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Internacional A Coréia do Norte
dá um passo atrás em
Observada do espaço por satélites espiões, a fumaça que saía da torre de resfriamento do complexo de Yongbyon, na Coréia do Norte, era um dos poucos indícios concretos que o governo americano tinha das ambições atômicas do ditador Kim Jong-Il. O bizarro regime comunista, um dos mais fechados do mundo, fez o seu primeiro teste com um artefato nuclear em 2006, mas não se sabe quantas ogivas possui nem qual é sua capacidade de destruição. Na semana passada, dois acontecimentos começaram a dissipar parte da nebulosidade. Na quinta-feira, o governo norte-coreano entregou à China um relatório contendo o inventário de seu programa nuclear. No dia seguinte, redes de TV e fotógrafos estrangeiros ganharam uma inesperada autorização para entrar no país e registrar a implosão da torre de Yongbyon. A instalação nuclear serviu nos últimos anos para a produção de plutônio, um dos combustíveis para as armas atômicas, e foi desativada no ano passado. As medidas não eliminam a ameaça nuclear norte-coreana, mas dão acesso a informações úteis para Estados Unidos, China, Rússia, Coréia do Sul e Japão, que há seis anos tentam dissuadir o excêntrico Kim de seus projetos armamentistas. O próximo passo, mais difícil, é convencê-lo a desmantelar as ogivas que já construiu.
Inspetores internacionais agora terão 45 dias para analisar o relatório norte-coreano. Com base nessa avaliação, os Estados Unidos podem retirar as sanções econômicas contra o país. Se isso ocorrer, Kim estará em condições de solicitar empréstimos ao Banco Mundial e de receber mais ajuda humanitária internacional. Será um grande prêmio para um ditador cujos projetos só despertam suspeitas. Uma dúvida persistente diz respeito ao destino de 36 quilos de plutônio que Kim admitiu ter armazenado. Essa quantidade de material radioativo é suficiente para a montagem de dez bombas atômicas. Kim igualmente não revelou onde foi parar o urânio enriquecido que, acredita-se, seus cientistas produziram com equipamentos comprados do Paquistão. Mesmo amansado, o ditador continua um perigo para o mundo.
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