Guia
Sete mitos sobre o consumo de água

Anna Paula Buchalla
abuchalla@abril.com.br
Montagem
com fotos Istockphoto
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O corpo humano é composto de 60% de água.
Ela participa de praticamente todos os processos orgânicos: da regulação
da temperatura ao bom funcionamento do cérebro e dos músculos.
Por
isso hidratar-se repor a água perdida na urina e na transpiração
é tão vital, como não se cansam de dizer os médicos.
Tornou-se comum, no entanto, afirmar que a ingestão de água traz
outros benefícios. Diz-se, por exemplo, que ela desintoxica e até
ajuda a emagrecer. Ainda não há comprovação científica
dessas teses. E, como ressaltam alguns especialistas, ingerir água em excesso
pode causar prejuízos ao organismo. VEJA elencou os equívocos mais
comuns sobre esse tema.
1 - O que se diz: beber bastante água
ajuda a eliminar toxinas do organismo
O que se sabe: a função
de filtrar toxinas da corrente sanguínea é dos rins; portanto, a
questão aqui é saber se água em grande quantidade melhora
a função renal. "A resposta é não", diz
a nefrologista Maria Eliza do Amaral Carvalho, do Hospital Sírio-Libanês,
de São Paulo. "O fato de uma pessoa ingerir muita água não
faz com que seus rins filtrem mais e melhor"
2 - O que se diz: para
uma hidratação correta, é preciso ingerir 2 litros de água,
ou oito copos, por dia
O que se sabe: a recomendação de 2
litros de água por dia não tem nenhum fundamento científico.
E não há prova nenhuma de que a ingestão abundante de água
seja benéfica pelo contrário. "Muita água faz
mal ao organismo", diz o nefrologista Elias David-Neto, do Hospital das Clínicas
de São Paulo. Em demasia, ela sobrecarrega os rins e causa a eliminação
excessiva de sais minerais, principalmente sódio e potássio, essenciais
para o equilíbrio orgânico. Recomenda-se beber líquidos no
mesmo volume de calorias consumidas. Para uma dieta de 1 200 calorias, 1,2
litro de água. "Não precisamos de mais água do que a
sede solicita", afirma. É preferível tomar pequenas doses ao
longo do dia a ingerir uma grande quantidade de uma vez. E deve-se lembrar que
os alimentos também ajudam na hidratação
3 - O que se diz: muita água é sinônimo de pele mais bonita e saudável
O que se sabe: "essa tese não faz sentido", escreveu recentemente,
num editorial do Journal of the American Society of Nephrology, o médico
americano Stanley Goldfarb, um dos principais especialistas no assunto. "A
água que se ingere é distribuída para todo o corpo. Apenas
uma parte ínfima termina na pele." Somente o contrário é
correto: a desidratação faz com que a pele perca o viço
4 - O que se diz: água ajuda a emagrecer
O que se sabe: o melhor seria
dizer que água ajuda quem está de dieta, por dois motivos: ela não
tem calorias e dá a sensação de saciedade. Alguns copos de
água certamente tirarão a fome, mas esse efeito dura muito pouco.
"Para quem está de dieta, uma forma melhor de obter água e
saciar-se é por meio de frutas e vegetais", diz a nutricionista Suzana
Bonumá, de São Paulo
5 - O que se diz: ao praticar exercícios
físicos, é preciso beber muita água para recuperar o que
foi perdido
O que se sabe: por muito tempo, a recomendação
do Colégio Americano de Medicina Esportiva era que os atletas deveriam
tomar o máximo possível de líquidos durante o exercício
físico para evitar a desidratação. Agora, o que se sabe é
que água em excesso provoca a diluição do sódio. É
o mineral que ajuda a conduzir os impulsos elétricos para os músculos,
inclusive o do coração. A falta de sódio pode deflagrar dor
de cabeça, desorientação e até parada respiratória
6 - O que se diz: água com gás hidrata menos e ainda causa celulite
O que se sabe: a água com gás hidrata tanto quanto a sem gás.
E isso vale tanto para as naturalmente gaseificadas como para as gaseificadas
artificialmente. Nenhuma delas causa celulite. "O que favorece a celulite
é o açúcar dos refrigerantes, e não o seu gás",
diz o dermatologista Francisco Le Voci
7 - O que se diz: a alta concentração
de minérios das águas minerais pode causar pedras nos rins quando
seu consumo é frequente
O que se sabe: não existe uma relação
direta entre o consumo dessas águas e a calcificação dos
sais nos rins. E isso mesmo em regiões onde as águas são
mais pesadas, obtidas de fontes ricas em sais de cálcio. Ao contrário,
uma quantidade maior de água é indicada a quem tem propensão
ao problema
Águas que
tratam
A hidrologia médica é o ramo da ciência que estuda
o poder medicinal das águas minerais. Atribuem-se a elas, graças
à presença de substâncias como flúor, magnésio
e bicarbonato de sódio em sua composição, benefícios
no tratamento de diversos males. Embora não haja nenhum estudo conclusivo
sobre o assunto, o certo é que mal essas águas não fazem.
Ou seja, podem ser coadjuvantes no tratamento de doenças. O reumatologista
Marcos Untura indica o tipo e a quantidade de água que precisa ser ingerida
para que o volume de minerais seja relevante. Todas as águas são
vendidas engarrafadas no Brasil.
Fotos Pedro Rubens
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