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Edição 2067

2 de julho de 2008
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FILME

O Balão Vermelho/O Cavalo Branco (Le Ballon Rouge/Crin Blanc, França. Estréia nesta sexta-feira no país) – Fotógrafo que passou a se aventurar no cinema, o francês Albert Lamorisse criou um clássico perene com O Balão Vermelho, em que o "protagonista" do título segue como uma pincelada de cor um menino pelas ruas cinzentas de Paris, rebelando-se ambos contra as regras do mundo adulto. São 34 minutos de pleno encantamento (e de espanto, considerando que o diretor conseguiu o efeito de um balão tão lustroso e cheio de vontades, sem nem um fio à mostra ou truque que se possa adivinhar, em 1956). A sessão dupla é completada com outro média-metragem. Em O Cavalo Branco, feito três anos antes, o mesmo tema – de um menino que se afeiçoa a um símbolo de liberdade – é tratado de forma bem menos brincalhona: nas planícies do sul da França, um pequeno pescador cativa um cavalo selvagem, que é implacavelmente perseguido por homens que desejam domá-lo.

 

DISCOS

Sergio Sbragia
Zé Ramalho: nos anos 70, um inovador

Zé Ramalho da Paraíba, Zé Ramalho (Coqueiro Verde) – O cantor e compositor paraibano já foi um artista interessante. A prova está nessa coletânea dupla, que traz trechos de apresentações feitas entre 1973 e 1977. A qualidade do áudio às vezes deixa a desejar, mas a receita musical de Ramalho – que incluía música nordestina, psicodelia e rock pesado – até hoje permanece inovadora. O primeiro disco privilegia as canções mais raras de sua discografia. É o caso de Táxi Lunar, com uma letra diferente da versão gravada em estúdio, e do rock Brejo do Cruz. O segundo disco, por seu turno, traz alguns dos hits de sua carreira, como Admirável Gado Novo, aqui apresentado em uma bela versão acústica.

 

Divulgação


A dupla Kills: guitarra enfurecida e canções animadas

Midnight Boom, The Kills (EMI) – Nos últimos meses, a dupla formada pelo guitarrista inglês Jamie Hince e pela cantora americana Alison Mosshart freqüentou mais as páginas dos tablóides do que as dos semanários musicais. Isso porque Hince é o atual noivo da modelo Kate Moss, cujo talento para se envolver em encrencas é ainda superior ao seu talento nas passarelas. Em vista da qualidade do Kills, trata-se de uma pena. A dupla aproveita as melhores influências de nomes como The White Stripes (a guitarra enfurecida) e PJ Harvey (os vocais gritados) e acrescenta a elas uma bateria eletrônica inspirada no hip hop. O encontro desses elementos rende canções animadas, como Tape Song e Cheap and Cheerful.

 

DVD

O Retrato de Jennie (Portrait of Jennie, Estados Unidos, 1948. Versátil) – Um dos muitos desterrados alemães que fizeram carreira em Hollywood a partir dos anos 30, o diretor William Dieterle (1893-1972) tinha uma biografia romanesca: caçula de nove irmãos, foi pobre como rato de igreja e trabalhou em ferros-velhos antes de se tornar ator de teatro – e, depois, virar galã nos filmes do produtor Max Reinhardt e finalmente cineasta, função em que estreou dirigindo Marlene Dietrich. Apesar de seu pendor para o melodrama, Dieterle aproveitava em seus filmes muito de sua experiência pessoal e de sua convivência com os expressionistas alemães. Esses elementos é que distinguem este Retrato de Jennie, em que Jennifer Jones faz uma mulher misteriosa que inspira o pintor interpretado por Joseph Cotten e assim o tira da penúria.

 

LIVROS

Dulce Helfer/Ag.RBS
Noll: os desejos subterrâneos da meia-idade

Acenos e Afagos, de João Gilberto Noll (Record; 208 páginas; 32 reais) – Autor de Harmada e Fúria do Corpo, neste novo romance o gaúcho João Gilberto Noll narra a história de um homem de meia-idade em crise de consciência, que abandona uma vida monótona em Porto Alegre para buscar sua verdadeira identidade e suas paixões mais viscerais. Elementos de realismo e de loucura se misturam em descrições vívidas de sensações, cores, sentimentos, enquanto o protagonista por vezes se entrega à libido ou, em outros momentos, apenas fantasia a realização de seus desejos subterrâneos. Noll cria assim uma espécie de penumbra, na qual o homem aparece como um ser aprisionado pela moral. Leia trecho.

O Verão do Chibo, de Vanessa Bárbara e Emilio Fraia (Objetiva; 120 páginas; 23,90 reais) – O romance de estréia desses dois jovens jornalistas paulistanos, amigos de infância e colegas de universidade, trata dos ritos de passagem para a vida adulta. Entre homens barbudos de galochas, procissões de formigas suspeitas, besouros de personalidade forte e reis que moram dentro de laranjas gigantes, um garoto descreve suas aventuras, embrenhado num milharal com os amigos Cabelo e Bruno e seu irmão mais velho, Chibo. Ele não apenas recorda o sumiço repentino de Chibo, como percebe que também a sua infância está se perdendo com a chegada da adolescência.

 

 

 
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