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Ferrari "quase" barata

Usando tecnologia da rival, Maserati brilha com
esportivo de luxo de preço menos salgado


Rodrigo Cavalcante

 
Marco de Bari
Maserati 3200 GT: carro de 306 000 reais tirou do limbo a tradicional fábrica italiana

A Maserati 3200 GT não vende tanto quanto a Ferrari, mas caiu no gosto do brasileiro e está espantosamente perto da marca do cavalinho. Desde o ano passado, quando os primeiros desses esportivos de luxo desembarcaram por aqui, vendem-se seis deles para cada dez Ferrari. É uma façanha e tanto, visto que o Brasil está entre os países que mais compram as caríssimas Ferrari. A comparação significa muito mais que a exposição da tradicional rivalidade entre as duas marcas. O 3200 GT é, pode-se dizer, uma casca Maserati montada sobre tecnologia Ferrari. Ambas as marcas pertencem ao mesmo dono, a Fiat. A diferença começa a ser sentida no preço. A Maserati custa pouco mais da metade do modelo 355 GTS Spider, a mais barata das Ferrari vendidas no Brasil. Trata-se, ainda assim, de um carro para poucos – custa estratosféricos 306.000 reais. Isso explica por que o sucesso nesse caso significa apenas 27 exemplares vendidos. Até cinco anos atrás, ninguém daria um vintém por uma Maserati. A marca italiana, que no passado foi sinônimo de arrojo e nos anos 50 aparecia nas pistas de corrida nas mãos do lendário Juan Manuel Fangio, tinha decaído até produzir meio milhar de sedãs por ano, modelos conservadores usados como carros oficiais na Itália e pelos capi da Máfia siciliana. A Maserati está novamente na moda porque mudou sua estratégia e resolveu produzir o que melhor soube fazer no passado: carros esportivos arrojados e de alto desempenho.

O motor do 3200 GT foi adaptado de um carro de passeio mais antigo, o Quattroporte, à tecnologia da Ferrari, empresa que administra a Maserati desde 1997. A carroceria, desenhada por Giorgio Giugiaro, um dos mais respeitados designers do mundo, junta a elegância conservadora de carros de passeio da marca, como o Ghibli Coupé, de 1967, com traços do Tipo 300S, um modelo de competição dos anos 50. O resultado é um torpedo luxuoso, com potência de 370 cavalos, capaz de ir de 0 a 100 quilômetros por hora em 5,1 segundos e atingir velocidade de 280 quilômetros por hora. Com espaço interno surpreendente para um esportivo, carrega quatro passageiros confortavelmente instalados em bancos de couro inglês. Na Europa, a fórmula é um sucesso. Já foram vendidas 3.000 unidades do 3200 GT, aumentando em 78% a produção da velha fábrica instalada em Modena. A Alemanha é o maior comprador desses carros, com 305 unidades desde o início do ano, um quarto do total. "Essa é a prova de que a marca que já foi a maior rival da Ferrari está voltando com força total", avalia Piero Gancia, um dos maiores especialistas em carros esportivos italianos no Brasil e representante da marca de Maranello há 31 anos.

Fundada em Modena em 1914 para produzir motores e carros de corrida, a Maserati teve seu apogeu nas décadas de 50 e 60 com velozes e luxuosos automóveis de passeio. Nessa época, a Ferrari ganhava força nos campeonatos mundiais de automobilismo e lançava seus primeiros veículos, todos esportivos. A Maserati começou a fazer água quando os franceses da Citroën tomaram o controle da fábrica, no fim da década de 60. Os carros da marca sempre tiveram estilo, performance e esportividade, mas deixavam a desejar em praticidade e qualidade. Com a chegada da Ferrari há três anos isso mudou. "Eles uniram o velho glamour Maserati com a confiabilidade da mecânica Ferrari", diz Francisco Longo, importador das duas marcas. O espírito do cavalo rampante pode ser sentido na central computadorizada que controla a tração nas rodas, evitando derrapagens e perda do controle em alta velocidade, e no acelerador eletrônico, que dispensa o sistema de cabos. Tudo isso numa embalagem elegante, de linhas clássicas e discretas, feita sob medida para quem quer exibir prestígio e poder sem provocar estardalhaço.

 

Receita que vem do passado

Divulgação
Germano Luders
Jaguar XK8, inspirado em modelo de 1961 exposto no MoMa, custa 291 000 reais Aston Martin DB7, uma jóia inglesa de 300 000 reais: nostalgia dos filmes de 007 estrelados por Sean Connery
Germano Luders
Novo modelo 911 Turbo: quinta geração da família Porsche que custa 300 000 dólares na Europa

Os projetistas encontraram uma receita para fazer carros esportivos nesta virada de milênio. Os ingredientes são uma marca mitológica (Maserati, Ferrari, Jaguar), tecnologia de ponta e detalhes tirados de modelos que causaram furor no passado. Como ocorreu com a Maserati, desenhistas de outras marcas foram inspirar-se nos anos 50 e 60, considerados o período mais criativo e sofisticado da indústria automobilística. O Jaguar XK8, o esportivo da marca inglesa produzido sob batuta da Ford, incorporou os traços clássicos do antigo E-type de 1961, um dos raros automóveis a fazer parte do acervo do Museu de Arte Moderna de Nova York. O belíssimo DB7 da Aston Martin é inspirado nos modelos dirigidos por Sean Connery nos filmes do 007, na década de 60. A alemã Porsche não precisou recorrer ao estilo retrô. Seus carros mantêm a mesma linha clássica desenhada por Ferdinand Porsche, capaz de ser identificada de imediato mesmo em veículos de quinta geração, como o 911 Turbo.


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Da internet
  Maserati

 

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