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Moda
Cavaleiros do pop
Irreverente e antenada, a roupa
da Cavalera fala a linguagem
jovem e todo mundo entende

Bel
Moherdaui
Fotos Sérgio de Divitiis/Pedro Rubens
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| Prévias
do desfile de encerramento da São Paulo Fashion Week:
viagem a uma Índia moderna |
O
tema já foi "A lua-de-mel da Monga com o King Kong no Havaí",
eles já levaram Francisco Cuoco e Tony Tornado para a passarela.
Mais recentemente, remontaram a festa do filme Bonequinha de
Luxo em um apartamento todo estampado de panteras cor-de-rosa.
Em matéria de desfile, não faltam temas engraçados
e criatividade na marca de moda jovem Cavalera. Tanto que, na São
Paulo Fashion Week que começa nesta segunda-feira, a grife
tem lugar de honra na agenda: será a última a se apresentar,
fechando a semana. Não é só em desfiles que
a Cavalera se destaca. Das prateleiras da butique de luxo Daslu
aos cabides de alguma loja na fronteira com o Uruguai, a marca,
que cresce a uma média de 20% ao ano, está presente
em mais de 400 pontos-de-venda e em cinco lojas próprias.
Isso, a Cavalera oficial; a pirata freqüenta bancas de camelôs
pelo Brasil todo um atestado definitivo de que caiu no gosto
da meninada. Sem poder ainda ser considerada uma marca das grandes,
o crescimento impressiona, num setor que passa por momento difícil.
"O Brasil todo está retraído e a moda também
está sofrendo", comenta Walter Rodrigues, primeiro da relação
de três estilistas a desistir em cima da hora de mostrar sua
coleção de verão na Fashion Week. "A cada estação
são lançados cinco ou seis novos nomes na moda. A
luta por patrocínio está feroz", diz ele. E qual o
segredo do sucesso da Cavalera, apesar de tudo isso? "Falar a linguagem
dos jovens de uma forma muito direta", analisa o estilista André
Lima, que hoje tem marca própria, mas já trabalhou
lá. Nas vitrines, a tradução disso é
um streetwear, como se chama seu estilo, irreverente e antenado
com o público-alvo.
Marcia Fasoli
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Divulgação
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| Idéias
copiadas: fênix de duas cabeças e estampa de macaco
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A
Cavalera nasceu em 1995, parceria do baterista da banda Sepultura,
Igor Cavalera, com o empresário e deputado estadual paulista
Alberto Hiar, o Turco Loco. "A base do conceito era o movimento
jovem, mas não tão fashion ou engraçado como
hoje. Era mais ligado em música e esportes", conta Fernando
Sommer, o primeiro estilista da marca. A parceria acabou no ano
passado e dela só restam o nome e uma briga na Justiça,
que nenhuma das partes se arrisca a comentar. Com André Lima
e, principalmente, Thais Losso, a atual criadora, a grife se firmou
no caminho da irreverência e ligação com o mundo
dos "modernos". É de André, por exemplo, a estampa
da fênix de duas cabeças, que dez entre dez camelôs
do ramo adoram. Thais, por sua vez, bolou os "enredos", como a história
de amor da Monga com King Kong, outro hit da marca. "Fico com a
antena ligada o tempo todo. Gosto que minha equipe esteja sensível
ao comportamento jovem. É importante conhecer clubes, ir
a shows, festas, festivais. Tem de estar na rua, ler e pesquisar
muito", diz Thais, 28 anos, louca por televisão "de
novelas a Ana Maria Braga e desenho animado". A mistura funciona
bem. "Thais Losso é o nosso Marc Jacobs. Ela faz a roupa
que as meninas querem vestir para estar na moda", elogia a consultora
Gloria Kalil. Para quem ficou curioso sobre o desfile do próximo
sábado, a Cavalera dá uma indicação
nas fotos desta reportagem e adianta: vai levar a Índia para
a passarela. Mas nada de sáris de seda. Promete, isso sim,
muito Ganesh (o simpático deus-elefante), pequenos Gandhis
e Bollywood. E, de quebra, Elvis Presley e Superman, para manter
a temperatura pop no ponto.
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