A
17ª lua de Júpiter
Descoberto
um satélite anão girando
em torno do maior dos planetas

Bia
Barbosa
Infográficos sobre fotos Nasa
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Quando
Galileu Galilei apontou seu telescópio em direção
ao céu em 1610 e enxergou pontos de luz ao lado de Júpiter,
o maior planeta do sistema solar, acreditou ter encontrado quatro
novas estrelas. Eram quatro luas Io, Europa, Ganimedes e
Calisto , as maiores e as primeiras de uma longa série
de dezesseis satélites naturais. Na semana passada, depois
de 21 anos sem que outras luas fossem descobertas, pesquisadores
da Universidade do Arizona e do Observatório Astrofísico
Smithsonian, ambos nos Estados Unidos, encontraram a caçula
delas, a de número 17. Chamada provisoriamente de S/1999
J1, é minúscula, com apenas 5 quilômetros de
diâmetro, e está localizada a cerca de 24 milhões
de quilômetros do planeta. Essa distância equivale a
sessenta vezes a existente entre a Lua e a Terra, o que a torna
o mais afastado satélite de Júpiter. A nova lua é
também a menor já encontrada em todo o sistema solar.
Até hoje, a detentora do título era Deimos, de Marte,
com 12 quilômetros de diâmetro. Comparando grandezas,
é como se o homem tivesse descoberto um satélite terrestre
do tamanho de um morro como o Pão de Açúcar.
O pequeno corpo celeste foi encontrado por acaso no fim do ano passado,
quando astrônomos da Universidade do Arizona vasculhavam o
espaço em busca de novos asteróides. Os cientistas
acreditaram tratar-se de apenas mais um deles em sua viagem em torno
do Sol. Só agora, ao testarem um novo programa de computador
com as medições feitas no ano passado, os astrônomos
do Smithsonian perceberam que se tratava de uma luazinha de órbita
irregular em torno de Júpiter. Para calcular com mais precisão
sua trajetória e saber como é sua superfície,
serão necessárias outras observações.
Só depois disso é que a S/1999 J1 ganhará um
nome decente, digno de figurar ao lado das belas denominações
greco-romanas das demais luas, boa parte delas tiradas da coleção
de amantes de Júpiter, o mais poderoso dos deuses do panteão
romano. "Como se trata de um corpo muito pequeno, pesquisá-lo
será um grande desafio", diz Jim Scotti, do laboratório
lunar e planetário da Universidade do Arizona.
Entender Júpiter é uma tarefa complexa. Sabe-se que
é uma gigantesca esfera de gás, maior que todos os
outros planetas juntos. Seu diâmetro é de quase 143.000
quilômetros, onze vezes o da Terra. A superfície é
uma espessa camada gasosa, formada principalmente de hidrogênio
e hélio. Os gases que compõem a atmosfera são
responsáveis pelas belas manchas coloridas que caracterizam
o planetão e mudam de cor de acordo com sua posição
ao redor do Sol. No interior de Júpiter, a pressão
é tão alta que o hidrogênio se transforma de
gás em um líquido metálico, um excelente condutor
elétrico e origem do gigantesco campo magnético do
planeta. O fenômeno o transforma num imenso aspirador de pó,
capaz de atrair para sua órbita tudo o que passa ao redor.
Foi o que aconteceu com o cometa Shoemaker-Levy 9. Sugado pela gravidade
jupiteriana, destroçou-se sobre o gigante em 1994, abrindo
na camada de nuvens um rombo com duas vezes o tamanho da Terra.
O estrago foi grande o suficiente para ser observado da Terra por
telescópios amadores. Pela primeira vez os astrônomos
puderam medir e calcular o que acontece quando um cometa se choca
com um planeta e assim traçar cenários do que aconteceria
na Terra nas mesmas circunstâncias.
O efeito aspirador é uma das explicações para
tamanha quantidade de luas, provavelmente corpos estelares desgarrados
capturados ao se aproximar do planeta. São tantos satélites
que Júpiter forma uma espécie de minissistema solar,
batizado pelos cientistas de sistema joviano. Nele cabem anéis,
parecidos com os de Saturno, identificados em 1979, e satélites
como Io, que se descobriu ser cravejado de uma centena de vulcões
ativos cuspindo lava a 400 quilômetros de altura. Ou a lua
Europa, um planetóide congelado no qual se suspeita existir
um imenso oceano escondido sob uma camada de gelo de 15 quilômetros
de espessura. Com as análises feitas pela sonda Galileo nos
últimos meses, os cientistas concluíram que essa lua
pode ter os três ingredientes considerados essenciais para
a vida: uma fonte de energia, água líquida e moléculas
orgânicas. Antes, indícios de material orgânico,
a combinação de elementos químicos que pode
gerar vida, já haviam sido identificados em Calisto e Ganimedes.
Descobrir se existe alguma forma de vida em Europa é mais
um desafio científico a ser acrescentado à lista de
mistérios que envolvem a gigantesca bola de gás e
seus satélites.
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