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Carta ao leitor Os
dólares de Fidel  | | A
capa de VEJA sobre as Farc e a abertura da reportagem desta semana |
Em março passado, VEJA publicou uma reportagem de capa, com o título
"Laços explosivos", que trazia uma denúncia grave. Dizia que nos
arquivos do serviço secreto brasileiro, a Abin, havia documentos sobre
uma investigação feita pela agência a respeito da suspeita
de uma doação de 5 milhões de dólares das Farc à
campanha do PT em 2002. O principal documento dava conta de que o padre Olivério
Medina, que então atuava como uma espécie de embaixador das Farc
no Brasil, anunciara, durante uma reunião político-festiva de petistas
nos arredores de Brasília, que a guerrilha colombiana faria a doação
milionária. A publicação da
reportagem foi seguida dos desmentidos de praxe. Felizmente, seguiu-se também
uma investigação feita por um comitê do Senado Federal. Durante
esse processo, a direção da Abin confirmou a existência do
principal documento noticiado por VEJA. Dois agentes confirmaram o teor da reportagem
de VEJA. Um deles, o coronel Eduardo Ferreira, deu mais detalhes. Ele disse que
nos arquivos da agência havia documentos bancários mostrando que
parte dos 5 milhões de dólares foi efetivamente internada no Brasil.
O padre Olivério Medina foi preso pela Polícia Federal e aguarda
no xadrez julgamento sobre pedido de extradição feito pelo governo
da Colômbia. Apesar de produzir provas, a investigação acabou
inexplicavelmente engavetada. Ao engavetar o assunto,
o Senado talvez tenha perdido uma excelente oportunidade de descobrir a origem
da dinheirama que abasteceu os cofres clandestinos do partido do governo. Na presente
edição, VEJA revela outra fonte externa de dinheiro da campanha
do PT em 2002. A origem dos recursos agora é Cuba, e as evidências
são ainda mais convincentes do que as documentadas pela Abin no caso das
Farc. Duas testemunhas diretamente envolvidas na operação cubana
de financiamento clandestino narraram os fatos ao jornalista Policarpo Junior.
A reportagem sobre como 1,4 milhão de dólares enviados pelo regime
de Fidel Castro chegaram às mãos do comitê de eleição
de Lula começa na página
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