|
Brasil O DEM decidiu
rejeitar a candidatura
No que depender da Justiça, portanto, as coisas deverão continuar como estão por mais algum tempo. Ocorre que, como ficou evidente neste mês, a criação de normas para uma melhor filtragem dos candidatos não precisa depender só do Judiciário: ela pode, e deve, ser assumida pelos partidos. "Cabe aos dirigentes partidários assumir que deixar de negar registro a algumas pessoas significa cumplicidade com as irregularidades que elas cometeram", afirma o presidente do TSE, ministro Carlos Ayres Britto, que foi voto vencido na decisão do tribunal de manter as regras de candidatura. Sobre o assunto, VEJA ouviu os presidentes dos principais partidos do país: PMDB, PSDB, DEM e PT. Todos concordam que é necessário usar uma peneira mais fina na seleção dos políticos que representarão suas siglas. Mas, por enquanto, apenas o DEM se mexeu para transformar a convicção em prática. Em resolução interna, o partido decidiu que não poderão participar de pleitos os filiados que respondem a processos por crimes hediondos ou dolosos contra a vida, os que tiverem tido suas contas rejeitadas pela Justiça em caráter definitivo e os que estejam sendo processados por crimes relativos ao mau uso do dinheiro público, desde que condenados em primeira instância. Trata-se de uma iniciativa louvável: se for cumprida com rigor, o DEM será o único partido brasileiro a oferecer, nas próximas eleições municipais, candidatos com garantia de ficha limpa.
Hoje, de cada dez congressistas, quatro respondem a ações judiciais por delitos graves (veja quadro abaixo). De um ponto de vista mais otimista, pode-se comemorar o fato de que, ao menos, os políticos e candidatos ao título estão sendo processados. Afinal, trata-se de uma etapa necessária para que se possa condenar e enjaular os culpados. Mas o Congresso já poderia oferecer um ar mais respirável caso a alegada disposição dos partidos em melhorar a qualidade de seus representantes tivesse se manifestado antes. A Câmara, por exemplo, teria evitado o constrangimento de ter na presidência do Conselho de Ética alguém como o deputado Sérgio Moraes (PTB-RS), cujo currículo se assemelha a um prontuário policial. O espantoso é que a lei já foi mais leniente para com os fichas-sujas. "Até a Constituição de 1988, acusados de crimes não só podiam concorrer a eleições como, em caso de vitória, tinham os processos suspensos durante o mandato. Com a nova Carta, as ações passaram a transcorrer normalmente ainda que em foro privilegiado", explica o advogado Everson Tobaruela. Tramita agora no Senado uma proposta que pretende vetar a candidatura de acusados de delitos graves, mesmo que sem condenação em primeira instância. "Queremos estabelecer a obrigatoriedade de um candidato ter reputação ilibada", diz o senador Demóstenes Torres (DEM-GO). Enquanto isso não ocorre, nada impede que os partidos, a exemplo do DEM, arregacem as mangas e invistam numa autolimpeza já. A safra das eleições de outubro seria saudável como poucas. Com reportagem de Renata Moraes
|
|
|
VEJA | Veja São Paulo | Veja Rio | Expediente | Fale conosco | Anuncie | Newsletter | ![]() |
|