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Maria
Mariana: interpretação naturalista |
| Foto: Silvio Pozatto |
Sabe aquela prima que troca de namorado como quem muda de roupa? E aquele casal de amigos que para salvar o casamento resolve ter um filho? Esses tipos, e mais a balzaquiana encalhada que arranja um namorado bissexual, são a peça de resistência da comédia Amores, de Domingos de Oliveira, que estréia nesta sexta-feira no Rio de Janeiro. Na mesma linha de Pequeno Dicionário Amoroso, de Sandra Werneck, e de Como Ser Solteiro, de Rosane Svartman, Amores pretende fazer uma inspirada comédia a partir da classe média da Zona Sul carioca. Recheado com muitas piadas chulas e outras nem tanto, o filme é absolutamente descartável. Seu pior defeito é a desfaçatez em copiar a finada série de TV Comédia da Vida Privada, que fazia uma divertida crônica de costumes. Aliás, alguns dos personagens do filme, como o roteirista Vieira, alter ego do diretor, ganham a vida trabalhando para a Globo. Outro ponto fraco da história é a interpretação naturalista do elenco. Os atores, entre os quais Maria Mariana, filha do diretor, só representam a si mesmos. Salva-se Clarice Niskier, convincente na pele de uma contadora de piadas. Amores ganhou, no último Festival de Gramado, o prêmio do júri popular, o da crítica e o prêmio especial do júri o que talvez explique o fracasso do festival. Ao custo de 600.000 reais, é um dos filmes mais baratos da recente retomada do cinema nacional. Em todos os sentidos.
Copyright © 1998, Abril
S.A. |