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A construção de um mito

Uma nova biografia de Bob Dylan
desvenda segredos de uma das
personalidades mais enigmáticas
da cultura pop

Marcelo Marthe

 
AP
Dylan canta em manifestação nos anos 70: ele odiava militância


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Tempos atrás, um jornalista pediu ao vocalista do U2, Bono Vox, sua opinião sobre a obra de Bob Dylan. "É como falar sobre as pirâmides do Egito. O que fazer além de contemplá-las embasbacado?", disse ele. A frase define bem a importância do cantor e compositor na cultura pop. Para ficar perfeita, no entanto, seria melhor mencionar a esfinge em vez das pirâmides. Com 61 anos de idade e quarenta de carreira, o artista continua sendo uma figura enigmática sob vários aspectos. Em Dylan – A Biografia (tradução de Leila de Souza Mendes; Conrad; 472 páginas; 50 reais), o inglês Howard Sounes se propõe a decifrar essa esfinge. Seu livro sustenta que adjetivos como "idealista" e "revolucionário" não são os que melhor se aplicam ao artista. Seria mais correto trocá-los por outros, como "contraditório" ou "melancólico". Investigar o reservadíssimo Dylan não é uma tarefa fácil. Sounes escavou onde pôde: entrevistou parentes, amigos, músicos, ex-namoradas e vizinhos do artista. Com base em certidões obtidas em cartórios, até descobriu detalhes desconhecidos de sua vida conjugal.

No início de carreira, nos anos 60, Dylan passava uma imagem romântica e idealista. Influenciado pelos velhos cantores de folk e pelos poetas da geração beatnik, cultivava uma aparência de andarilho. Quem conviveu com Dylan nessa época garante que a higiene não era seu forte. Vivia de favor na casa de conhecidos e até praticava pequenos furtos. Mas Sounes mostra que ele soube calcular seus passos rumo ao sucesso. Num espaço relativamente curto de tempo, Robert Allen Zimmerman, interiorano de Minnesota, transformou-se em Bob Dylan, um ícone da contracultura. O artista sabia aproximar-se das pessoas certas. Depoimentos sugerem que seu caso com a cantora Joan Baez, já famosa quando ele despontou, teve algo a ver com suas conveniências. Dylan ganhou participação nos shows dela e pôde divulgar seu nome pelo país afora.

Sounes sugere que o papel de líder da contracultura não combinava muito com o Dylan da vida real. Embora sua música seja identificada com a luta pelos direitos civis na década de 60 – trata-se, afinal, de um dos inventores da canção de protesto –, ele preferia suas pesquisas musicais ou a leitura de poesia simbolista à militância. Segundo o livro, foi duro convencê-lo a se apresentar em várias manifestações. Certa vez, disse que a política era o "instrumento do diabo". Sua rotina passou a destoar ainda mais dessa imagem de ícone a partir de 1966. Naquele ano, Dylan, já casado e pai de família, sofreu um acidente de moto noticiado como grave. Sounes revela que o cantor não correu nenhum risco de vida, mas aproveitou a deixa para afastar-se do burburinho político. Três anos mais tarde, enquanto 300.000 hippies tomavam banho de lama no festival de Woodstock, a poucos quilômetros de sua propriedade, ele fugiu da algazarra marcando shows na Inglaterra.

Dylan, nos dias de hoje: ele tem um casamento a mais no seu currículo

Apesar de ter vivido um período de calmaria ao lado de Sara, sua primeira mulher, Dylan voltou à ativa em suas conquistas amorosas ao iniciar uma megaturnê em 1974. O divórcio foi inevitável, até porque há evidências de que Dylan chegou a agredir Sara. Mãe de quatro filhos do compositor, a ex ganhou nos tribunais metade de sua fortuna na época, estimada em 60 milhões de dólares. Já nos anos 80, Dylan teve uma filha com Carolyn Dennis, cantora de apoio de sua banda, e casou-se em segredo com ela. É um dos achados mais surpreendentes de Sounes. A relação terminou quatro anos depois e a moça, claro, também exigiu uma bela indenização.

Sounes dedica boa parte do livro a examinar como se dá a relação entre Dylan e sua música. Nesse ponto, a biografia é feita por um fã. Há detalhes sobre a forma como o astro compôs músicas como Blowin' in the Wind, concebida em minutos num café nova-iorquino. Curiosidades sobre o contato de Dylan com outros artistas também não faltam. Depois de conhecê-lo, o poeta beatnik Allen Ginsberg ficou tão fascinado que empreendeu uma ridícula tentativa de virar cantor. Também é fato que foi Dylan quem fez os Beatles se entusiasmarem com a maconha, num célebre encontro em 1964. Depois da experiência, ele estabeleceu um duradouro laço de amizade com George Harrison. O biógrafo reconhece que Dylan enfrentou uma fase crítica nos anos 80. Só voltou à boa forma em meados dos 90, ao reencontrar sua vocação: ser um garimpador do cancioneiro de seu país. Seu último disco, Love and Theft (2001), o mostra à altura de seu passado musical.

 
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