Usou,
descartou
Sapatos seguem a moda e
mudam a cada estação
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Sandálias para o próximo verão:
bordados, enfeites, transparência e a volta do dourado
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Para
as brasileiras que moram nas regiões afetadas pelas ondas
de frio é difícil até imaginar tirar dos pés
as botas quentinhas que se disseminaram pelo país inteiro
neste inverno. Pois podem ir se preparando: a moda da próxima
estação em matéria de calçados já
está prontinha para chegar às vitrinas. E o verão
é cor-de-rosa. Ou lilás, azul-clarinho, amarelo-canário.
As sandálias plataforma e as mules, verdadeiras febres no
último verão, sumiram. Em seu lugar, estarão
sandálias de saltos estratosféricos com tiras finíssimas,
do tipo que praticamente impossibilita o deslocamento mas
deixa os pés sensualmente expostos e arqueados. O dourado
toma o lugar do prateado e a estampa de cobra, o hit dos hits, está
sendo desbancada pela de lagarto, embora só especialistas
em répteis possam perceber a diferença. Bordados,
pedrarias e até berloques indianos dão brilho aos
modelos mais sofisticados. Nada, é claro, muito resistente.
Nem precisa, já que a moda do próximo verão
será, obviamente, outra.
O tempo em que sapato era um bem durável, cuidadosamente
conservado, se foi. Hoje, os sapatos são criados para apenas
uma estação não mais que quatro ou cinco
meses. A vida curtíssima permite extravagâncias: a
sandália cor-de-rosa tem a duração de um só
verão. Depois fica lá, no fundo do armário,
abandonada. A idéia de diminuir a vida útil dos calçados,
de forma a aumentar as vendas, encontrou consumidoras plenamente
dispostas a endossá-la. "Nos anos 90, marcas italianas antigas,
como Gucci e Prada, partiram para um rejuvenescimento dos acessórios,
principalmente os calçados", explica o sociólogo Dario
Caldas, do Centro de Estudos da Moda da Universidade de São
Paulo. Foi o empurrão derradeiro para fazer do sapato o complemento
que dá o tom da produção.
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Sensualidade: pés
à mostra com tiras finas e saltos altíssimos |
A
obsolescência aumentou, mas em compensação a
variedade se multiplicou. Em dois anos, a grife carioca Maria Bonita
mais que dobrou o número de modelos, passando de vinte para
45. A paulistana Zoomp pulou de oito para 21. A mineira Arezzo,
que só faz acessórios, oferece 350 sapatos, o triplo
do que tinha há cinco anos. "Antigamente a brasileira queria
um sapato clean, barato, apenas para cobrir os pés. Hoje,
ela busca cor, algo que enfeite", diz Anderson Birman, diretor da
grife. A Arezzo lançava três coleções
por ano, agora é quase uma por mês. "Nosso objetivo
é fazer um modelo novo todo dia", define Birman. É
a alegria das loucas por um sapato novo.
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