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Michelle Obama já
tem estilo de primeira-dama,
Apresentar uma imagem mais simpática e domesticada de Michelle tem levado essa mulher com altura e postura de modelo 1,80 metro, com salto médio e formada em Princeton e Harvard, as melhores universidades dos Estados Unidos (portanto, do mundo), a se passar por uma dona-de-casa comum, que fala de filhos e família, faz pequenas confidências (não usa meia-calça, imaginem só) e compra papel higiênico na Target, rede de lojas populares. Uma amiga deixou escapar que as duas foram assistir a Sex and the City "no primeiro dia". Não é coincidência que as roupas de Michelle tenham um arzinho de Sarah Jessica Parker, além das evidentes referências a Jacqueline Kennedy, ícone supremo de elegância. A mistura ficou patente no vestido de seda roxa (900 dólares, assinatura de Maria Pinto, estilista amiga de Chicago), complementado com colar de pérolas de bijuteria e cinto preto (Azzedine Alaïa), usado quando Obama se consolidou como o candidato democrata. Michelle tem um tremendo senso de estilo, mas evidentemente recebe ajuda profissional para se vestir como o que almeja ser: primeira-dama. Apesar do porte e do currículo, essa advogada de 44 anos, nascida Michelle LaVaughn Robinson, enfrenta mais problemas de aceitação que seu marido. Uma pesquisa recente indicou que 48% dos eleitores têm imagem favorável dela; 42%, desfavorável; e, mais significativo, 25% a vêem de maneira muito desfavorável (os números de Cindy McCain, a mulher do candidato republicano, foram de 49%, 29% e 10%, nas mesmas categorias). Michelle também é assombrada por uma frase dita durante a etapa da campanha em que Obama enfrentava Hillary Clinton e que parece ter sido encomendada pelos adversários do marido. "Pela primeira vez na minha vida adulta, eu realmente me orgulho do meu país" virou um infinitamente replicado mantra da oposição a Obama. Vai pegar? Pesquisadores e estudiosos do comportamento eleitoral tendem a concordar que é praticamente impossível reverter a onda pró-Obama (mas no começo dessa campanha todo mundo achava que os candidatos seriam Hillary Clinton e Rudy Giuliani, lembram-se?). As surpresas são tantas que outra pesquisa de opinião indicou que há mais eleitores (40%) preocupados com a idade do candidato do que com a cor (27%). Desse ponto de vista, o maior alvo de preconceito no momento seria John McCain, 71 anos, problemas de mobilidade por causa de ferimentos na Guerra do Vietnã, três melanomas. A idéia de que o alquebrado McCain vença o vigoroso Obama, 46 anos e aparência de dez a menos, dentes mais perfeitos do que os de toda a família Kennedy reunida, parece especialmente inconcebível para os simpatizantes do democrata no mundo do entretenimento e da moda. Anna Wintour, a diaba de Prada da revista Vogue, foi a uma festa de arrecadação na qual Michelle, de túnica e pantalona da cultuada Isabel Toledo, abafou. Depois, jantar no tríplex de Calvin Klein (10 000 dólares por cabeça). Nessas esferas, Obama já está eleito e a única e deliciosa dúvida remanescente é o que Michelle vai usar no dia da posse. Sem preocupação em fingir que não é da elite, só poderá ser alguma coisa espetacular, sonham os obamistas e fashionistas.
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