasso até para colocar porta ou filtro de água nas escolas, despachou
uma montanha de dólares para ajudar na campanha presidencial de Luiz Inácio
Lula da Silva. A apuração de VEJA descobriu que:
• Entre agosto e setembro de 2002, o comitê eleitoral
de Lula recebeu 3 milhões de dólares vindos de Cuba. Ao chegar a
Brasília, por meios que VEJA não conseguiu identificar, o dinheiro
ficou sob os cuidados de Sérgio Cervantes, um cubano que já serviu
como diplomata de seu país no Rio de Janeiro e em Brasília.
• De Brasília, o dinheiro foi levado para Campinas,
a bordo de um avião Seneca, acondicionado em três caixas de bebida.
Eram duas caixas de uísque Johnnie Walker, uma do tipo Red Label e outra
de Black Label, e uma terceira caixa de rum cubano, o Havana Club. Quem levou
o dinheiro foi Vladimir Poleto, um economista e ex-auxiliar de Antonio Palocci
na prefeitura de Ribeirão Preto. •
Em Campinas, o dinheiro foi apanhado no Aeroporto de Viracopos por Ralf Barquete,
também ex-auxiliar de Palocci em Ribeirão Preto. Barquete chegou
a bordo de um automóvel Omega preto, blindado, dirigido por Éder
Eustáquio Soares Macedo. De Viracopos, o carro foi para São Paulo,
para deixar as caixas no comitê de Lula na Vila Mariana, Zona Sul da capital
paulista, aos cuidados do então tesoureiro Delúbio Soares.
Nelio Rodrigues/1º Plano
 | "FUI
CONSULTADO POR RALF BARQUETE, A PEDIDO DO PALOCCI, SOBRE COMO FAZER PARA TRAZER
3 MILHÕES DE DÓLARES DE CUBA.
DISSE QUE PODERIA SER ATRAVÉS DE DOLEIROS. SEI QUE O DINHEIRO VEIO, MAS
NÃO SEI COMO." ROGÉRIO
BURATTI, advogado, ex-assessor de Antonio Palocci, ao confirmar a existência
da operação | |
A história acima, resumida em três tópicos, foi confirmada
a VEJA por duas fontes altamente relevantes, dado o pleno acesso que tiveram aos
detalhes do caso. A primeira foi o advogado Rogério Buratti, que também
trabalhou na prefeitura de Ribeirão Preto na gestão de Palocci.
Procurado por VEJA no dia 20 de outubro, uma quinta-feira, Buratti recebeu a revista
no restaurante do hotel San Diego, em Belo Horizonte. A entrevista durou duas
horas e meia. Reticente, Buratti não queria falar sobre o assunto, mas
não se furtou a confirmar o que sabia. "Fui consultado por Ralf Barquete,
a pedido do Palocci, sobre como fazer para trazer 3 milhões de dólares
de Cuba", disse Buratti. Segundo ele, a consulta sobre a transação
cubana ocorreu durante um encontro dos dois no Tennis Park, um clube de Ribeirão
Preto onde Buratti e Barquete costumavam jogar tênis pela manhã.
Buratti sugeriu internar o dinheiro cubano pela via que lhe parecia mais fácil.
"Disse que poderia ser através de doleiros." O advogado relata que, depois
disso, não teve mais contato com o assunto, mas dias depois foi informado
de seu desfecho. "Sei que o dinheiro veio, mas não sei como." As declarações
de Buratti foram gravadas com seu consentimento. VEJA relatou ao ministro Palocci
a história contada à revista pelos seus ex-auxiliares. O comentário
do ministro: "Nunca ouvi falar nada sobre isso. Pelo que estou ouvindo agora,
me parece algo muito fantasioso".
A outra confirmação veio de uma fonte ainda mais qualificada, já
que teve participação direta na Operação Cuba: o economista
Vladimir Poleto, que hoje trabalha como consultor de empresas. Poleto recebeu
VEJA no dia 21 de outubro, uma sexta-feira, no bar do hotel Plaza Inn, em Ribeirão
Preto. A conversa estendeu-se das 10 da noite até as 3 da madrugada. Poleto,
apesar da longa duração do contato, ficou assustado a maior parte
do tempo. "Essa história pode derrubar o governo", disse ele mais de uma
vez, sempre passando as mãos pela cabeça, em sinal de nervosismo
e preocupação. No decorrer da entrevista, no entanto, Poleto confessou
que ele mesmo transportou o dinheiro de Brasília a Campinas, voando como
passageiro em um aparelho Seneca em que estavam apenas o piloto e ele. Fez questão
de ressalvar que, na ocasião, não sabia que levava dinheiro. Achava
que era bebida. "Eu peguei um avião de Brasília com destino a São
Paulo com três caixas de bebida", disse. "Depois do acontecimento, fiquei
sabendo que tinha dinheiro dentro de uma das caixas", completou, acrescentando:
"Quem me disse isso foi Ralf Barquete. O valor era 1,4 milhão de dólares".
Luludi/Ag. Luz
 | "EU
PEGUEI UM AVIÃO DE BRASÍLIA COM DESTINO A SÃO PAULO COM TRÊS
CAIXAS DE BEBIDA. DEPOIS DO ACONTECIMENTO, FIQUEI SABENDO QUE TINHA DINHEIRO DENTRO
DE UMA DAS CAIXAS. QUEM ME DISSE ISSO FOI RALF BARQUETE. O VALOR ERA 1,4
MILHÃO DE DÓLARES." VLADIMIR
POLETO, ao admitir sua participação no transporte do dinheiro
cubano para a campanha | |
Poleto conta que, quando recebeu a missão de pegar o dinheiro cubano, foi
orientado a ir ao Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. Ali, embarcou no
Seneca, emprestado por Roberto Colnaghi, um empresário amigo de Palocci
e um dos maiores fabricantes de equipamentos para irrigação agrícola
do país. O avião decolou cedo de Congonhas, por volta das 6 e meia
da manhã, e pousou em Brasília em torno das 10 horas. Ao contrário
do que fora combinado, não havia nenhum carro à espera de Poleto
no aeroporto da capital federal. Lá pelas 11 da manhã, chegou uma
van. Depois de embarcar nela, Poleto foi levado a um apartamento em Brasília,
de cujo endereço não se recorda. Foi recebido por um cubano, negro
e alto, que lhe entregou as três caixas de "bebida", lacradas com fitas
adesivas. "Lembro que era um apartamento simples", diz. De volta ao aeroporto
de Brasília, as caixas foram embarcadas no Seneca e iniciou-se a viagem
de regresso, que, por causa do mau tempo, terminou no Aeroporto de Viracopos,
em Campinas, e não em Congonhas.
Por celular, Poleto avisou o amigo Barquete da alteração de aeroporto
e foi orientado a não desgrudar das caixas. Por volta das 7 da noite, Barquete,
que vinha de Congonhas, chegou a Viracopos. Estava em um Omega preto, dirigido
por Éder Eustáquio Soares Macedo, que hoje trabalha como motorista
da representação do Ministério da Fazenda no Rio de Janeiro.
O motorista ajudou a colocar as caixas no porta-malas e dirigiu o carro até
São Paulo, onde o material foi entregue a Delúbio Soares. "Nunca
recebi dinheiro de Ralf Barquete", mandou dizer o ex-tesoureiro do PT. Na semana
passada, Éder Macedo confirmou a expedição a VEJA. "Não
me lembro do dia em que isso aconteceu, mas aconteceu", disse. Por alguma razão
Éder Macedo, pouco depois dessa confirmação, entendeu que
não deveria falar do assunto e não atendeu mais os telefonemas de
VEJA, impedindo assim que a revista pudesse confirmar com ele outros detalhes.
O Omega fora alugado pelo comitê eleitoral do PT. O dono da locadora chama-se
Roberto Carlos Kurzweil, outro empresário de Ribeirão Preto. Kurzweil
confirmou a VEJA que cedeu os serviços de Éder Macedo, então
seu motorista, para o PT. Ana
Nascimento/ABR
 | | Cervantes,
o cubano das missões especiais, despede-se de Lula e Dirceu, em março de 2003:
de volta para Havana |
Um
petista que pediu para que sua identidade não fosse revelada contou a VEJA
que, da parte do governo de Cuba, quem tomou conta da operação foi
Sérgio Cervantes. Ele é cubano, negro e alto, conferindo com a descrição
que Poleto faz do sujeito que lhe entregou as três caixas de "bebida" em
Brasília. Cervantes morou em um modesto apartamento na capital federal,
localizado na Asa Sul, pelo menos até 2003, quando deixou o posto de conselheiro
político da embaixada cubana no Brasil. Cervantes é, de fato, o
homem das operações delicadas. Foi a primeira autoridade cubana
a se encontrar com um funcionário do governo brasileiro para tratar do
reatamento das relações diplomáticas entre Brasil e Cuba,
que foi, afinal, consumado em 14 de junho de 1986. "Em Cuba, quem trata desse
tipo de missão, assim como acontecia na URSS e países comunistas,
são espiões. Cervantes é agente do Ministério do Interior",
diz um diplomata brasileiro que o conhece pessoalmente. Cervantes também
foi cônsul de Cuba no Rio de Janeiro. É íntimo dos petistas.
Em março de 2003, quando deixou
o cargo na embaixada, Cervantes, que é amigo de Fidel Castro e dirigente
do Partido Comunista de Cuba, fez questão de dar um abraço fraternal
de despedida no presidente Lula e no então ministro José Dirceu.
A cena foi fotografada e a imagem está publicada nesta página. Cervantes
conheceu Lula ainda nos tempos de movimento sindical, no ABC paulista. Tornou-se
também grande amigo de José Dirceu. Eles se conheceram ainda no
fim da década de 60, quando Dirceu esteve exilado na ilha, e nunca mais
perderam contato. Cervantes é quem costuma recepcionar Dirceu em suas visitas
à ilha. Em julho do ano passado, por exemplo, quando o então ministro
da Casa Civil passou uma semana de descanso em Cuba, Cervantes foi recebê-lo
no aeroporto e levou-o para um encontro com Fidel Castro. Em retribuição,
o agente cubano ganhou uma caixa com peças de reposição de
automóvel, produto escassíssimo em Cuba. Cervantes nega que tenha
havido ajuda financeira de Cuba para Lula. "Cuba está é precisando
de dinheiro. Como é que pode mandar?", disse. "Isso não é
verdade."  |  | O
empresário Roberto Colnaghi, dono do Seneca que transportou os dólares
cubanos e sócio de um Citation (à dir.) usado por Antonio
Palocci durante a campanha presidencial de Lula |
A
investigação de VEJA, associada às confirmações
de duas testemunhas, compõe um quadro sólido a respeito da operação
do dinheiro cubano, mas há um ponto que merece reflexão. Buratti
e Poleto apresentam depoimentos fortes e comprometedores, mas embasam-nos no que
ouviram falar de Ralf Barquete uma testemunha que não pode mais
ser ouvida. Em 8 de junho de 2004, Barquete morreu vítima de câncer,
aos 51 anos. Seria possível que Buratti e Poleto estivessem sustentando
uma história falsa com base num morto, apenas porque não pode contestá-la?
No submundo do dinheiro clandestino e das operações secretas, quase
tudo é possível e seria leviano descartar liminarmente a hipótese
de que a grande vítima fosse o morto. Os contornos dos fatos e os detalhes
dos perfis dos envolvidos, porém, mostram que nem Buratti nem Poleto estão
combinados em uma armação. A começar pelo fato de que, entrevistados
por VEJA em dias, locais e cidades distintas, contam ambos uma história
semelhante, mas não idêntica. Buratti diz que soube que Cuba mandou
3 milhões de dólares. Poleto, 1,4 milhão.
É improvável que numa versão montada
haja divergência sobre um detalhe tão central, mas há outro
dado mais relevante o de que Vladimir Poleto, depois de dizer tudo o que
disse a VEJA, mudou de idéia. Ele despachou um e-mail para a revista pedindo
para que não se fizesse "uso do conteúdo" da conversa. Ali, sugere
que não autorizou a gravação do diálogo e dá
a entender que, diante de "diversos copos de chope", pode ter caído involuntariamente
no "exacerbamento de posicionamentos". VEJA respondeu o e-mail, indagando as razões
que o teriam levado a uma mudança tão radical de postura, mas Poleto
não respondeu. Por essa razão, a revista mantém, no corpo
desta reportagem, os termos do acordo selado com o entrevistado, que autorizou
a publicação do conteúdo da conversa e a revelação
de sua identidade. Houve, inclusive, uma gravação da entrevista,
também devidamente autorizada por Poleto. A gravação, com
sete minutos de duração, resume, na voz dele, os trechos mais importantes
das revelações que fez em cinco horas de conversa no Plaza Inn.
A tentativa de recuo de Poleto é uma expressão do peso da verdade.
O aspecto mais decisivo da
sinceridade com que Buratti e Poleto falaram de Barquete talvez seja o fato de
que ambos têm profundo respeito pela memória do amigo falecido. Os
três foram amigos íntimos até a morte de Barquete. As famílias
se conheciam e se visitavam. Poleto, até hoje, é um amigo muito
próximo do irmão de Barquete, Ruy Barquete, que trabalha na Procomp,
uma grande fornecedora de terminais de loteria para a Caixa Econômica Federal.
Até a viúva de Barquete, Sueli Ribas Santos, já comentou
o assunto. Foi em um período em que se encontrava magoada com o PT por
entender que seu falecido marido estava sendo crucificado. Buratti denunciara
que o então prefeito Palocci recebia um mensalão de 50.000 reais
de uma empresa de recolhimento de lixo e quem pegava o dinheiro era o secretário
da Fazenda, Ralf Barquete. A viúva desabafou: "Eles pegavam dinheiro até
de Cuba!" O desabafo foi feito para um empresário de Ribeirão Preto,
Chaim Zaher, dono de uma escola e de uma faculdade, além de uma emissora
de rádio. Zaher não foi encontrado por VEJA para falar do assunto.
A viúva, que já não tem mágoa do PT, nega.
A amizade entre Barquete, Buratti e Poleto prosseguiu em Brasília, com
a posse do governo do PT. Eles todos costumavam freqüentar uma mesma casa,
alugada num bairro nobre de Brasília, na qual discutiam eventuais negócios
que poderiam ser feitos tendo como gancho a influência que tinham junto
ao ministro da Fazenda. O próprio Palocci freqüentou a casa, à
qual os amigos chamavam de "central de negócios". A casa foi alugada por
Poleto, que pagou adiantado e em dinheiro vivo os primeiros meses de aluguel.
Foram 60.000 reais. "Era para ser uma espécie de ponto de referência
para quem quisesse fazer negócios em Brasília", diz Poleto. O grupo
de amigos de Ribeirão Preto que ia à casa era mais amplo. Incluía
o empresário Roberto Colnaghi, o dono do Seneca que voou com os dólares
cubanos. E não só: Colnaghi também é um dos sócios
do jato Citation, prefixo PT-XAC, que ficava à disposição
de Palocci durante a campanha de Lula. A casa era freqüentada ainda por Roberto
Kurzweil, o dono do Omega blindado em que Barquete transportou os dólares
cubanos. Kurzweil também era dono do blindado usado pelo então tesoureiro
Delúbio Soares.
Claudia Daut/Reuters
 | | O
ex-ministro Dirceu com o ainda ditador Fidel Castro: em julho de 2004, visita
promovida por Cervantes |
De
Cuba, sabe-se que não sai dinheiro privado, pelo menos não em quantidades
expressivas. Não há um empresário privado altamente bem-sucedido
que possa se interessar em despachar recursos para o PT, ou mesmo uma ONG
política, humanitária, ecológica, o que fosse que,
clandestinamente, pudesse querer ajudar os petistas na sua empreitada para governar
o Brasil. Por essa razão, é lícito supor que o dinheiro que
chegou ao caixa dois do PT deve ter saído apenas de dois lugares que, no
fundo, constituem um só: os cofres do governo cubano ou os cofres do único
partido político legalmente organizado, o Partido Comunista Cubano. Isso
significa dizer que o Estado cubano, com sua contribuição financeira,
seja ela de 3 milhões de dólares, seja de 1,4 milhão, procurou
interferir nos rumos da política brasileira. Na história da humanidade,
são inúmeros os casos em que um governo estrangeiro tenta influir
nos destinos de outro. Mas quem cedeu aos encantos de Cuba cometeu um crime. E
grave.
A Lei 9096, aprovada em 1995,
informa que é proibido um partido político receber recursos do exterior.
Se isso ocorre, o partido fica sujeito ao cancelamento de seu registro na Justiça
Eleitoral. Ou seja: o partido precisa fechar as portas. O candidato desse partido
o presidente Lula, no caso não pode ser legalmente responsabilizado
por nada, já que sua diplomação como eleito aconteceu há
muito tempo. O recebimento de dinheiro estrangeiro, porém, não se
resume a esse quadro simples. "Isso é a coisa mais grave que existe", diz
o professor Walter Costa Porto, especialista em direito eleitoral e ex-ministro
do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). "É tão grave, mas tão
grave, que é a primeira das quatro situações previstas na
lei para cassar o registro de um partido político. Isso é um atentado
à soberania do país. É letal", comenta o ex-ministro. Caso
as investigações oficiais confirmem que o PT recebeu dinheiro de
Cuba, e o partido venha a ter o registro cancelado, o cenário político
brasileiro será varrido por um Katrina: isso porque os petistas, sem partido,
não poderiam se candidatar na eleição de 2006. Nem o presidente
Luiz Inácio Lula da Silva. Com
reportagem de Alexandre Oltramari, de Brasília;
Antonio Ribeiro, de Paris; Daniela Pinheiro, de Ribeirão
Preto; e Ronaldo Soares, do Rio de Janeiro |