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Edição 1 771 - 2 de outubro de 2002
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O teste da realidade


Os presidenciáveis na televisão: por que eles precisam dourar a pílula

O marketing eleitoral prestou um grande serviço aos eleitores brasileiros na atual campanha para a Presidência da República. A poucos dias do primeiro turno das eleições, a imagem que os marqueteiros projetaram dos presidenciáveis reflete rigorosamente aquilo que eles realmente são no plano pessoal, pelo menos no caso de três deles. José Serra é mesmo o político obstinado, demolidor dos obstáculos a seus planos que a televisão mostrou nos programas e debates. O Ciro Gomes da campanha é o Ciro que os íntimos conhecem, uma pessoa que não leva desaforo para casa. A campanha de Anthony Garotinho não escondeu a alma leve, bem-humorada do candidato – nem seu grande poder de comunicação. No caso de Luís Inácio Lula da Silva, a questão continua um mistério. Lula, radical no passado, reapareceu conciliador e moderado. Diz que seu marqueteiro, Duda Mendonça, descobriu finalmente o verdadeiro Lula que os brasileiros não conheciam. O tempo dirá se é verdade.

Se foi revelador sobre o temperamento dos candidatos, o marketing só serviu para escamotear o significado real de seus programas de governo. Para atenderem ao figurino criado pelos marqueteiros, os candidatos estão fazendo promessas que sabem não poder cumprir. Num levantamento feito por VEJA em onze Estados onde os candidatos a governador e a presidente ilustram suas promessas de criação de empregos com números, o resultado foi a cifra inatingível de 17 milhões de postos de trabalho que seriam criados em conjunto pelos candidatos. Esse milagre exigiria do país um crescimento anual médio do PIB de mais de 10%. Em reportagem especial nesta edição, VEJA explica por que os políticos de todo o mundo precisam dourar a pílula para o eleitor. E diz quais são as razões que levam as pessoas comuns a evitar a verdade nua e crua em seus relacionamentos, sob pena de viver num inferno de atritos com seus semelhantes. Veja reportagens especiais.

 
 
   
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