|
|
Carta ao leitor
A pizza ficou difícil  | | A
reportagem de VEJA sobre a máfia dos sanguessugas: fôlego novo às investigações
|
Na condição de relator
da CPI dos Sanguessugas, o senador Amir Lando esforçava-se para fazê-la
encolher aos poucos, até que desaparecesse sem deixar rastros. A reportagem
"A lista da vergonha Era pior do que se pensava", assinada pelo repórter
Marcelo Carneiro e publicada por VEJA na semana passada, veio dificultar esse
desfecho. Ela mostrou que são 112, e não apenas 57, os políticos
acusados de participação na máfia, revelou suas identidades
e apontou as pegadas do Executivo na trilha do escândalo. Ao expor a real
extensão da rede criminosa que tinha como protagonistas deputados e senadores
do Congresso Nacional, VEJA espera ter frustrado as expectativas dos que torciam
por mais uma pizza numa Casa já repleta delas.
O senador Lando, citado, aliás, num dos depoimentos do empresário
Luiz Antônio Vedoin à Justiça, que serviu de base para a reportagem
de VEJA, ainda se esforça para adiar a apresentação do primeiro
relatório da comissão, hesita em notificar os acusados e insiste
em empurrar para "uma fase posterior" as investigações em torno
do Executivo. Ao mesmo tempo, outros parlamentares de má-fé procuram
aproveitar-se do sigilo que cerca as investigações para escamotear
o número de acusados e tentar esconder-se por detrás das discrepâncias
que aparecem nos jornais. Os depoimentos de Luiz Antônio Vedoin, no entanto,
são claríssimos. Ele reconhece ter acertado o pagamento de propinas
com 112 políticos e afirma que quatro deles só não receberam
porque não tiveram competência para o trambique. Vedoin também
lança uma sombra sobre os ex-ministros da Saúde Humberto Costa e
Saraiva Felipe e sobre a senadora Serys Slhessarenko, do PT. Reportagens como
a de VEJA, que contribuiu para abortar um potencial acordão, só
são possíveis em um ambiente de imprensa livre conquista
democrática que foi assegurada mais uma vez dias atrás, com o veto
do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a mais uma lei que, ao impor a
obrigatoriedade do diploma de jornalista até mesmo a chargistas e comentaristas
de futebol, cercearia a precisão, a riqueza e a pluralidade da informação
no país. |