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Saúde
Nem ervas, nem agulhas
Não há provas de que os tratamentos
alternativos para a menopausa são
eficazes, diz um levantamento americano

Anna Paula Buchalla
Há exatos quatro anos,
a terapia de reposição hormonal foi posta na berlinda.
O maior estudo sobre o uso de hormônio sintético para
o combate dos sintomas da menopausa estava em andamento quando teve
de ser interrompido três anos antes do previsto. O motivo:
descobriu-se que as doses extras de hormônio estavam associadas
ao aumento dos riscos de infarto, derrame e câncer de mama.
O medo fez proliferar uma espécie de mercado paralelo da
reposição hormonal. De acupuntura a ervas, passando
pelas terapias comportamentais, qualquer novidade que se definisse
"natural" tornou-se bem-vinda. Na semana passada, porém,
uma notícia caiu como uma ducha de água fria sobre
os defensores das terapias alternativas: não há provas
confiáveis da sua eficácia e segurança. É
o que revela a maior revisão de estudos sobre tratamentos
alternativos e complementares já feita. O levantamento, publicado
na última edição da revista científica
americana Archives of Internal Medicine, avaliou setenta
pesquisas antes de concluir que é preciso ter cautela em
relação a esses métodos. Isso quer dizer que
a terapia de primeira linha dos sintomas da menopausa continua a
ser a tradicional reposição hormonal à base
de estrógeno e de progesterona. Mas com uma diferença
bastante significativa em relação ao passado
agora, prescrevem-se doses baixíssimas de hormônios
pelo menor tempo necessário. "Além disso, tornou-se
consenso entre os médicos que a reposição deve
começar aos primeiros sintomas da menopausa", diz o ginecologista
César Eduardo Fernandes, da Sociedade Brasileira do Climatério.
O anúncio da Archives
of Internal Medicine de que as terapias alternativas não
têm eficácia nem segurança comprovadas não
significa a sua condenação. Quer dizer apenas que
os estudos feitos até agora são inconclusivos. De
fato, a maioria deles é de qualidade duvidosa, por não
abarcar um grande universo de participantes ou por ter curta duração
duas condições indispensáveis a pesquisas
sérias. Diante disso, recomenda-se não abusar dos
remédios ditos naturais. Se mal utilizados, eles podem ser
tão tóxicos quanto medicamentos da medicina alopática.
As únicas substâncias que se mostraram efetivas para
aliviar as ondas de calor e os suores noturnos das mulheres às
voltas com a menopausa foram as formuladas à base de soja.
Mas elas agem de forma paliativa, sem grandes benefícios
para o coração e os ossos. Recentemente, o Ministério
da Saúde brasileiro aprovou o uso de uma para o tratamento
do climatério. Fabricado pelo laboratório Janssen-Cilag,
o Soyfit é indicado para mulheres com sintomas leves.
Estima-se que, com o aumento
da longevidade, uma mulher passe um terço de sua vida enfrentando
sintomas da menopausa. O fim da fertilidade, a secura vaginal, as
ondas de calor, os suores noturnos, a insônia tudo
isso representa um período intenso e cheio de significados.
Muitas mulheres se surpreendem com a severidade dos sintomas num
momento em que elas ainda estão no auge da vida profissional
ou mesmo cuidando de filhos pequenos ou adolescentes, que requerem
dedicação. Isso só serve para agravar ainda
mais o cansaço, a irritação e as mudanças
repentinas de humor. Ao que tudo indica, as ocidentais sofrem mais
com os efeitos da menopausa. São poucas as mulheres japonesas,
coreanas e do sul asiático que amargam os efeitos deletérios
dessa fase. Os pesquisadores acreditam que as diferenças
se devem, em parte, à cultura e ao estilo de vida. Já
se sabe, por exemplo, que o tabagismo e a obesidade aumentam a predisposição
às ondas de calor, por razões ainda não bem
entendidas. As fumantes, aliás, podem entrar na menopausa
até três anos antes das não-fumantes.
Em paralelo às discussões
sobre o que funciona ou não contra os sintomas da menopausa,
há uma corrente de médicos que propõe uma forma
mais saudável de encarar esse período da vida. Esses
especialistas defendem a "desmedicalização" dos sintomas.
Alegam que, como os desconfortos não duram para sempre, o
melhor é prescrever remédios apenas para as pacientes
com manifestações severas que limitam a rotina. Para
as outras, uma dieta saudável e a prática regular
de exercícios físicos bastariam. O difícil
é convencê-las. Uma em cada quatro mulheres que abandonaram
a reposição hormonal por causa da polêmica em
torno da terapia voltou a tomar remédios. E cerca de metade
das americanas passou a recorrer a métodos complementares
e alternativos. Sinal de que a maioria não quer saber de
agüentar o tranco.
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