Edição 1929 . 2 de novembro de 2005

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Carta ao leitor
Os dólares de Fidel

 
A capa de VEJA sobre as Farc e a abertura da reportagem desta semana

Em março passado, VEJA publicou uma reportagem de capa, com o título "Laços explosivos", que trazia uma denúncia grave. Dizia que nos arquivos do serviço secreto brasileiro, a Abin, havia documentos sobre uma investigação feita pela agência a respeito da suspeita de uma doação de 5 milhões de dólares das Farc à campanha do PT em 2002. O principal documento dava conta de que o padre Olivério Medina, que então atuava como uma espécie de embaixador das Farc no Brasil, anunciara, durante uma reunião político-festiva de petistas nos arredores de Brasília, que a guerrilha colombiana faria a doação milionária.

A publicação da reportagem foi seguida dos desmentidos de praxe. Felizmente, seguiu-se também uma investigação feita por um comitê do Senado Federal. Durante esse processo, a direção da Abin confirmou a existência do principal documento noticiado por VEJA. Dois agentes confirmaram o teor da reportagem de VEJA. Um deles, o coronel Eduardo Ferreira, deu mais detalhes. Ele disse que nos arquivos da agência havia documentos bancários mostrando que parte dos 5 milhões de dólares foi efetivamente internada no Brasil. O padre Olivério Medina foi preso pela Polícia Federal e aguarda no xadrez julgamento sobre pedido de extradição feito pelo governo da Colômbia. Apesar de produzir provas, a investigação acabou inexplicavelmente engavetada.

Ao engavetar o assunto, o Senado talvez tenha perdido uma excelente oportunidade de descobrir a origem da dinheirama que abasteceu os cofres clandestinos do partido do governo. Na presente edição, VEJA revela outra fonte externa de dinheiro da campanha do PT em 2002. A origem dos recursos agora é Cuba, e as evidências são ainda mais convincentes do que as documentadas pela Abin no caso das Farc. Duas testemunhas diretamente envolvidas na operação cubana de financiamento clandestino narraram os fatos ao jornalista Policarpo Junior. A reportagem sobre como 1,4 milhão de dólares enviados pelo regime de Fidel Castro chegaram às mãos do comitê de eleição de Lula começa na página 46.

 
 
 
 
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