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VEJA Recomenda FILME O Balão Vermelho/O Cavalo Branco (Le Ballon Rouge/Crin Blanc, França. Estréia nesta sexta-feira no país) Fotógrafo que passou a se aventurar no cinema, o francês Albert Lamorisse criou um clássico perene com O Balão Vermelho, em que o "protagonista" do título segue como uma pincelada de cor um menino pelas ruas cinzentas de Paris, rebelando-se ambos contra as regras do mundo adulto. São 34 minutos de pleno encantamento (e de espanto, considerando que o diretor conseguiu o efeito de um balão tão lustroso e cheio de vontades, sem nem um fio à mostra ou truque que se possa adivinhar, em 1956). A sessão dupla é completada com outro média-metragem. Em O Cavalo Branco, feito três anos antes, o mesmo tema de um menino que se afeiçoa a um símbolo de liberdade é tratado de forma bem menos brincalhona: nas planícies do sul da França, um pequeno pescador cativa um cavalo selvagem, que é implacavelmente perseguido por homens que desejam domá-lo.
DISCOS
Zé Ramalho da Paraíba, Zé Ramalho (Coqueiro Verde) O cantor e compositor paraibano já foi um artista interessante. A prova está nessa coletânea dupla, que traz trechos de apresentações feitas entre 1973 e 1977. A qualidade do áudio às vezes deixa a desejar, mas a receita musical de Ramalho que incluía música nordestina, psicodelia e rock pesado até hoje permanece inovadora. O primeiro disco privilegia as canções mais raras de sua discografia. É o caso de Táxi Lunar, com uma letra diferente da versão gravada em estúdio, e do rock Brejo do Cruz. O segundo disco, por seu turno, traz alguns dos hits de sua carreira, como Admirável Gado Novo, aqui apresentado em uma bela versão acústica.
Midnight Boom, The Kills (EMI) Nos últimos meses, a dupla formada pelo guitarrista inglês Jamie Hince e pela cantora americana Alison Mosshart freqüentou mais as páginas dos tablóides do que as dos semanários musicais. Isso porque Hince é o atual noivo da modelo Kate Moss, cujo talento para se envolver em encrencas é ainda superior ao seu talento nas passarelas. Em vista da qualidade do Kills, trata-se de uma pena. A dupla aproveita as melhores influências de nomes como The White Stripes (a guitarra enfurecida) e PJ Harvey (os vocais gritados) e acrescenta a elas uma bateria eletrônica inspirada no hip hop. O encontro desses elementos rende canções animadas, como Tape Song e Cheap and Cheerful.
DVD O Retrato de Jennie (Portrait of Jennie, Estados Unidos, 1948. Versátil) Um dos muitos desterrados alemães que fizeram carreira em Hollywood a partir dos anos 30, o diretor William Dieterle (1893-1972) tinha uma biografia romanesca: caçula de nove irmãos, foi pobre como rato de igreja e trabalhou em ferros-velhos antes de se tornar ator de teatro e, depois, virar galã nos filmes do produtor Max Reinhardt e finalmente cineasta, função em que estreou dirigindo Marlene Dietrich. Apesar de seu pendor para o melodrama, Dieterle aproveitava em seus filmes muito de sua experiência pessoal e de sua convivência com os expressionistas alemães. Esses elementos é que distinguem este Retrato de Jennie, em que Jennifer Jones faz uma mulher misteriosa que inspira o pintor interpretado por Joseph Cotten e assim o tira da penúria.
LIVROS
Acenos e Afagos, de João Gilberto Noll (Record; 208 páginas; 32 reais) Autor de Harmada e Fúria do Corpo, neste novo romance o gaúcho João Gilberto Noll narra a história de um homem de meia-idade em crise de consciência, que abandona uma vida monótona em Porto Alegre para buscar sua verdadeira identidade e suas paixões mais viscerais. Elementos de realismo e de loucura se misturam em descrições vívidas de sensações, cores, sentimentos, enquanto o protagonista por vezes se entrega à libido ou, em outros momentos, apenas fantasia a realização de seus desejos subterrâneos. Noll cria assim uma espécie de penumbra, na qual o homem aparece como um ser aprisionado pela moral. Leia trecho.
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