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Internacional A equipe de assessores
de um candidato serve de
Celebrado pelo talento retórico, o senador Barack Obama costuma usá-lo nos palanques tanto para inflamar as massas quanto para ocultar o biscoito fino. Obama não diz claramente se é contra ou a favor do livre-comércio ou das ações afirmativas. Mas, à medida que a campanha se desenrola, a cara de sua equipe é o que mais ajuda a dar alguma nitidez ao seu pensamento. Nos últimos dias, para decepção de uns e entusiasmo de outros, Obama passou a cercar-se de auxiliares do círculo de Bill e Hillary Clinton, ainda o casal mais poderoso do Partido Democrata. A nomeação mais significativa foi a do economista Jason Furman, que trabalhou na Casa Branca do ex-presidente e agora virou o manda-chuva das propostas econômicas de Obama. Furman tem 37 anos, vive flertando com a turma de Wall Street e já cobriu de elogios a política de salários baixos do Wal-Mart, para escândalo dos democratas puros-sangues. Mas ele não é o único que saiu da asa dos Clinton para aninhar-se sob Obama. Os principais auxiliares na área de política externa, tema quente em decorrência do desastre no Iraque, também saíram da seara dos Clinton. O mais experiente é Anthony Lake, 69 anos, conselheiro de segurança nacional de Clinton entre 1993 e 1997, período-chave durante o qual o mundo mudou com o desaparecimento da União Soviética e o ressurgimento da Rússia, sob o comando de Boris Ieltsin e seus vastos estoques de mercúrio (no humor) e de vodca (no fígado). Lake começou a carreira diplomática nos anos 60, foi auxiliar do embaixador americano em Saigon nos tempos em que o Vietnã fazia diferença e deixou o serviço diplomático porque discordava da invasão do Camboja e das bruxarias de Henry Kissinger, a quem acusou judicialmente de lhe aplicar um grampo telefônico e ganhou. Foi um dos primeiros democratas a enxergar valor em Obama. Nas primárias, apoiou-o desde o início. Converteu-se ao judaísmo em 2005, depois de ficar dois anos tomando café-da-manhã, todas as segundas-feiras, com um rabino conservador de Washington. Detesta o viés ideológico da atual política externa americana. Obama também conta com Susan Rice, outra que trabalhou com Clinton, cuidando dos assuntos da África. "Doutora Rice", como é chamada, apesar de sua ligação com os Clinton, preferiu alinhar-se a Obama desde o início. Ela se encantou com a crítica contundente do democrata à guerra do Iraque. No fim de 2002, doutora Rice carregava seu barrigão de nove meses para os palcos em que fazia eloqüentes discursos contra a guerra. Mirava o alvo: Bush estava confundindo Al Qaeda com Iraque. Seu poder cresceu quando Samantha Power deixou a campanha depois de chamar Hillary de "monstro". Samantha, ela sim, era um rosto novo em folha. Nasceu e viveu na Irlanda até os 9 anos de idade, quando imigrou para os EUA. Tornou-se uma inteligência arejada da academia americana e uma defensora original dos direitos humanos. Entende de guerras e genocídios, e esteve onde importa: Timor, Ruanda, ex-Iugoslávia, Sudão. Conheceu o brasileiro Sérgio Vieira de Mello, morto em Bagdá quando estava a serviço da ONU, e escreveu uma biografia dele que chegará ao Brasil em breve. Nada impede que, se Obama for eleito, ela tenha um cargo no governo. A composição da equipe de Obama pode servir de bússola para acompanhar o que o candidato pensa ou o tipo de governo que pretende fazer, mas recomenda-se que tais indícios não sejam levados à risca. Nem esse processo está imune às ambigüidades tão típicas do candidato. Na política externa, Obama misturou Lake com Samantha Power, que não são opostos, mas estão longe de ser índios da mesma tribo. Na economia, além de Furman, tem Austan Goolsbee, professor da Universidade de Chicago, Jared Bernstein, identificado com a esquerda, e James Galbraith, filho do famoso keynesiano John Kenneth Galbraith e seguidor das idéias do pai. Disso tudo pode sair muita coisa, menos clareza. A favor de Obama, seus auxiliares são unânimes em afirmar que o candidato tem uma cabeça excepcionalmente aberta e gosta de ouvir opiniões diferentes antes de decidir. O que parece ambigüidade, dizem eles, na verdade é flexibilidade. Pode ser, mas o fato é que Obama não é claro em certas questões pela razão de sempre dos políticos em eleição: ele quer agradar a todos. O democrata é menos ambíguo quando se trata de fazer o lobby dos produtores americanos de etanol de milho. "Não vale a pena substituir nossa dependência do petróleo pela dependência do etanol do Brasil", disse. Por enquanto sua campanha tem dado muito certo, e boa parte do sucesso é mérito de uma dupla de Davids. Um é David Axelrod, mestre em eleger políticos negros desde que orientou, em 1987, a reeleição de Harold Washington, o primeiro prefeito negro de Chicago. Depois disso, fez fila. Elegeu os prefeitos negros de Detroit, Cleveland, Houston, Filadélfia, Washington. O outro é David Plouffe, amigo e sócio de Axelrod. É o coordenador-geral da campanha. Seu jeito tímido e acanhado contrasta com o vozeirão de radialista. Atribui-se a ele a estratégia de romper com a tradição de concentrar a campanha nas primárias apenas nos estados decisivos, ignorando os pequenos. Essa estratégia deu a Obama uma seqüência avassaladora de onze vitórias, empinando o candidato. Gravitando em torno de todos está Valerie Jarrett, amiga de longa data e ex-presidente da Bolsa de Chicago. É a única pessoa com intimidade para dizer aos Obama as verdades que ninguém gosta de ouvir. Pairando sobre a constelação, está a mulher de Obama, Michelle. Ela não dá palpite na campanha, mas está sempre de olho na imagem do marido e tem sido uma presença para lá de cintilante na disputa.
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