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Vestidinho básico

Com opções mais ou menos ousadas,
modelo da Versace é sucesso mundial


Bel Moherdaui

 
Divulgação
Versão ousada: Gisele no desfile


O antigo pretinho básico, com que a mulher elegante podia enfrentar qualquer festa, ganhou um concorrente de peso: o verdinho da Versace. O vestido de estampa escandalosa e decote abissal é um sucesso como fazia muito tempo não se via. A americana Jennifer Lopez, a ex-spice girl Geri Haliwell e a própria criadora do vestido, Donatella Versace, arrasaram ao aparecer com o modelo, que revela até pensamentos. Há duas semanas, no badalado casamento de Carolina, a neta do senador Antonio Carlos Magalhães, Ivete Sangalo e a empresária Kelly Amorim cruzaram-se com versões mais comportadas, diferentes apenas na cor, do tal modelo. Ambas autênticas e pertencentes a uma família exclusivíssima: a representante da grife, com loja em São Paulo, trouxe apenas oito peças, vendidas em duas semanas.

Com estampa jungle (floresta, em inglês), o vestido poderia até ser enquadrado na categoria cafona se não tivesse a marca do estilo Versace: sensualidade e ousadia. Acabou virando um dos instrumentos da família para segurar o barco, depois do assassinato de Gianni Versace, a mente criativa da grife. No ano anterior à sua morte, 1996, o faturamento do império foi de 1 bilhão de dólares. Em 1999, os irmãos remanescentes, Santo e Donatella, chegaram quase lá: 990 milhões de dólares. "Por ser mulher, Donatella tornou as roupas femininas da grife mais usáveis", afirma a representante brasileira Fernanda Boghosian. "Assim, pode atender desde a senhora atrás de um tailleur comportado até a menina que quer mostrar mais o corpo." Criado em três versões, o tal vestido atende aos dois perfis.

 
Inácio Teixeira/Coperphoto
Marcello Fontes
Versão recatada: Ivete e Kelly, com o mesmo vestido no casamento da neta de ACM

O mais escandaloso estourou depois que Jennifer Lopez desfilou na cerimônia do prêmio Grammy, desafiando a lei da gravidade. A loja da Versace em Los Angeles teve fila de espera, com 120 encomendas. Feito de twill de seda, o modelo longo é um prodígio de engenharia. O decote vai até abaixo do umbigo, arrematado por um broche de cristal Swarovski. Um forro de jérsei, na mesma estampa, disfarça a transparência na parte de baixo, e na superior, com formato de frente-única, ajuda a dar sustentação aos seios. O drapeado externo, na altura do busto, se encarrega do restante em matéria de segurar o impossível, deixando a abertura ao gosto da freguesa. Jennifer Lopez chegou ao limite do atentado ao pudor. A segunda versão, sem mangas, é tão glamourosa quanto a primeira. Apresentada por Gisele Bündchen no desfile da grife, tem uma faixa também de cristal no lugar do broche.

Para as mais recatadas, há uma terceira opção, igual nas cores verde ou vermelha – como alternaram Ivete e Kelly no casamento em Salvador. Feito de jérsei de seda, tem um nó na frente e botões de cristal a partir dos seios, mangas compridas e barra na altura do joelho. Perde em ousadia, mas ganha no preço: custa 3.900 reais, menos da metade do valor dos longos. Quer dizer, custava: o vestido está esgotadíssimo. Quem comprou, comprou; quem não comprou vai ficar na vontade.

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