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Duas notícias sobre a Escócia chamaram atenção nos últimos dias. A primeira é que, embora continue a fazer parte - a contragosto - do Reino Unido, a Escócia tem um parlamento e um governo com liberdade para tomar decisões nas áreas da saúde, educação e justiça e fazer suas próprias besteiras. A autonomia escocesa veio à tona com a decisão fenomenalmente idiota de soltar o único condenado pelo atentado de Lockerbie. Rememorando: em 1988, um avião da Pan Am explodiu quando sobrevoava o espaço aéreo escocês. Morreram as 259 pessoas a bordo e onze em terra. A polícia escocesa reconstituiu minuciosamente o atentado: uma bomba feita com Semtex foi escondida num gravador Toshiba e embarcada no compartimento de bagagem. Fragmentos de roupas identificaram o lugar onde haviam sido vendidas, uma loja em Malta cujo dono se lembrou do comprador. Era Abdelbaset Ali al-Megrahi, oficialmente funcionário da empresa aérea líbia, na verdade um agente das malfeitorias do coronel Muamar Kadafi. O governo escocês soltou Megrahi porque ele está com câncer de próstata terminal e contra a promessa de uma volta discreta. Mas - surpresa, surpresa - a Líbia fez o maior auê, e agora há dúvidas sobre a gravidade da doença. O castigo veio caminhando, o que nos traz à segunda notícia sobre a Escócia: a Diageo, o maior conglomerado de bebidas alcoólicas do mundo, anunciou que vai redirecionar a produção e fechar a fábrica do uísque Johnnie Walker, uma relíquia do século XIX na cidadezinha de Kilmarnock. Houve protesto a caráter, com gente de botas, cartola e casaca, como o homenzinho do rótulo, inesquecivelmente chamado, em sua versão paraguaia, de Juanito Caminante.