Edição 1809 . 2 de julho de 2003

Índice
Brasil
Geral
Economia e Negócios
Guia
Artes e Espetáculos
Luiz Felipe de Alencastro
Sérgio Abranches
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Holofote
Contexto
Veja essa
Arc
Gente
Datas
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
 
 

Cartas

 
"Parabéns pela reportagem de capa. Está impecável, e sem a chatice dos politicamente corretos."
Paulo Pita, 19 anos, gay
Por e-mail

 

Homossexualidade

Maravilhosa a reportagem "A força do arco-íris" (25 de junho), sobre os gays, que podem ser vistos como escravos contemporâneos presos às correntes do preconceito e torturados pelo chicote da intolerância. A auto-aceitação é o primeiro passo para a liberdade social e sexual.
Davi Moreira dos Santos
Juazeiro do Norte, CE

Hoje em dia, nossa situação é privilegiada em relação ao passado, mas há muito a ser feito. Apesar de o assunto não ser mais tratado com tanta indignação pela sociedade e pelo comércio, o público homossexual ainda se concentra muito em guetos – agora bem maiores. Ainda não se vêem cenas como as de Nova York ou São Francisco, onde casais caminham juntos normalmente. Tenho 24 anos e moro há dois com meu namorado. Ficamos extremamente admirados pela seriedade da reportagem.
Roberto César Ferreira
São Paulo, SP

A abordagem séria traz o registro de uma grande parcela da população que almeja, simplesmente, o exercício pleno da cidadania. O "sair do armário" tem sido constante no movimento homossexual, para que possamos, visíveis, fazer valer nossos direitos. Estamos construindo nossa história e refletindo sobre um novo cenário cultural em nossa sociedade.
Cleisemery Campos da Costa
Fundadora do Grupo Cidadania Gay
São Gonçalo, RJ

Os gays acabam por vencer todos os tabus. Já não se encontram trancafiados nos armários, apenas se escondem atrás das cortinas do preconceito.
A. Auggusto João
São Paulo, SP

Sou professora, minha companheira é psicóloga, moramos juntas há quase cinco anos, com a ciência e aprovação de nossos pais, irmãos e filhos. Fundamos, na internet, o movimento Famílias Alternativas, já com 65 membros. Nosso objetivo é sermos consideradas uma família como outra qualquer, tanto nós como outros pares que têm um relacionamento estável, com filhos do primeiro casamento, adotivos etc. Já que vivemos os mesmos problemas (ou ainda maiores) e prazeres de qualquer casal, queremos os mesmos direitos. Inclusive que nossos filhos sejam respeitados pelos professores e amigos. Felizmente, tudo está mudando para melhor, e a reportagem mostra bem isso. Parabéns a VEJA e, de forma especial, à repórter Camila Antunes.
Fulvia Margotti
Limeira, SP

Cada gay assumido sabe bem a dor e a delícia de ser o que é. Um abraço colorido, VEJA!
Junior Pecorelle
Por e-mail

Todo ser humano merece ter o direito de se casar com quem ama, independentemente do sexo. Sou contra qualquer tipo de preconceito e discriminação. Por que eu posso andar na rua de mãos dadas com meu namorado e uma outra mulher não pode dar a mão para sua amada? Os homossexuais estão apenas buscando ser felizes.
Luiza Mello de Freitas
Rio de Janeiro, RJ

Apesar de toda a modernidade que VEJA mostrou, ainda penso como o cantor Falcão: homem é homem, menino é menino... Basta de exaltar as qualidades desse pessoal pirotécnico.
Roberto Araujo
Por e-mail

Fiquei decepcionada ao ver a reação de meus pais quando viram a capa "Gays – A vida fora do armário" (25 de junho). Imaginava que, pelo fato de VEJA ser tão apreciada aqui em casa, o assunto pudesse ser tratado com maior naturalidade, mas infelizmente não foi isso que aconteceu. É frustrante a mistura de sentimentos envolvidos quando alguém consegue admitir a si mesmo que é gay. No entanto, a maior dificuldade não está em admitir a si mesmo, e sim em saber se, ao fazer isso, a pessoa estará se encontrando ou se perdendo, já que vivemos em uma sociedade tão austera.
Eliane Pereira
Por e-mail

A visão da cultura ocidental em relação à homossexualidade baseia-se na premissa de uma "sexualidade normal". Esta, por sua vez, é sustentada pelo discurso judaico-cristão, que defende que a sexualidade deve estar a serviço da reprodução. Ainda que isso possa ser verdadeiro no mundo animal, não se aplica aos humanos, que usam de inúmeros recursos justamente para separar reprodução e prazer. Tanto a homossexualidade quanto a heterossexualidade são manifestações legítimas da sexualidade humana. Tentar encontrar a causa da homossexualidade é tão absurdo quanto tentar encontrar a da heterossexualidade: o que determina a maneira de cada ser humano viver sua sexualidade é o resultado de um trajeto identificatório pessoal, que começa no início da vida, sendo, por isso, sempre único.
Paulo Roberto Ceccarelli
Psicólogo, psicanalista, doutor em psicopatologia fundamental
Belo Horizonte, MG

É uma vergonha imensa para os pais verem seus filhos adentrar por um caminho que com certeza Deus não prescreveu na criação. Acordem! É tempo de mudar.
Eliana F. Dias
Atibaia, SP

Não tenho nada contra os homossexuais, desde que haja uma relação de respeito deles para com a sociedade. Sou pai, tenho dois filhos, repudio a idéia de um dia estar em um shopping center, cinema, supermercado etc. e ter de presenciar, com meus filhos, cenas de carícias explícitas entre duas pessoas do mesmo sexo. Poupem-nos desse constrangimento!
Carlos Barbosa da Costa
Pedro Leopoldo, MG

Meu filho único foi criado de modo a sempre contar com meu amor e compreensão. Na adolescência, certo dia se atirou em prantos em meus braços "confessando" sua propensão à homossexualidade. Secretamente eu guardava suspeitas pelos trejeitos observados quando garotinho, o que consegui corrigir. Sufocando o choque e as lágrimas, pois até então eu desconhecia a realidade, aconcheguei-o ao peito e conversamos abertamente sobre o assunto. Falamos inclusive da possibilidade da relação homem-mulher, o que ele já tentara. Mas sua decisão era inabalável. Prevaleceu daí a razão em favor do que lhe fora predestinado, pois assim creio ser. Quem escreve é uma mãe que vê seu filho feliz, que o ampara e que não se envergonha nem o repudia, simplesmente porque conhece o sentido verdadeiro da palavra amor.
Victoria
Londrina, PR

 

Edward Said

A bela e comovente entrevista concedida a VEJA pelo professor Edward Said (Amarelas, 25 de junho) mostra com extrema crueza a saga dolorosa do bravo povo palestino.
Waldo Claro
Jaú, SP

Foi por intermédio da leitura instigante do livro Orientalismo, de Edward Said, há alguns anos, que fui capaz de avaliar criticamente as representações ocidentais, formuladas por ocidentais, nas análises sobre o Oriente. Fundadas num estranhamento e no vilipêndio de uma cultura diferente e com um olhar deturpado, carregado de preconceitos e de menosprezo a um povo culturalmente diferente, foi possível contaminar a história, as artes e a literatura, transformando os orientais numa caricatura de povo selvagem e atrasado.
Ângela Luiza S. Bonacci
Pindamonhangaba, SP

A entrevista com Edward Said mostra que o holocausto do povo palestino está longe de acabar. O que se vê hoje parece vir das páginas do Antigo Testamento, quando os profetas diziam que Deus lhes ordenava passar todos os inimigos, os infiéis, a fio de espada, exterminando povos inteiros. Mudaram os tempos, mas as mentalidades continuam as mesmas. Faz-se necessário que os poderosos do mundo ponham os dois lados sentadinhos e lhes mostrem o que deve ser feito, a fim de que pare esse genocídio escabroso de inocentes, a bem da verdade, dos dois lados. Agora, não há profetas nem um Deus cruel que mandem exterminar. Basta de sangue naquelas terras, tão encharcadas do precioso líquido.
Alfredo Scottini
Blumenau, SC

 

Stephen Kanitz

Simplesmente genial o texto de Kanitz, intitulado "Não é fácil ser pai" (e, aqui, leia-se mãe!). Já fiz cópias para minhas três filhas para que possam ler com muita atenção. Realmente, a gente trabalha pra caramba, e esse 'caramba' é o Estado sugador. Impostos que nos angustiam e nos sufocam e contra os quais não podemos lutar. A dica para os filhos nos motivarem com beijos, carinhos, valeu mesmo!
Mariza Viecili
Balneário Camboriú, SC

Brilhante o texto de Stephen Kanitz. Como pai de duas famílias (a minha e o governo), só não pago imposto pelos beijos que recebo de meus filhos.
Antonio Albacete Filho
Ribeirão Preto, SP

O artigo de Stephen Kanitz poderia ter saído no Dia dos Pais. Vamos torcer para que todos os filhos o leiam. Realmente, quarenta anos atrás era mais fácil ter oito filhos, como meus pais tiveram. A escola era pública no primário (meu pai pagou colégio de freiras para as moças, a partir do primeiro ano ginasial, e colégio de padres para os rapazes). A Vale do Rio Doce, em Itabira, fornecia casa, médico, condução etc.
Suzy Penido Sampaio
Belo Horizonte, MG

Concordo plenamente com o administrador Stephen Kanitz. Realmente, não é fácil ser pai no Brasil nos dias de hoje. Além de impostos, gastos com a saúde da família, educação, segurança e a Previdência, ele vive cansado, abatido e muitas vezes é incompreendido. Precisa viver atento à família e, especialmente, aos filhos, para evitar más companhias e uso de drogas. Afinal, tudo compensa a incansável luta diária quando se recebe o beijo dos filhos e da esposa como forma de reconhecimento.
Doutor Manuel da Lupa
São Paulo, SP

 

Carta ao leitor

Foi muito legal compartilhar um pouquinho o trabalho de pessoas que você não vê e que fazem a revista que você lê. Isabela Boscov é uma dissecadora de filmes. Seus comentários são sérios e não tendenciosos. Até quando sua resenha parece "nadar contra a maré", enquanto a mídia trabalha em determinado filme, Isabela coloca seu ponto de vista de tal forma que, ao acabar de assistir ao filme no cinema, a gente pensa: poxa! VEJA tinha razão! Parabéns (25 de junho)!
Marcelo de Oliveira
Barretos, SP

 

Radar

Excelente a iniciativa da Walt Whitman High School de indicar o livro O Alquimista, de Paulo Coelho, como leitura obrigatória. Eu, como fã número 1 do escritor, fico orgulhosa em saber da notícia ("Quem diria... Ele é leitura obrigatória nos EUA", 25 de junho). É mais um motivo para abrir a mente antiquada de algumas pessoas que ainda não compreenderam seu trabalho, principalmente alguns de meus professores da faculdade (estou cursando letras) que menosprezam e classificam a obra de Paulo Coelho como sendo não-literária.
Liliane Lima
Campo Grande, MS

 

Reforma da Previdência

Cumprimento a equipe de VEJA pela coragem e pelo discernimento com que tratou o assunto da Previdência Social ("Me inclui fora dessa!", 25 de junho). É incrível como o Ministério Público e o Poder Judiciário defendem seus privilégios. É o tal negócio: adoro minissaia, desde que seja para as filhas dos outros!
Fausto Almeida Santos
Goiânia, GO

Desembargadores, procuradores e magistrados: pode até ser que os senhores consigam o que querem, mas nunca terão a consciência limpa de estar pondo em prática o que aprenderam ser o correto.
Eky Carvalho Barradas
Teresina, PI

Será que nossos gloriosos "homens de toga" não sabem que se uma profunda reforma na Previdência não for feita haverá um caos econômico-social em nosso país num futuro próximo? Não imaginam eles que, em havendo tal colapso econômico-social, a violência atingirá níveis ainda mais cruéis, e nem eles mesmos estarão seguros em seus carrões importados, apartamentos de luxo e casas de praia? E não vai adiantar deixar o país – duvido que haja em qualquer outro lugar no planeta tantas (e imorais) regalias para tal categoria profissional.
Leonardo Carvalho de Sousa
Por e-mail

Eu acho que eles ainda não entenderam. Não se trata da decisão de um grupo de homens, e sim da exigência de uma esmagadora maioria da sociedade brasileira. Assim como os pais cortam os privilégios dos filhos em época de crise, a sociedade brasileira que paga mais de 35% do PIB em impostos optou por não mais bancar essa farra. Aproveito para fazer um convite aos funcionários públicos do país que alegam não ser privilegiados por não ter direito ao fundo de garantia. Troquem a estabilidade no emprego, tenham direito ao FGTS e venham para o lado de cá. Juntem-se a nós e encarem de peito aberto o desemprego de quase 20% que assola o país!
Anselmo Marinho
Belo Horizonte, MG

A reportagem "Me inclui fora dessa!", sobre a reação dos magistrados à reforma previdenciária no Brasil, é digna de aplausos. Tenho uma idéia que pode ser útil àqueles que temem a mudança na Previdência Social. Embora transcendam os limites do "sistema público", que é "a menina dos olhos" de muitos servidores, os fundos de previdência privada estão aí para ser usados. Funcionam bem, dando retorno justo aos contribuintes. Assim, pode-se obter uma "aposentadoria sem maiores turbulências". E mais: podem ser usufruídos por qualquer cidadão, inclusive pelos próprios magistrados!
João Paulo de Paula Fellet
Juiz de Fora, MG

O Brasil realmente é o país dos contrastes, pois, ao mesmo tempo que tem um presidente da República que foi sindicalista, tem o presidente do STF dando uma de líder sindical. Bem-vindo, companheiro Maurício!
Fausto Rodrigues Garcia
São José dos Campos, SP

 

Governo

Excelente a reportagem "O governo Lula disse a que viria. E já faz um ano" (25 de junho). É preciso conscientizar o povo brasileiro de que a situação do país é delicada, e, portanto, as mudanças não ocorrem do dia para a noite. A dificuldade para lidar com os problemas brasileiros seria a mesma para qualquer partido que houvesse assumido a Presidência. Além disso, a matéria registra de maneira sóbria que diversos pontos ainda não foram atingidos pelo governo, mas que algumas mudanças já começam a se desenhar.
Michelle Roseli da Luz
Itajubá, MG

Surpreende-me o conteúdo da reportagem "O governo Lula disse a que viria. E já faz um ano" (25 de junho), que exalta a Carta ao Povo Brasileiro, apresentada por Lula um ano atrás. Ainda mais a acusação aos tucanos de terem feito um "discurso incendiário, eleitoreiro e irresponsável" quando ressaltavam os temores quanto à vitória do então candidato da oposição. Ora, a carta foi exatamente a confissão da prática irresponsável do PT – era preciso minimizar seus efeitos –, que durante anos, em discursos, plataformas, programas de governo, palanques e debates eleitorais, inclusive pelo voto no Congresso Nacional, negou a importância da estabilidade, da responsabilidade fiscal, do respeito aos contratos, das reformas etc. De fato, pouca gente lhe deu atenção – conforme ressalta a reportagem –, a não ser o "mercado", a quem justamente se pretendeu acalmar. Mesmo depois dela, Lula, em sua campanha, continuou pregando "às massas" grande parte de seu antigo discurso. Essas lhe deram o voto não pela carta mas, pelo contrário, acreditando em seus compromissos históricos. E o estelionato não foi apenas a elas, "às massas". Foi, também, em relação à própria militância petista, que acreditou naquilo que sempre defendeu, não numa carta escrita por alguns caciques, vista então como simples expediente eleitoral. Menos mal para o país, mas a preocupação dos tucanos tinha razão de ser!
Alberto Goldman
Deputado federal (PSDB-SP)
Brasília, DF

 

José Dirceu

José Dirceu cumpre no atual governo o papel que coube a quem desempenhava semelhante função na era FHC, e que será exercido por quem vier a sucedê-lo. Ou seja, cuidar para que a máquina estatal trabalhe em função do governo que representa (para o bem ou para o mal). E isso, como reconhece o texto, José Dirceu tem feito com grande competência ("A carga está pesada", 25 de junho).
Ozair da Maia Ribeiro
Carneirinho, MG

É, pelo jeito os radicais brasileiros mudaram mesmo. Por que será? Ah! As eleições fazem milagres. Pouco tempo atrás, quem é que acreditaria em posições radicais como as que estão sendo adotadas pelo senhor ministro José Dirceu (Golbery II) e cia. O marketing político é a arte de tornar uma mentira convincente.
Renato Prestes
Brasília, DF

 

Eletrobrás

Em relação à nota publicada na revista VEJA, na coluna Radar (18 de junho), sob o título "Luz eleitoral", quero esclarecer que os critérios que norteiam o Programa Reluz são técnicos, e não político-partidários. Só neste ano, o Programa da Eletrobrás liberou recursos para concessionárias de energia elétrica implementarem programas de iluminação pública em 93 municípios, administrados por prefeitos dos mais diversos partidos. O projeto apresentado pela Eletropaulo Metropolitana para o município de São Paulo destina-se a tornar mais eficiente a iluminação pública, possibilitando o uso racional de energia e a ampliação de pontos de iluminação. Não há razão para punir os moradores da cidade de São Paulo, excluindo-os do programa, simplesmente pelo fato de o município estar sendo administrado por uma prefeita do PT.
Luiz Pinguelli Rosa
Presidente da Eletrobrás
Rio de Janeiro, RJ

 

Diogo Mainardi

A referência ao governador Zeca do PT feita pelo colunista Diogo Mainardi, no artigo "E o Dirceu, hein?" (25 de junho), é injusta e desinformada. A senhora Gilda dos Santos, esposa do governador, é coordenadora dos programas sociais do governo de Mato Grosso do Sul em regime de dedicação integral, mas sem receber remuneração e sem nenhum vínculo empregatício com o Estado. O deputado federal Vander Loubet, sobrinho do governador, elegeu-se com mais de 100.000 votos, legitimando-se, portanto, como qualquer parlamentar, para representar e defender os interesses do Estado e da sociedade estadual. A última injustiça – decorrente, por certo, da desinformação – é que Diogo Mainardi acusa o governador Zeca do PT de prática que o governador extirpou em Mato Grosso do Sul: graças a seu empenho pessoal e político, foi aprovada a Emenda Constitucional 19 (de 10 de junho de 2002), que proíbe a dirigentes dos três poderes a nomeação de parentes.
Oscar Ramos Gaspar
Subsecretário de Comunicação Social
Por e-mail

 

Polícia

Não me causa surpresa a reportagem "Os novos cangaceiros" (25 de junho), visto que estamos sujeitos a nos deparar com delinqüentes em qualquer esquina, mudando apenas a forma como eles agem. Quem não se lembra dos arrastões na cidade do Rio de Janeiro?
Enéias dos Santos Coelho
Umuarama, PR

 

Irã

Se compararmos o grupo armado Mujahidin do Povo, que luta contra o regime teocrático do Irã, com a nossa "lendária" guerrilha do Caparaó, observamos que uma ditadura militar, por pior que seja, é muito mais engraçada do que uma ditadura religiosa. Senão, vejamos: Elio Gaspari, em A Ditadura Envergonhada, conta-nos que ela não deu um só tiro, e o dinheiro de Fidel Castro investido na formação do grupo foi utilizado para comprar terras em Mato Grosso. Que revolução que nada. Viraram fazendeiros e comerciantes. Chega de se explodir e se auto-imolar. Enquanto nossos guerrilheiros e exilados do passado estão vivos e exercendo seus cargos em Brasília, os deles estão mortos no paraíso, com não sei quantas virgens. E o que é pior: neste momento nem devem possuir mais tal prerrogativa com relação às virgens ("Fanatismo marcado a fogo", 25 de junho).
Sandro Luiz de Lima Ferreira
Curitiba, PR

 

Calvície

Como cirurgião plástico especializado e exclusivamente dedicado ao transplante de cabelo, gostaria de registrar a importância do uso dos medicamentos citados na matéria "Guerra à careca" (25 de junho), também do ponto de vista cirúrgico. Somos bastante procurados por pacientes de ambos os sexos que querem desesperadamente fazer transplante de cabelo. Em algumas regiões da cabeça, como a chamada "coroinha", em pacientes masculinos abaixo dos 30 anos de idade, o transplante de cabelo deve muitas vezes ser contra-indicado ou adiado por questões de planejamento, para benefício do próprio paciente. O uso dos medicamentos nesses casos não trará o cabelo de volta, mas, pelo menos, evitará o aumento do tamanho da área calva por algum tempo, ajudando o paciente na espera pelo momento medicamente correto para o transplante capilar.
Marcelo Pitchon
Belo Horizonte, MG

 

Aviação

Como piloto, e antes de tudo como brasileiro, vejo que a comemoração dos americanos em relação aos "100 anos da invenção do avião" é totalmente destituída de algum caráter que lhe confira autenticidade. O conceito de avião, ou aeronave, foi elaborado por franceses que diziam que "avião é o aparelho que consegue erguer-se aos céus, por meios próprios, voar comandado e voltar ao solo". Vendo por esse prisma, não é o caso do Kitty Hawk, dos irmãos Wright. Patriotadas à parte, seria a mesma coisa que nós, brasileiros, não aceitarmos a ida dos americanos à Lua, dizendo que aquilo foi um belo truque de Hollywood ("Nas asas da polêmica", 25 de junho).
Thiago de Aguiar Sabino
Pirassununga, SP

Os irmãos Wright não foram os primeiros nem serão os últimos usurpadores. A usurpação tem suas raízes na vaidade do ser humano. Assim, enquanto os EUA dizem que a General Electric construiu o primeiro jato para a aviação, a Inglaterra contabiliza essa "glória" para a Rolls-Royce. Com 13 anos de idade (em 1943), vi com meus olhos o primeiro avião a jato da Messerschmidt com o prefixo ME 262, que só não chegou a ser empregado por causa de seu alto consumo de combustível, possibilitando, com a decolagem e a aterrissagem, somente quinze minutos no ar.
Rudolf Otto Loibl
São Paulo, SP

Em 2003, como ano do Centenário do Vôo dos Wright, contávamos certamente com o ataque americano em comemoração a suas primazias. A matéria de Lucila Soares "Nas asas da polêmica" mostrou com clareza a necessidade de união, de pesquisas e de valorização do trabalho de nosso grande irmão Alberto Santos Dumont. Ouvindo, como ela, orientações de pesquisadores abalizados como Lins de Barros, conhecendo, como ele, os detalhes da história, procurando concretizar em locais que demonstrem a vida e o ideal do brasileiro, certamente o Brasil fará em 2006 bem melhor as homenagens que falharam em 2001.
Tomás Castelo Branco
Presidente da Fundação Casa de Cabangu
Santos Dumont, MG

 

Guia

Gostei muito da reportagem "Método natural" (25 de junho). Tive bastante dificuldade para engravidar, e vários médicos me indicaram a fertilização assistida. Não aceitei fazê-la, e ela não foi necessária. Engravidei sem nenhum medicamento. Acredito que hoje em dia se banalizaram esses métodos, e tudo fica parecendo muito mais fácil do que realmente é. Ninguém leva em conta o gasto financeiro (muito alto), psicológico (sem preço), físico (devido à medicação) nem a frustração de não obter sucesso nos tratamentos.
Meire Santos
Por e-mail

 

Música

Sobre a reportagem "Solo de guitarra é coisa de velho?" (25 de junho), acredito que pode ter faltado ao rock uma geração de guitar heroes que deveria estar na faixa dos 20 anos. Não sei ao certo o motivo. Mas isso não significa que eles estejam em decadência. Grandes nomes, como Santana, foram trazidos da aposentadoria justamente porque havia uma lacuna no mercado, carente de gritos velozes e belos de uma guitarra. Slash, o maior guitar hero das últimas décadas, e não citado na reportagem, já está gravando e se apresentando com os ex-Guns e o vocalista do Stone Temple Pilots em sua nova banda, Velvet Revolver (primeiro single: Set Me Free, que faz parte da trilha sonora do filme Hulk). O Metallica fez o belíssimo St. Anger, com rock bruto e sem solos, mas isso não significa que seu próximo disco não venha a ter os solos alucinados de Kirk e James.
Adilson Novloski
São José, SC

Os solos são o glamour do rock'n'roll. Removê-los é limitar as músicas e esconder, por simples modismo, o poder de uma guitarra. É o fim da fantasia nas seis cordas.
Alana Manzoro
Por e-mail

Para quem realmente curte o bom e velho rock'n'roll, nada melhor que um solo de guitarra bem-feito. Não se fazem mais roqueiros como antigamente. Certo mesmo está Jimmy Page: "Fazer um bom solo tem algo a ver com fazer sexo. E deve-se tratar a guitarra com carinho".
Daniele Santos
Campo Grande, MS

 

Roberto Pompeu de Toledo

Da mesma forma que o historiador Eduardo Silva viveu um "momento mágico" ao deparar com as camélias nos jardins da Casa de Rui Barbosa, o leitor também vivencia um "momento mágico" ao deparar com o texto "As camélias da liberdade" (25 de junho), de Roberto Pompeu de Toledo: sensível, tocante e impecável.
Letícia Martins Leandro
Belo Horizonte, MG

Que sorte a minha ter podido ler VEJA no dia 25 de junho. Transportei-me no tempo e na história e me encantei com "As camélias da liberdade", de Roberto Pompeu de Toledo.
Carmem Baldissera
Florianópolis, SC

 

Claudio de Moura Castro

A propósito do artigo "Lições do futebol" (Ponto de vista, 18 de junho), informamos que o Programa Brasil Alfabetizado, implementado pelo Ministério da Educação com o objetivo de abolir o analfabetismo no Brasil até 2006, não impõe uma metodologia de ensino. A meta é tirar da escravidão do analfabetismo cerca de 20 milhões de brasileiros com 15 anos de idade ou mais, que não tiveram oportunidade de freqüentar a escola na idade convencional. Considerando a diversidade brasileira e as inúmeras iniciativas de alfabetização de jovens e adultos disponíveis em todo o país, as diretrizes que orientam o programa prevêem a instituição de parcerias entre governo federal, Estados, municípios, empresas privadas, organizações não-governamentais, organismos internacionais e instituições civis, como forma de qualificar, organizar e, sobretudo, potencializar o esforço nacional de combate ao analfabetismo. Nesse processo, que, para além de ensinar a ler e escrever, visa a propiciar condições elementares para a inclusão social desses milhões de brasileiros, cabe à instituição alfabetizadora escolher o método de ensino que julgar mais adequado a sua comunidade.
João Luiz Homem de Carvalho
Secretário extraordinário de Erradicação do Analfabetismo
Por e-mail

O professor Claudio de Moura Castro está coberto de razão. É inegável a superioridade do método fônico para alfabetizar crianças. E, além do método fônico, existem muitas outras descobertas científicas dos últimos trinta anos que ajudam a montar bons programas de alfabetização. Os leitores de VEJA poderão obter mais informações sobre o assunto e sobre municípios que já vêm tendo êxito, com uma proposta atualizada de alfabetização, consultando o site do Programa Alfa e Beto de Alfabetização (www.alfaebeto.com.br) e lendo o livro ABC do Alfabetizador, de autoria do professor João Batista Araujo e Oliveira.
Carlos Alberto Magalhães Gomes
Presidente da Alfa Educativa
Por e-mail

É lamentável que Moura Castro, mente fulgente da educação brasileira, incorra no equívoco de reduzir nossas deficiências educacionais à escolha de métodos de alfabetização, desprezando fatores como formação e remuneração dos professores, bibliotecas, laboratórios, além do turno escolar de quase oito horas nos países citados contra menos de quatro aqui.
Daniel Belluci Contro
Diretor do Pueri Domus de Santo André
Santo André, SP

 

Flavio de Andrade

Em relação à entrevista com o senhor Flavio de Andrade (Amarelas, 11 de junho), nós do Escritório da Organização Pan-Americana da Saúde e da Organização Mundial da Saúde no Brasil esclarecemos que existe uma série de evidências científicas suficientes que justificam medidas para que os países mantenham e aprofundem suas políticas voltadas para a proteção de indivíduos não-fumantes. Há vários estudos, apresentados pela Opas/OMS e por outras instituições científicas importantes, comprovando que o risco de câncer de pulmão e de doenças coronárias aumenta em fumantes passivos. São cerca de 400 as substâncias encontradas na fumaça do cigarro. Algumas, como a nicotina, o monóxido de carbono, a amônia e o benzeno, são respiradas por não-fumantes em ambiente onde o fumo é permitido. Todas elas contribuem para o câncer de pulmão e para doenças respiratórias e vasculares. É por isso que o fumo é considerado pela Opas/OMS um dos dez maiores riscos à saúde humana.
Jacobo Finkelman
Organização Mundial da Saúde no Brasil
Brasília, DF

 

Televisão

Meus aplausos para Giulia Gam. Ela realmente voltou para brilhar. Acho que nem ela esperava tanto sucesso de sua personagem. E não é por ter vivido um drama parecido em sua vida que ela tem representado tão bem. Trata-se de uma ótima atriz ("O novelão de Giulia: ser ou não ser?", 25 de junho)!
Rosimeire Braga
Belo Horizonte, MG

 

Genéricos

A nota "Os genéricos não pegaram" (Holofote, 25 de junho) informa que os medicamentos genéricos não avançaram de forma expressiva no Brasil. Acontece que, em apenas três anos, eles alcançaram mais de 7% de participação no mercado farmacêutico no país. Para se ter uma idéia da magnitude do indicador, basta mencionar que na Espanha, onde os genéricos existem há mais de seis anos, o índice de participação é de apenas 3%. VEJA compara os números do mercado brasileiro com os dos EUA, país onde os genéricos representam 50% do volume de medicamentos comercializados. Ocorre que os genéricos existem por lá há 25 anos.
Vera Valente
Diretora executiva da Pró Genéricos/Associação Brasileira dos Fabricantes de Medicamentos Genéricos
São Paulo, SP

 

CORREÇÕES: As fotos de Santos Dumont e do 14-Bis publicadas nas páginas 62 e 63 da edição 1 808 ("Nas asas da polêmica", 25 de junho) foram reproduzidas do livro Santos-Dumont e a Invenção do Vôo, de Henrique Lins de Barros (Jorge Zahar Editor, 2003). A cartilha e a campanha com conselhos para aumentar a fertilidade de casais, citadas na nota "Método natural" (Guia, 25 de junho), foram lançadas pela Associação Instituto Sapientiae, e não pela Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida, como foi publicado.

 

 
William e Harry

Bastante atentas na leitura de VEJA, as leitoras Paula Sakai e Rosaly Sombrio enviaram e-mails para a redação alertando para um equívoco na reportagem "Isto, sim, que é príncipe" (25 de junho), sobre as comemorações dos 21 anos do príncipe William, filho de Charles e Diana. "Gostaria de informar que a foto publicada no topo da página, no canto superior esquerdo, é do príncipe Harry, e não do príncipe William", escreveu Paula. Ela se referia à fotografia em que o irmão caçula de William aparece no colo da mãe, a princesa Diana. A foto foi tirada por Tim Graham, em Maiorca, em 1987, quando Harry tinha 3 anos de idade.

 

DUMONT NÃO FOI ESQUECIDO


Depois de ler na reportagem "Nas asas da polêmica" (25 de junho), sobre as comemorações do centenário do vôo dos irmãos Wright, que Santos Dumont foi esquecido pelos festeiros, o prefeito Pacífico Estites Rodrigues, do município de Santos Dumont, Minas Gerais, terra natal do grande inventor brasileiro, enviou uma carta à redação mostrando que seus conterrâneos têm feito sua parte. "A cidade comemorou com glamour o centenário do primeiro vôo controlado de um balão dirigível (ocorrido em outubro de 1901). A programação incluiu a inauguração de uma réplica fiel da Torre Eiffel, construída na avenida principal da cidade", escreveu o prefeito, que já prepara uma grande comemoração no aniversário (130 anos) de nascimento de Dumont, no próximo dia 20 de julho. "O município de Santos Dumont orgulha-se de seu filho maior e por isso mantém em condições perfeitas a casa natal do inventor e um rico acervo de documentos originais, no Museu Fazenda Cabangu", diz Rodrigues.

 

TRASH, NÃO!


A reportagem "Solo de guitarra é coisa de velho?" (25 de junho) disse que os roqueiros do grupo Metallica "foram os criadores do estilo acelerado conhecido como trash ou speed". O leitor Marcio Kelmanson, de Londres, Inglaterra, corrigiu: "O estilo trash (lixo) metal não existe (a não ser como um neologismo pejorativo). O que existe é thrash (malhar, bater, espancar) metal". Por e-mail, Pedro Augusto da Cunha Jansen Ferreira fez a defesa dos metaleiros: "O fato de a banda ter tomado novos rumos em sua carreira não significa um abandono do bom e velho 'guitar hero', muito menos uma tendência geral no mundo do rock. Além disso, o Metallica sempre se reinventou", escreveu.

 

CRUZEIRO CAMPEÃO BRASILEIRO?


A coluna Sobe (18 de junho) informou que sob o comando do treinador de futebol Wanderley Luxemburgo o Cruzeiro se sagrou campeão brasileiro. Longe de casa, mas ligado no nosso futebol, Reinaldo Alves escreveu de Salt Lake City, Utah, nos Estados Unidos, para dizer que "o Campeonato Brasileiro deste ano ainda está em andamento". Ele foi um dos 33 leitores (todos atleticanos?) que escreveram lembrando que a equipe mineira ganhou na verdade outro título: a Copa do Brasil. "O campeão brasileiro será conhecido somente em dezembro, se assim a CBF o permitir", disse Rogerio Bianco, de São Bernardo do Campo, São Paulo. Kaell Paiva Braga observou em sua mensagem que "Minas Gerais, apesar da grandiosidade, tem apenas um título de campeão brasileiro; este pertence ao Clube Atlético Mineiro", que conquistou a primeira edição do campeonato, em 1971.

 

A PRINCESA DE ORANJE-NASSAU


A nota sobre a gravidez da princesa Máxima Zorreguieta, da Holanda (Datas, 25 de junho), mereceu do leitor Geert Prange, de Paranaguá, no Paraná, uma observação: "Máxima Zorreguieta não é argentina nem Zorreguieta. Após seu casamento, ela atende pelo título de princesa Máxima de Oranje-Nassau e possui cidadania holandesa", escreveu Prange, que é holandês. Na verdade, Máxima é argentina, nascida em Buenos Aires (1971), e Zorreguieta de nascimento (é filha de Jorge Horracio Zorreguieta e María del Carmen Cerruti). Não pertencendo à nobreza, para se casar, em fevereiro de 2002, com o príncipe Willem-Alexander, herdeiro do trono holandês, ela abandonou uma carreira promissora no mercado financeiro.

 

A TEOBROMINA


O leitor Sergio M. Vechi, doutorando em química pela Unicamp, escreveu para a redação fazendo uma observação sobre a reportagem "Olhar não engorda" (18 de junho). "Ao ler a matéria, encontrei um erro que faz diferença. Na quinta linha do texto aparece o trecho '...uma proteína chamada teobromina (...)'. A teobromina é uma molécula orgânica pertencente à classe dos alcalóides e à família das xantinas, bem como a cafeína e outras moléculas", escreveu. Vechi enviou também a estrutura 2-D da molécula da teobromina (veja acima).

 

O AMOR DE WILDE


A respeito da reportagem "A força do arco-íris", (25 de junho), Ivam Cabral, de São Paulo, escreveu: "Na matéria há uma informação no mínimo contestável. A famosa frase 'o amor que não ousa dizer seu nome' foi escrita por Alfred Douglas, amante de Wilde, no poema Dois Amores, escrito em 1894 especialmente para o periódico O Camaleão". Há uma polêmica a respeito de quem usou primeiro a expressão. O certo é que a frase publicada no poema de Douglas em dezembro de 1894 foi citada por Wilde durante seu primeiro julgamento, em abril de 1895: "O amor que não ousa dizer seu nome é, neste século, aquela afeição tão elevada de um homem maduro por um jovem, como a que houve entre David e Jonatas (...)".

 

 

 

 

 
 
 
 
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