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VEJA
Recomenda
CINEMA
Divulgação
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| Paraíso:
além das aparências |
Longe do Paraíso (Far from Heaven, Estados
Unidos, 2002. Estréia nesta sexta-feira no país)
Na Hollywood dos anos 50, o diretor alemão Douglas Sirk (1897-1987)
foi mestre de um gênero ridicularizado: o tipo de melodrama
que viria a ser chamado de "filme de mulher". Sob aparente frivolidade,
contudo, Sirk revelou como poucos a distância entre os ideais
de perfeição que a América se impunha no pós-guerra
e os verdadeiros desejos e insatisfações de seus habitantes.
Ele deleitava a platéia com as roupas, as casas e o estilo
de vida dessa América supostamente perfeita, ao mesmo tempo
em que mostrava o quanto esses elementos formavam uma armadilha
asfixiante. É isso também o que faz o diretor americano
Todd Haynes em Longe do Paraíso. No filme, Julianne
Moore é uma dona-de-casa-modelo, casada com um executivo
que é um pilar da comunidade (Dennis Quaid). Seria perfeito,
não fosse o fato de seu marido ser um homossexual que cada
vez menos consegue sufocar suas preferências. À medida
que seu casamento desaba, Cathy se interessa mais e mais por seu
jardineiro (Dennis Haysbert), que é negro. Tudo aí
leva ou à ruptura, ou ao escândalo, ou à insatisfação.
Uma homenagem belíssima a Sirk e a um momento muito menosprezado
do cinema americano.
LIVROS
O
Amor Mascarado (tradução de Carlos Ancêde
Nougué; Bom Texto; 142 páginas; 30 reais) e A
Obra-Prima Ignorada (tradução de Teixeira
Coelho; Comunique; 141 páginas; 22 reais) O francês
Balzac esteve entre os fundadores da ficção realista.
Compôs A Comédia Humana, ciclo com cerca de
noventa romances e novelas interligados, que compõe um painel
completo da vida francesa no século XIX. Esses lançamentos
são peças menores em sua obra, mas não insignificantes.
O Amor Mascarado serviu de presente a uma duquesa, em cuja
biblioteca acabou perdido. Na França, só foi redescoberto
em 1911. No Brasil, nunca havia sido traduzido. A Obra-Prima
Ignorada tem por tema a criação artística
e por isso mesmo fascinou grandes pintores, como Cézanne
e Picasso. Faz parte da Comédia Humana, mas jamais
havia saído aqui numa edição independente.
Leia
trechos.
O
Gabinete Secreto, de Stephen Frey (tradução
de Luiz Antônio Oliveira de Araújo; Best Seller; 320
páginas; 36 reais) O americano Stephen Frey trabalhou
na corretora de valores J.P. Morgan e foi vice-presidente de um
banco alemão. Ao voltar-se para a carreira literária,
seguiu aquela velha regra segundo a qual é melhor escrever
sobre aquilo que se conhece bem. Tornou-se dessa maneira o nome
mais importante numa subdivisão recente da literatura de
entretenimento, o "thriller financeiro". Seus romances, todos eles
best-sellers nos Estados Unidos, lidam com o alto mundo dos bancos
e firmas de investimento. Nesse livro, ele se debruça sobre
casos de corrupção envolvendo a indústria bélica
e senadores americanos.
TELEVISÃO
Divulgação
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| Robert
Capa: o bonitão teve um caso com Ingrid Bergman
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No Amor e na Guerra: Um Retrato de Robert Capa (sexta-feira,
às 22h, no Cinemax) Robert Capa foi o maior fotógrafo
de guerra de todos os tempos. Produziu, entre outros, os registros
mais eloqüentes da Guerra Civil Espanhola. Esse documentário
inédito traz depoimentos do cineasta Steven Spielberg, que
utilizou suas fotografias para reconstituir o Dia D em O Resgate
do Soldado Ryan, e do francês Henri Cartier-Bresson, com
quem fundou a agência Magnum. No aspecto pessoal, lembra o
caso que o bem-apessoado Capa teve com a atriz Ingrid Bergman. Ele
dizia que se a foto de uma batalha não ficava boa era porque
o fotógrafo não havia chegado perto o suficiente para
clicá-la. Essa ânsia por estar próximo dos acontecimentos
acabou sendo fatal: Capa morreu aos 40 anos, na Indochina, ao pisar
numa mina.
DVDS
Led
Zeppelin & How the West Was Won, Led Zeppelin (WEA)
O crítico inglês Nick Kent comparou as apresentações
do Led Zeppelin com as batalhas e as pilhagens travadas pelo exército
de Gengis Khan. Toda a energia e toda a volúpia da banda,
uma das maiores da década de 70, ficam evidentes nesse pacote
com DVD duplo e CD triplo, respectivamente. O DVD traz material
raro, como uma gravação pirata de um show histórico
em Earls Court (Londres), em 1975. Não há como não
delirar com o "momento acústico" que inclui Going to California
e That's the Way. O CD How the West Was Won traz algumas
das melhores performances do grupo, como os 23 minutos de Whole
Lotta Love na versão gravada em Los Angeles, em 1972.
DISCOS
Divulgação
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| Stereo
Total: pop erótico |
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Party
Anticonformista, Stereo Total (Bizarre Music) À
primeira vista, uma simbiose entre a chanson francesa e a
sonoridade eletrônica alemã pode parecer bizarra. Mas
o casal Françoise Cactus (vocais) e Brezel Goring (teclados),
líderes do Stereo Total, estão distantes da esquisitice.
No som deles predominam influências do pop francês dos
anos 60 e do new wave dos anos 80, temperadas por letras ora sensuais,
ora bem-humoradas. As 29 (isso mesmo, 29) faixas de Party Anticonformista
trazem as diversas fases do grupo, que nasceu em Berlim em meados
da década passada. O grande hit é L'Amour
a 3, faixa que poderia muito bem ter sido escrita
por Serge Gainsbourg (o autor da clássica canção
brega-erótica Je T'Aime Moi Non Plus). Ela aparece
no disco inclusive numa versão em português, gravada
para o mercado brasileiro.
Bugalu,
Lulu Santos (BMG Brasil) Certos artistas têm vergonha
de admitir que fazem música pop para consumo imediato. Acreditam
que isso torna o seu trabalho menos digno. Lulu Santos não
pertence a essa categoria. Sem medo de ser feliz, ele cria canções
para dançar e namorar. Bugalu, seu novo disco, é
o trabalho mais bem-sucedido do cantor em anos. Lulu retoma a parceria
com o DJ e produtor Memê, com quem burilou Assim Caminha
a Humanidade (1994). Bugalu traz citações
musicais (Leite e Mel utiliza a mesma introdução
de On Broadway, que o guitarrista George Benson gravou em
1977), além de baladas soul influenciadas por Tim Maia e
astros do rhythm'n'blues americano (a melhor delas é As
Escolhas).
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