Duro de engolir

Os Vingadores é como champanhe sem gás

Fiennes e Uma
Thurman: lerdeza
fleumática e batata
quente na boca

O mico das telas deste verão americano é um luxo só. Os Vingadores (The Avengers, Estados Unidos, 1998), que estréia nesta sexta-feira em circuito nacional, tem um elenco estelar, encabeçado por Sean Connery, Ralph Fiennes e Uma Thurman. Baseado no célebre seriado da TV inglesa dos anos 60, o filme custou 60 milhões de dólares, conta com uma produção caprichada e efeitos especiais de primeira. A história trata da luta entre o bem e o mal para evitar que o vilão sir August de Wynter (Sean Connery) se apodere do controle do clima de todo o planeta. Mas, vítima de um roteiro insosso e mal costurado, o filme, que deveria ser uma aventura eletrizante, torna-se tão modorrento quanto um boletim meteorológico. Como bem definiu o crítico David Ansen, da revista Newsweek, a versão filmada de Os Vingadores parece um champanhe que perdeu o gás.

O mais duro de engolir na fita é a lerdeza fleumática do bonitão Ralph Fiennes, no papel do agente secreto John Steed, um sujeito que até no centro de um tiroteio de bazuca não abandona o guarda-chuva ou o chapéu-coco. Em vez de parecer cínico, numa sátira ao próprio caráter britânico, como acontecia com o ator Patrick Macnee do seriado de TV, Fiennes mostra-se apenas constrangido. Talvez ainda mais ridícula seja a situação da americana Uma Thurman, que vive a agente Emma Peel. Ela parece ter uma batata quente na boca em seu esforço em imitar o sotaque britânico. Em meio à catástrofe, nem mesmo Sean Connery escapa. Histérico na pele do lunático sir Wynter, ele deve estar com saudade de seus tempos de 007.

A.P.




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