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Edição 1967 . 2 de agosto de 2006

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Carta ao leitor
A pizza ficou difícil

 
A reportagem de VEJA sobre a máfia dos sanguessugas: fôlego novo às investigações

Na condição de relator da CPI dos Sanguessugas, o senador Amir Lando esforçava-se para fazê-la encolher aos poucos, até que desaparecesse sem deixar rastros. A reportagem "A lista da vergonha – Era pior do que se pensava", assinada pelo repórter Marcelo Carneiro e publicada por VEJA na semana passada, veio dificultar esse desfecho. Ela mostrou que são 112, e não apenas 57, os políticos acusados de participação na máfia, revelou suas identidades e apontou as pegadas do Executivo na trilha do escândalo. Ao expor a real extensão da rede criminosa que tinha como protagonistas deputados e senadores do Congresso Nacional, VEJA espera ter frustrado as expectativas dos que torciam por mais uma pizza numa Casa já repleta delas.

O senador Lando, citado, aliás, num dos depoimentos do empresário Luiz Antônio Vedoin à Justiça, que serviu de base para a reportagem de VEJA, ainda se esforça para adiar a apresentação do primeiro relatório da comissão, hesita em notificar os acusados e insiste em empurrar para "uma fase posterior" as investigações em torno do Executivo. Ao mesmo tempo, outros parlamentares de má-fé procuram aproveitar-se do sigilo que cerca as investigações para escamotear o número de acusados e tentar esconder-se por detrás das discrepâncias que aparecem nos jornais. Os depoimentos de Luiz Antônio Vedoin, no entanto, são claríssimos. Ele reconhece ter acertado o pagamento de propinas com 112 políticos e afirma que quatro deles só não receberam porque não tiveram competência para o trambique. Vedoin também lança uma sombra sobre os ex-ministros da Saúde Humberto Costa e Saraiva Felipe e sobre a senadora Serys Slhessarenko, do PT. Reportagens como a de VEJA, que contribuiu para abortar um potencial acordão, só são possíveis em um ambiente de imprensa livre – conquista democrática que foi assegurada mais uma vez dias atrás, com o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a mais uma lei que, ao impor a obrigatoriedade do diploma de jornalista até mesmo a chargistas e comentaristas de futebol, cercearia a precisão, a riqueza e a pluralidade da informação no país.

 
 
 
 
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