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Home  »  Revistas  »  Edição 2128 / 2 de setembro de 2009


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Televisão

Discoteca caipira

A novela Paraíso é uma vitrine luminosa para os artistas sertanejos.
Sua trilha sonora já vendeu horrores – e até a família do autor lucra


Marcelo Marthe

Fotos Divulgação
VADE RETRO
Zeca Diabo e Santinha e a dupla Victor & Leo em uma participação na novela:
beijo ardente e música sertaneja aguada

Há três semanas, a novela Paraíso exibiu um beijaço de 45 segundos entre o peão Zeca Diabo (Eriberto Leão) e sua amada Santinha (Nathália Dill). Reivindicado pelas espectadoras desde o início desse remake de uma trama exibida originalmente em 1982, o primeiro amasso do casal rendeu um pico de ibope. Teve ainda outro efeito colateral: as rádios do país passaram a martelar a música-tema do casal, da até então desconhecida Paula Fernandes (a balada Jeito de Mato tem versos medonhos como "dorme serena no sereno e sonha"). As novelas de Benedito Ruy Barbosa, de temática rural, são sempre aguardadas com ansiedade pelo mercado sertanejo. Mas Paraíso está saindo melhor do que a encomenda para essa turma. Lançada em maio, a trilha sonora do folhetim está na marca das 106 000 cópias vendidas – o triplo do que os discos de novelas das 6 costumam atingir e mais do que qualquer dos cinco CDs atualmente à venda da novela das 8. Na esteira de seu sucesso, a Som Livre, braço fonográfico da Globo, lançou um segundo CD com faixas tocadas na rádio de mentirinha da novela. Até agora, contabiliza 35 000 unidades comercializadas.

Paraíso oferece a conjunção de elementos que normalmente impulsiona as vendas de trilhas. A audiência, na casa dos 30 pontos no ibope nacional, é a mais alta em sua faixa desde 2006. Há uma boa liga entre os personagens e seus temas. Em meio aos diálogos com sotaque de jeca-tatu (os personagens falam "marluco" e "nóis faiz"), campeiam longas cenas embaladas só por cantoria. A tal rádio e um núcleo de violeiros capitaneado pelo personagem do cantor Daniel constituem vitrines perfeitas para o merchandising musical. Além do próprio Daniel, duplas como Chitãozinho e Xororó e Bruno & Marrone fizeram participações na história – assim como Victor & Leo, mauricinhos que fazem o chamado "sertanejo universitário". O músico Marcelo Barbosa, um dos filhos de Benedito, produziu várias faixas e é o compositor de oito canções das trilhas (interpretadas por diferentes nomes). "A cada novela do papai, tenho de mudar meu celular. Uns 300 artistas me procuraram para oferecer músicas suas para Paraíso", diz ele.

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