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Brasil Depois de quatro meses
de impasse, Alckmin
O ex-governador paulista Geraldo Alckmin coleciona vitórias quando o assunto é a política interna do PSDB. Em 2006, ele emparedou José Serra e ficou com a vaga de candidato tucano à Presidência da República. A derrota sofrida para Lula parece não ter abalado seus brios. No último fim de semana, Alckmin mostrou que continua teimoso e bom de briga. Ele venceu a convenção do PSDB em São Paulo e impôs seu nome como candidato do partido à prefeitura da maior cidade do país. Para isso, teve de dobrar uma ala da legenda que defendia a tese de que os tucanos deveriam desistir da candidatura própria para apoiar o projeto de reeleição do atual prefeito, Gilberto Kassab, do DEM (veja a entrevista abaixo). Um dos que eram favoráveis à coligação com os democratas era o governador José Serra. Nos últimos anos, ele e Kassab construíram uma sólida parceria política. Em 2005, Serra se tornou prefeito tendo Kassab como vice. No ano seguinte, quando o tucano foi eleito governador, o democrata herdou o comando da prefeitura. No cargo, demonstrou fidelidade ao antecessor: manteve os tucanos na administração municipal, prestigiou os vereadores do PSDB e continuou a tratar Serra como chefe. Kassab também se revelou um administrador competente. Sua gestão é avaliada como boa ou ótima por 39% dos paulistanos (há pouco mais de um ano, esse porcentual era de 15%). Serra retribuiu a lealdade e o bom desempenho do prefeito abrindo espaço no governo estadual para outros políticos do DEM. Com isso, o governador cimentou o apoio dos democratas para a eleição presidencial de 2010, em que deverá ser o candidato do PSDB. Os planos políticos da dupla Serra-Kassab, no entanto, foram ignorados por Alckmin. Ele se agarrou à idéia de que é vital para os tucanos ter candidato próprio em São Paulo, porque considera a disputa uma espécie de tira-teima entre PT e PSDB. "Temos de impor um nocaute ao PT em São Paulo. Quem conquistar a prefeitura da cidade será o grande vitorioso das eleições", diz Alckmin. Os petistas compartilham dessa leitura. O partido escalou sua candidata mais forte para a disputa, a ex-prefeita Marta Suplicy. Hoje, ela lidera as pesquisas, com 31% das intenções de voto, contra 25% de Alckmin e 13% de Kassab, segundo o Ibope. O fato de Alckmin sair candidato não deve, no entanto, ser visto como uma derrota de Serra. Embora o governador preferisse a coligação com o DEM, ele não tentou impor sua vontade ao partido. Poderia tê-lo feito, mas preferiu afastar-se da disputa. Serra entendeu ser legítimo que tanto Alckmin quanto Kassab quisessem se candidatar. Ao agir com equilíbrio, conservou a lealdade do democrata, que se sentiu prestigiado, e aparentemente se aproximou de Alckmin. O desafio do PSDB, agora, será engajar na campanha municipal os tucanos que queriam apoiar Kassab. Alckmin já sabe que argumento usará para isso: "Minha vitória na eleição para a prefeitura de São Paulo fortalecerá a candidatura do Serra a presidente em 2010, já que mostrará a todo o país a força do PSDB de São Paulo". Veremos se o discurso é capaz de levantar a militância. E se Alckmin realmente se alinhará a Serra daqui a dois anos. Afinal de contas, o governador mineiro Aécio Neves, que também adoraria ser o candidato tucano à Presidência da República, continua a morar no seu coração.
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