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Edição 1 771 - 2 de outubro de 2002
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O Além é aqui

Não parece, mas A Última
Profecia tem algo de real

Isabela Boscov

 
AP Photos/Screen Gens. Melissa Moseley
Gere: criaturas aladas e vozes ao telefone


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Um repórter do Washington Post (Richard Gere) perde a mulher depois de um acidente em que, ao volante, ela se assusta com uma espécie de visão. Antes de morrer, ela desenha uma enorme criatura alada e de olhos vermelhos. Dois anos depois, o viúvo está a caminho de uma cidade quando, sem saber como, vai dar em outra totalmente diferente – a pequena Point Pleasant, na Virgínia Ocidental. Descobre que muitos dos moradores têm tido experiências inexplicáveis e visões semelhantes à de sua mulher. Não pode ser alucinação, pondera a xerife (Laura Linney), já que se trata de gente normal e sensata. Logo o repórter está recebendo comunicados apavorantes pelo telefone, com predições sobre desastres. As mensagens, porém, parecem visar tanto a alertar quanto a provocar o caos – e culminam num acidente que deixa dezenas de mortos. O mais curioso em A Última Profecia (The Mothman Prophecies, Estados Unidos, 2002), que estréia nesta sexta-feira no país, não é o filme em si. É o fato de que, à parte alguns detalhes, a verdadeira Point Pleasant viveu essas ocorrências durante treze meses, entre 1966 e 1967, e de que elas foram acompanhadas por um jornalista. O diretor Mark Pellington não mostra o mesmo sangue-frio de seu filme anterior, O Suspeito da Rua Arlington, e tenta explicar o que não devia. Mas continua hábil em construir situações que estão sutilmente fora de esquadro. Com menos conversa e um ator menos mecânico do que Gere, seria um filmão.

   
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