
estasemana
colunas
seções
arquivoVEJA
 |
 |
| (conteúdo
exclusivo para assinantes VEJA ou UOL) |
 |
Crie
seu grupo

|
|
Pelo telefone
Ligação
revela que governador
do DF protege os interesses
de grileiros de terras

Policarpo
Junior
Há
alguns anos, Brasília tem sido a paisagem de um escândalo
subterrâneo a lenta, gradual e segura grilagem das terras
urbanas. Nos últimos meses, um grupo de investigadores começou
a obter sinais eloqüentes de um sintoma ainda mais nefasto: o de
que a máfia da grilagem, que chega à ousadia de ocupar terras
na vizinhança do Palácio do Planalto, teria se infiltrado
no próprio governo do Distrito Federal. Na semana passada, VEJA
obteve gravações de 45 conversas telefônicas, numa
escuta autorizada pela Justiça. O conteúdo das conversas,
que somam mais de uma hora e meia, é desolador. Mostra que a máfia
da grilagem não tem só laços com funcionários
do governo de Brasília mas com o próprio governador
Joaquim Roriz. No diálogo mais comprometedor, ouve-se o grileiro-mor
de Brasília, Pedro Passos, pedir ajuda a Roriz para que sua área
grilada não seja fiscalizada. "Pode ficar tranqüilo que vou
administrar para você isso agora", promete o governador.
Na semana
passada, mesmo antes de saber do envolvimento do governador com os grileiros,
a Ordem dos Advogados do Brasil, a exemplo do que fez no caso do Espírito
Santo, pediu ao Ministério da Justiça a criação
de uma força-tarefa para investigar a infiltração
do crime organizado nas instituições de Brasília.
Quem ouve o diálogo entre Joaquim Roriz e Pedro Passos poderia,
numa concessão generosa, dizer que o governador estava só
querendo livrar-se da pressão incômoda de um suspeito. Ocorre
que, recentemente, quando Passos estava foragido da Justiça, que
decretara sua prisão por grilagem, o governador deu entrevistas
sobre o assunto. Disse que era apenas amigo do foragido pela coincidência
de serem ambos sócios de um mesmo clube de criação
de cavalos. O telefonema, recente, de 12 de agosto passado, é uma
prova cavalar de que a relação dos dois vai além
do mundo eqüino. No mesmo diálogo, o grileiro diz ter desembolsado
uma propina, na forma de um lote de terra, a um funcionário do
primeiro escalão e o governador nada fala, como se fosse
a coisa mais natural do mundo.
A grilagem
em Brasília tornou-se um escândalo público há
poucas semanas, em decorrência de um racha na quadrilha. Márcio
Passos, irmão de Pedro Passos, revoltado com a fiscalização
em seu quintal fundiário, ameaçou denunciar o envolvimento
do governo local no crime e, a título de aperitivo, divulgou
um vídeo, no qual se via um secretário de Roriz reclamando
do tamanho da propina que recebera para legalizar um condomínio
clandestino. O governador, em vez de mandar investigar a denúncia,
preferiu atacar a imprensa que noticiara o caso. Agora, com o telefonema,
constata-se que Roriz ainda prometeu suspender a fiscalização
num sinal de que temia a ameaça dos irmãos Passos
de incriminar seu governo na grilagem. Quando um governador protege o
crime, há algo de muito errado no ar na terra, no caso.
|
"Pode
ficar tranqüilo"
Entre
45 telefonemas gravados pela polícia, um deixa evidente que
o governador do DF, Joaquim Roriz, protege os interesses fundiários
de Pedro Passos, o maior grileiro de terras públicas em Brasília.
Na conversa, Passos pede que Roriz suspenda a fiscalização
de uma área grilada e revela que o presidente do órgão
fiscalizador, Eri Varella, recebeu propina na forma de lotes. Roriz
silencia sobre o suborno e promete parar com a fiscalização.
Passos
Isso aí é um vespeiro, é uma
bomba atômica. Se não mexer nisso, melhor. Tem vários
desembargadores que têm lote lá. O próprio Eri
tem. Eri recebeu lote na minha mão, recebeu chácara.
Ele tá é mal servido, achando que gente ganhou mais.
(...) A única coisa que eu quero é que ele não
mexa. Vamos cuidar de outra coisa, vamos cuidar da eleição.
Roriz
Eu vou falar com ele agora.
Passos
Se ele continuar futricando, chega uma hora em que
a pessoa perde a cabeça, bate num fiscal lá no mato,
vira uma confusão.
Roriz
Pode ficar tranqüilo que eu vou administrar para
você isso agora.
|
|
|
 |