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O
teste da realidade
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| Os
presidenciáveis na televisão: por que eles precisam
dourar a pílula |
O
marketing eleitoral prestou um grande serviço aos eleitores brasileiros
na atual campanha para a Presidência da República. A poucos
dias do primeiro turno das eleições, a imagem que os marqueteiros
projetaram dos presidenciáveis reflete rigorosamente aquilo que
eles realmente são no plano pessoal, pelo menos no caso de três
deles. José Serra é mesmo o político obstinado, demolidor
dos obstáculos a seus planos que a televisão mostrou nos
programas e debates. O Ciro Gomes da campanha é o Ciro que os íntimos
conhecem, uma pessoa que não leva desaforo para casa. A campanha
de Anthony Garotinho não escondeu a alma leve, bem-humorada do
candidato nem seu grande poder de comunicação. No caso
de Luís Inácio Lula da Silva, a questão continua
um mistério. Lula, radical no passado, reapareceu conciliador e
moderado. Diz que seu marqueteiro, Duda Mendonça, descobriu finalmente
o verdadeiro Lula que os brasileiros não conheciam. O tempo dirá
se é verdade.
Se foi revelador sobre o temperamento dos candidatos, o marketing só
serviu para escamotear o significado real de seus programas de governo.
Para atenderem ao figurino criado pelos marqueteiros, os candidatos estão
fazendo promessas que sabem não poder cumprir. Num levantamento
feito por VEJA em onze Estados onde os candidatos a governador e a presidente
ilustram suas promessas de criação de empregos com números,
o resultado foi a cifra inatingível de 17 milhões de postos
de trabalho que seriam criados em conjunto pelos candidatos. Esse milagre
exigiria do país um crescimento anual médio do PIB de mais
de 10%. Em reportagem especial nesta edição, VEJA explica
por que os políticos de todo o mundo precisam dourar a pílula
para o eleitor. E diz quais são as razões que levam as pessoas
comuns a evitar a verdade nua e crua em seus relacionamentos, sob pena
de viver num inferno de atritos com seus semelhantes. Veja
reportagens especiais.
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