Edição 1809 . 2 de julho de 2003

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Moda
Cavaleiros do pop

Irreverente e antenada, a roupa
da Cavalera fala a linguagem
jovem – e todo mundo entende


Bel Moherdaui

 
Fotos Sérgio de Divitiis/Pedro Rubens
Prévias do desfile de encerramento da São Paulo Fashion Week: viagem a uma Índia moderna

Outras fotos

O tema já foi "A lua-de-mel da Monga com o King Kong no Havaí", eles já levaram Francisco Cuoco e Tony Tornado para a passarela. Mais recentemente, remontaram a festa do filme Bonequinha de Luxo em um apartamento todo estampado de panteras cor-de-rosa. Em matéria de desfile, não faltam temas engraçados e criatividade na marca de moda jovem Cavalera. Tanto que, na São Paulo Fashion Week que começa nesta segunda-feira, a grife tem lugar de honra na agenda: será a última a se apresentar, fechando a semana. Não é só em desfiles que a Cavalera se destaca. Das prateleiras da butique de luxo Daslu aos cabides de alguma loja na fronteira com o Uruguai, a marca, que cresce a uma média de 20% ao ano, está presente em mais de 400 pontos-de-venda e em cinco lojas próprias. Isso, a Cavalera oficial; a pirata freqüenta bancas de camelôs pelo Brasil todo – um atestado definitivo de que caiu no gosto da meninada. Sem poder ainda ser considerada uma marca das grandes, o crescimento impressiona, num setor que passa por momento difícil. "O Brasil todo está retraído e a moda também está sofrendo", comenta Walter Rodrigues, primeiro da relação de três estilistas a desistir em cima da hora de mostrar sua coleção de verão na Fashion Week. "A cada estação são lançados cinco ou seis novos nomes na moda. A luta por patrocínio está feroz", diz ele. E qual o segredo do sucesso da Cavalera, apesar de tudo isso? "Falar a linguagem dos jovens de uma forma muito direta", analisa o estilista André Lima, que hoje tem marca própria, mas já trabalhou lá. Nas vitrines, a tradução disso é um streetwear, como se chama seu estilo, irreverente e antenado com o público-alvo.

 
Marcia Fasoli
Divulgação
Idéias copiadas: fênix de duas cabeças e estampa de macaco

A Cavalera nasceu em 1995, parceria do baterista da banda Sepultura, Igor Cavalera, com o empresário e deputado estadual paulista Alberto Hiar, o Turco Loco. "A base do conceito era o movimento jovem, mas não tão fashion ou engraçado como hoje. Era mais ligado em música e esportes", conta Fernando Sommer, o primeiro estilista da marca. A parceria acabou no ano passado e dela só restam o nome e uma briga na Justiça, que nenhuma das partes se arrisca a comentar. Com André Lima e, principalmente, Thais Losso, a atual criadora, a grife se firmou no caminho da irreverência e ligação com o mundo dos "modernos". É de André, por exemplo, a estampa da fênix de duas cabeças, que dez entre dez camelôs do ramo adoram. Thais, por sua vez, bolou os "enredos", como a história de amor da Monga com King Kong, outro hit da marca. "Fico com a antena ligada o tempo todo. Gosto que minha equipe esteja sensível ao comportamento jovem. É importante conhecer clubes, ir a shows, festas, festivais. Tem de estar na rua, ler e pesquisar muito", diz Thais, 28 anos, louca por televisão – "de novelas a Ana Maria Braga e desenho animado". A mistura funciona bem. "Thais Losso é o nosso Marc Jacobs. Ela faz a roupa que as meninas querem vestir para estar na moda", elogia a consultora Gloria Kalil. Para quem ficou curioso sobre o desfile do próximo sábado, a Cavalera dá uma indicação nas fotos desta reportagem e adianta: vai levar a Índia para a passarela. Mas nada de sáris de seda. Promete, isso sim, muito Ganesh (o simpático deus-elefante), pequenos Gandhis e Bollywood. E, de quebra, Elvis Presley e Superman, para manter a temperatura pop no ponto.

 
 
 
 
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