Lego no céu
Estação
espacial ganha
mais um
pedaço com dois anos de atraso
AFP
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A
Estação Espacial Internacional começou finalmente
a tomar forma na semana passada, a 400 quilômetros de altitude,
na órbita terrestre. O terceiro componente da estrutura,
no qual ficarão os astronautas durante a fase de montagem
desse gigantesco lego espacial, foi conectado aos dois módulos
que já estavam em órbita. É o cérebro
da estação e foi construído e lançado
pela agência espacial russa com cerca de dois anos de atraso
em relação ao cronograma inicial. Ainda faltam outras
vinte estruturas semelhantes para que o laboratório espacial
comece a funcionar, o que não deve ocorrer antes de 2005,
dois anos além do originalmente previsto. A estação,
orçada em 60 bilhões de dólares, será
custeada pelos dezesseis países que participam do projeto,
entre eles o Brasil, e por grandes empresas aeronáuticas,
como a Boeing e a Lockheed Martin. O módulo russo, batizado
de Zvezda (estrela), servirá como alojamento para a primeira
tripulação de três astronautas que habitarão
a estação, a partir de outubro.
Construída
para abrigar cientistas e pesquisas de novos medicamentos, a estação
espacial é um marco: nada tão grandioso já
foi feito fora da Terra. Ainda assim, trata-se de um projeto cercado
de ceticismo, controvérsia e dificuldades. As primeiras dúvidas
dizem respeito à sua utilidade, pois pesquisas médicas
podem ser feitas em terra a um custo bem menor. Outra questão
é a saúde dos astronautas. Uma pesquisa francesa divulgada
no início de julho demonstrou que longas estadas no espaço
podem causar graves danos ao sistema imunológico, provocados
pela falta de gravidade na reprodução celular. O impacto
é comparável ao da quimioterapia, que debilita o sistema
imunológico, e teme-se que possa ser irreversível
mesmo depois de o astronauta retornar ao solo. A acoplagem, de qualquer
forma, é um alívio e tanto para os cientistas americanos
que dirigem o projeto. Significa que a montagem da estação,
parada desde 1998, pode ser retomada.
Foram
quase dois anos de angústia, diante da possibilidade de os
russos, por falta de dinheiro, deixarem de fazer sua parte. O receio
de que a peça russa nunca ficasse pronta fez com que a Nasa
investisse 200 milhões de dólares em um módulo
reserva construído nos Estados Unidos. Resolvido o problema,
foi a vez de os foguetes destinados ao lançamento pifarem.
Durante meses os russos se viram às voltas com falhas que
atrasaram ainda mais o programa. Enquanto o dramalhão russo
não tinha um desfecho, a Nasa precisou realizar uma missão
de emergência do ônibus espacial para reparar os dois
módulos no espaço. Sem bateria, eles ameaçavam
cair na Terra. O escoadouro de dinheiro foi crescendo e já
se estima que o custo da estação possa chegar a 96
bilhões de dólares. De garantido, por enquanto, a
estação só terá a incomparável
vista da Terra pelas janelas.
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