Edição 1809 . 2 de julho de 2003

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CINEMA

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Paraíso: além das aparências


Longe do Paraíso
(Far from Heaven, Estados Unidos, 2002. Estréia nesta sexta-feira no país) – Na Hollywood dos anos 50, o diretor alemão Douglas Sirk (1897-1987) foi mestre de um gênero ridicularizado: o tipo de melodrama que viria a ser chamado de "filme de mulher". Sob aparente frivolidade, contudo, Sirk revelou como poucos a distância entre os ideais de perfeição que a América se impunha no pós-guerra e os verdadeiros desejos e insatisfações de seus habitantes. Ele deleitava a platéia com as roupas, as casas e o estilo de vida dessa América supostamente perfeita, ao mesmo tempo em que mostrava o quanto esses elementos formavam uma armadilha asfixiante. É isso também o que faz o diretor americano Todd Haynes em Longe do Paraíso. No filme, Julianne Moore é uma dona-de-casa-modelo, casada com um executivo que é um pilar da comunidade (Dennis Quaid). Seria perfeito, não fosse o fato de seu marido ser um homossexual que cada vez menos consegue sufocar suas preferências. À medida que seu casamento desaba, Cathy se interessa mais e mais por seu jardineiro (Dennis Haysbert), que é negro. Tudo aí leva ou à ruptura, ou ao escândalo, ou à insatisfação. Uma homenagem belíssima a Sirk e a um momento muito menosprezado do cinema americano.

 

LIVROS

O Amor Mascarado (tradução de Carlos Ancêde Nougué; Bom Texto; 142 páginas; 30 reais) e A Obra-Prima Ignorada (tradução de Teixeira Coelho; Comunique; 141 páginas; 22 reais) – O francês Balzac esteve entre os fundadores da ficção realista. Compôs A Comédia Humana, ciclo com cerca de noventa romances e novelas interligados, que compõe um painel completo da vida francesa no século XIX. Esses lançamentos são peças menores em sua obra, mas não insignificantes. O Amor Mascarado serviu de presente a uma duquesa, em cuja biblioteca acabou perdido. Na França, só foi redescoberto em 1911. No Brasil, nunca havia sido traduzido. A Obra-Prima Ignorada tem por tema a criação artística – e por isso mesmo fascinou grandes pintores, como Cézanne e Picasso. Faz parte da Comédia Humana, mas jamais havia saído aqui numa edição independente. Leia trechos.

O Gabinete Secreto, de Stephen Frey (tradução de Luiz Antônio Oliveira de Araújo; Best Seller; 320 páginas; 36 reais) – O americano Stephen Frey trabalhou na corretora de valores J.P. Morgan e foi vice-presidente de um banco alemão. Ao voltar-se para a carreira literária, seguiu aquela velha regra segundo a qual é melhor escrever sobre aquilo que se conhece bem. Tornou-se dessa maneira o nome mais importante numa subdivisão recente da literatura de entretenimento, o "thriller financeiro". Seus romances, todos eles best-sellers nos Estados Unidos, lidam com o alto mundo dos bancos e firmas de investimento. Nesse livro, ele se debruça sobre casos de corrupção envolvendo a indústria bélica e senadores americanos.

 

TELEVISÃO

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Robert Capa: o bonitão teve um caso com Ingrid Bergman


No Amor e na Guerra: Um Retrato de Robert Capa
(sexta-feira, às 22h, no Cinemax) – Robert Capa foi o maior fotógrafo de guerra de todos os tempos. Produziu, entre outros, os registros mais eloqüentes da Guerra Civil Espanhola. Esse documentário inédito traz depoimentos do cineasta Steven Spielberg, que utilizou suas fotografias para reconstituir o Dia D em O Resgate do Soldado Ryan, e do francês Henri Cartier-Bresson, com quem fundou a agência Magnum. No aspecto pessoal, lembra o caso que o bem-apessoado Capa teve com a atriz Ingrid Bergman. Ele dizia que se a foto de uma batalha não ficava boa era porque o fotógrafo não havia chegado perto o suficiente para clicá-la. Essa ânsia por estar próximo dos acontecimentos acabou sendo fatal: Capa morreu aos 40 anos, na Indochina, ao pisar numa mina.

 

DVDS


Led Zeppelin & How the West Was Won, Led Zeppelin (WEA) – O crítico inglês Nick Kent comparou as apresentações do Led Zeppelin com as batalhas e as pilhagens travadas pelo exército de Gengis Khan. Toda a energia e toda a volúpia da banda, uma das maiores da década de 70, ficam evidentes nesse pacote com DVD duplo e CD triplo, respectivamente. O DVD traz material raro, como uma gravação pirata de um show histórico em Earls Court (Londres), em 1975. Não há como não delirar com o "momento acústico" que inclui Going to California e That's the Way. O CD How the West Was Won traz algumas das melhores performances do grupo, como os 23 minutos de Whole Lotta Love na versão gravada em Los Angeles, em 1972.

 

DISCOS

 
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Stereo Total: pop erótico  

Party Anticonformista, Stereo Total (Bizarre Music) – À primeira vista, uma simbiose entre a chanson francesa e a sonoridade eletrônica alemã pode parecer bizarra. Mas o casal Françoise Cactus (vocais) e Brezel Goring (teclados), líderes do Stereo Total, estão distantes da esquisitice. No som deles predominam influências do pop francês dos anos 60 e do new wave dos anos 80, temperadas por letras ora sensuais, ora bem-humoradas. As 29 (isso mesmo, 29) faixas de Party Anticonformista trazem as diversas fases do grupo, que nasceu em Berlim em meados da década passada. O grande hit é L'Amour a 3, faixa que poderia muito bem ter sido escrita por Serge Gainsbourg (o autor da clássica canção brega-erótica Je T'Aime Moi Non Plus). Ela aparece no disco inclusive numa versão em português, gravada para o mercado brasileiro.

Bugalu, Lulu Santos (BMG Brasil) – Certos artistas têm vergonha de admitir que fazem música pop para consumo imediato. Acreditam que isso torna o seu trabalho menos digno. Lulu Santos não pertence a essa categoria. Sem medo de ser feliz, ele cria canções para dançar e namorar. Bugalu, seu novo disco, é o trabalho mais bem-sucedido do cantor em anos. Lulu retoma a parceria com o DJ e produtor Memê, com quem burilou Assim Caminha a Humanidade (1994). Bugalu traz citações musicais (Leite e Mel utiliza a mesma introdução de On Broadway, que o guitarrista George Benson gravou em 1977), além de baladas soul influenciadas por Tim Maia e astros do rhythm'n'blues americano (a melhor delas é As Escolhas).

 

Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Fnac, Nobel, Siciliano; Rio: Saraiva, Nobel, Laselva, Sodiler, Siciliano, Argumento, Travessa; Porto Alegre: Saraiva, Nobel, Livraria Ed. Porto Alegre, Siciliano; Brasília: Sodiler, Nobel, Siciliano, Saraiva, Leitura; Recife: Sodiler, Nobel, Saraiva, Siciliano; Natal: Nobel, Sodiler; Florianópolis: Siciliano; Goiânia: Siciliano, Nobel; Fortaleza: Siciliano, Laselva, Nobel; Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano, Saraiva; Belo Horizonte: Siciliano, Nobel, Leitura; Maceió: Sodiler, Nobel
 
 
 
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