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É
infantil imaginar uma mudança tão radical em um socialista
há vinte anos convicto. Infelizmente, o povo brasileiro se esquece
muito rápido das declarações e das opiniões
do "grande estadista" Lula. Mas, como bem indicam as pesquisas, provavelmente
vamos ter de engoli-lo nos próximos quatro anos ("O PT está
preparado para a Presidência?", 25 de setembro). Devemos valorizar
e incentivar todos que buscam essa transformação, e com
Lula não poderia ser diferente. A experiência adquirida com
as derrotas anteriores modificou-o e o transformou no líder mais
sensato e realista de hoje. Em um país
que anda em marcha a ré, virar "a direção" para a
esquerda é ir ainda mais para a direita. O Lula é
como camisinha: "um mal necessário". O problema
nem é tanto com Lula, ou com quem quer que seja o próximo
presidente. Sem o apoio do Congresso, ninguém conseguirá
governar o país de forma adequada. A reportagem
citou exemplos de boas e más experiências de administrações
do PT. Mas a questão que se levanta é: o Brasil pode dar-se
ao luxo de passar por mais uma "experiência"?
VEJA traçou
um perfil perfeito do integrante mais importante do PT, maior até
que Lula, essa figura incrível conhecida como Zé Dirceu
("O homem que faz a cabeça de Lula", 25 de setembro). Acima dos
marqueteiros, Lula tem uma pessoa respeitada e segura para apoiá-lo,
um homem que ama o Brasil acima de tudo e é digno de ter seu sonho
realizado: ver a estrela vermelha virar a maior e mais brilhante na constelação
do país. VEJA dissecou
muito bem a vida do todo-poderoso José Dirceu. Numa eventual vitória
petista, ressurgirá a eminência parda do regime militar general
Golbery, agora travestida de vermelho do PT. Não
acredito na "conversão" de José Dirceu à democracia
liberal. Ele não aderiu à luta armada nos anos 60 porque
fez os cálculos e viu que a empreitada era suicídio, na
época. Mas, com um Exército dócil e obediente nas
mãos (vide aproximação entre o PT e as Forças
Armadas), quem sabe do que seria capaz? Se Lula for eleito, é esperar
para ver. Em nome da democracia e da liberdade, tão arduamente
reconquistadas em nosso país, espero sinceramente estar enganada. Muito emblemático
o perfil do senhor José Dirceu. Foi guerrilheiro sem lutar, mudou
de cara duas vezes e passou pelo Congresso sem nenhum relevo. Acima de
tudo, mostrou como eliminar concorrentes ao dirigir autoritariamente seu
partido, com inequívoca demonstração de insana sede
de poder. Ele é realmente um "fazedor" de cabeças?
A edição
1 770 de VEJA é um presente para todos os eleitores. Publicar entrevistas
com os quatro principais candidatos à Presidência da República,
a menos de duas semanas das eleições, é uma atitude
louvável, pois mostra que a imprensa veio ratificar a democracia.
A seqüência de entrevistas, uma após a outra, esclarece
muito mais as propostas dos candidatos que a propaganda eleitoral gratuita.
Com a entrevista escrita, pode-se ler e reler a proposta do candidato,
e ele não tem a oportunidade de em uma segunda fala maquiar o que
disse! ("VEJA Entrevista Os quatro presidenciáveis", 25
de setembro) VEJA presta
um grande serviço ao eleitor brasileiro ao publicar entrevistas
com os quatro principais concorrentes ao cargo máximo do Poder
Executivo no Brasil. Achei pertinente a pergunta feita aos quatro candidatos
que relaciona o "papel" de presidente com os símbolos da pátria,
destacando a imagem a ser transmitida aos eleitores. Em verdade, em todas
as perguntas feitas aos candidatos foram exploradas as "fragilidades"
e as "peculiaridades" de cada um.
Assim como
Gilles Lipovetsky (Amarelas, 25 de setembro), estive observando o vestuário
dos candidatos. Pude perceber que, além de bem orientados politicamente,
os presidenciáveis desta vez estão mais atentos a outro
quesito que pouco tempo atrás não importava: a moda. Definitivamente
o vestuário e a aparência estão caminhando lado a
lado com a retórica. Serra, por exemplo, aparece chiquérrimo
com ternos Ermenegildo Zegna e gravatas Gucci. Lula quase sempre faz alusão
às cores da campanha petista. Não é difícil
vê-lo com camisa ou gravata vermelhas. Pois é, quem dera
pudéssemos moldar um candidato com as promessas de Lula, o corpo
de Ciro, a simpatia de Garotinho e o guarda-roupa de Serra. Seria pedir
demais?
No Brasil,
como em outros países, o racismo se faz presente. A diferença
é que, por exemplo, nos Estados Unidos os direitos dos negros estão
assegurados basta ver o caso de Condoleezza Rice, Colin Powell,
Serena e Venus Williams e tantos outros. Aqui, infelizmente, ainda é
pequeno o porcentual de negros que estão qualificados para o mercado
de trabalho, mas há muitos que, como eu, possuem curso superior,
de inglês e outros cursos de atualização e não
conseguem ganhar o equivalente ao que recebe um branco no mesmo cargo
("O papel dos negros", Contexto, 25 de setembro).
A reportagem
"O desafio digital" (25 de setembro) traz a informação de
que "todas as filmadoras vendidas hoje em dia são digitais". Filmadoras
digitais são aquelas que armazenam digitalmente imagens em mídias
MD ou DAT ou chips de memória, e seus custos ultrapassam 6 000
reais. A maioria das filmadoras comercializadas atualmente, apesar de
ter tecnologia digital, grava as informações em fita magnética.
Estou horrorizada
com a notícia das morsas que estão sendo mortas por um prazer
estúpido de caçadores medíocres que assassinam animais
inofensivos que não sabem defender-se ("Com licença para
matar", 25 de setembro). O que o homem pensa que está fazendo com
nosso mundo? Quanto mais conheço o ser humano, mais gosto do meu
gato.
Agora, sim,
realmente a força de vontade venceu a crueldade. Parabéns
à equipe de policiais do Rio de Janeiro e à governadora
Benedita da Silva pelo belo trabalho ("Elias 'tá dominado'", 25
de setembro).
Qual não foi a minha surpresa ao abrir a revista e ler que a CUT
está em silêncio, não está fazendo nada ("Cristãos-novos
do capitalismo", 25 de setembro). A CUT nunca esteve com tanta atividade.
Fui inúmeras vezes neste ano a Brasília para audiências
com o ministro do Trabalho, o presidente do Tribunal Superior do Trabalho,
com o Ministério Público e até com o ministro-chefe
da Casa Civil para tratar de temas ligados ao desemprego que assola a
classe trabalhadora. Tive encontros com a Federação das
Indústrias do Estado de São Paulo e assinamos acordos inéditos
com empresários do setor químico.
Brasília está mesmo nas mãos do crime organizado.
O Executivo e o Legislativo locais descobriram que grilagem, além
de muito dinheiro, dá votos e, melhor ainda, imunidade. A Câmara
Legislativa parece ter sido criada com dois únicos objetivos: torrar
dinheiro público e destruir o Distrito Federal ("Big Brother Brasília",
25 de setembro).
Sempre achei os artigos de Diogo Mainardi um pouco radicais; entretanto,
o publicado na edição 1770 ("No deserto do Senai", 25 de
setembro) é extremamente lúcido. Se Lula vencer, provavelmente
mandará criar no Senai um curso para formação de
ventríloquos, em homenagem aos seus mestres e a si próprio.
Para criar novos empregos é necessário, antes de mais nada,
avaliar as carências das micros e pequenas empresas, pois são
elas que geram mais empregos e renda para o país. Infelizmente,
os índices de mortalidade dessas empresas são alarmantes
("Milhões de empregos", Em foco, 25 de setembro).
Seria insanidade a atitude do presidente Bush, que insiste em invadir
o Iraque, desrespeitando a ONU e as demais nações? É
relevante o contraste com o governo anterior, no qual o democrata Bill
Clinton procurava assinar acordos de paz entre os países, em vez
de fazer declarações de guerra ("Recuo de Saddam é
pouco para Bush", 25 de setembro).
Parabéns, Arc. Você conseguiu mostrar quanto os países
desenvolvidos gastam com coisas supérfluas. São gastos dispensáveis
que poderiam ser revertidos em favor da qualidade de vida de todos, mas
infelizmente são utilizados para fazer guerra. Quem sabe algum
dia nos tornaremos "seres civilizados" ("Arc e a guerra contra o Iraque",
25 de setembro).
Hipocrisia e contradição são os termos cabíveis
à direção da Record em relação ao apresentador
Amaury Jr. Os apresentadores dessa "democrática" emissora devem
saber que "Deus é, antes de mais nada, o grande sedutor". Coitada
da Galisteu! Está se perdendo no "paraíso" ("Jihad evangélica",
25 de setembro).
Achei muito oportuna a reportagem "É possível malhar durante
a gravidez" (Guia, 25 de setembro). Faz-se necessária, sim, a liberação
médica, mas as orientações quanto aos exercícios
físicos são feitas, principalmente, por fisioterapeutas
e educadores físicos, salientando que atualmente existe uma área
específica em fisioterapia fisioterapia em ginecologia e
obstetrícia que prepara a gestante para as fases pré,
peri e pós-parto.
Em referência ao artigo "Vale quanto pesa" (Radar, 25 de setembro),
em que é mencionada a expressão "militar vale mais morto
do que vivo", julgo oportuno aduzir que a nota permite que se conclua
que o autor da frase tão infeliz seria este representante do Ministério
Público. Em meu parecer consta a "minha profunda estranheza e repulsa"
diante de tal assertiva. Portanto, não comungo com tal afirmação.
CORREÇÕES:
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