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O nosso dino

Descoberta no Ceará uma nova
espécie de dinossauro

 
Selmy Yassuda
Reconstituições do esqueleto e do corpo do Santanaraptor: feitas com base em fósseis (centro)

O esqueleto da preguiça gigante pré-histórica exposto no Museu Nacional do Rio de Janeiro ganhou a companhia de outra atração de peso, na semana passada. Trata-se da primeira reconstituição em resina de uma nova espécie de dinossauro identificada no Brasil, o Santanaraptor placidus, que viveu há 110 milhões de anos no sul do Ceará. O lugar era então pontilhado de lagos, com uma rica fauna de peixes, répteis e anfíbios. O nome dado à espécie é uma homenagem à cidade mais próxima de onde foram encontrados os fósseis, Santana do Cariri. O dino brasileiro não era grande como seu parente mais famoso, o Tyrannosaurus rex, que atingia 15 metros. O Santanaraptor tinha 1 metro de altura por 2,5 metros de comprimento, do focinho à ponta da cauda. Bípede, era um carnívoro ágil e veloz. "É a primeira vez que encontramos um parente tão próximo do tiranossauro na América do Sul", diz Alexander Kellner, geólogo responsável pela reconstituição.

Os cientistas do Museu Nacional só conseguiram identificar e reconstituir o Santanaraptor porque os fósseis encontrados no sertão do Cariri continham, além de ossos, vestígios de tecidos moles petrificados. Esses vasos sanguíneos e fibras musculares permitiram aos pesquisadores definir com maior exatidão a aparência do animal. Descobertas desse tipo são extremamente raras. "É um dos mais importantes achados paleontológicos dos últimos anos", afirma Kellner. Os fósseis do dino foram encontrados em 1991, mas seu estudo esteve parado durante cinco anos por falta de dinheiro. Até quatro anos atrás, ninguém sabia direito que tipo de bicho era aquele, porque o museu não tinha de onde tirar os 15.000 reais necessários para a pesquisa. As reconstituições, realizadas com recursos da Fundação de Amparo à Pesquisa do Rio de Janeiro (Faperj), levaram quatro meses para ficar prontas.

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