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Carta
ao leitor
VEJA
avisou
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| Capas
de VEJA sobre o MST, suas táticas e seus líderes:
há dezoito anos, a revista trata do assunto e sempre
alertou para os abusos |
Há
quase dezoito anos, na edição de 6 de novembro de
1985, VEJA publicou, pela primeira vez, a sigla MST, do Movimento
dos Trabalhadores Sem Terra. De lá para cá, a revista
tratou diversas vezes do assunto, tendo dedicado sete capas aos
líderes do MST e à sua tendência incontrolável
de invadir a propriedade privada em nome de uma bandeira social.
Antes, os integrantes do movimento invadiam propriedades rurais
improdutivas. Agora, arrombam as produtivas também. O MST
não está sequer esperando o governo fazer a divisão
das propriedades agrícolas em lotes para distribuí-los.
Os invasores começam a cuidar da divisão e da distribuição
eles próprios. Tudo isso é ilegal, mas vem ocorrendo
sob a vista das autoridades.
A reforma agrária pode ser uma ferramenta positiva ou negativa,
dependendo de como seja manipulada. Feita dentro da lei, pode ajudar
a combater o desemprego rural, embora não se deva imaginar
que ela venha a funcionar como fonte inesgotável de novos
empregos num país que tende a se urbanizar em velocidade
acelerada. A reforma agrária ajuda também a evitar
o inchaço das periferias metropolitanas, mantendo no campo
famílias que, de outra forma, poderiam tomar o caminho das
grandes cidades.
O mais preocupante nesse quadro é que, em vez de arrefecer
com a distribuição crescente de lotes, o número
de invasões aumenta cada vez mais. Por trás dessa
evolução paradoxal está uma coisa óbvia:
o uso ideológico da bandeira da reforma agrária por
quadros de líderes que recrutam não apenas agricultores
sem terra para seu movimento, mas também desocupados urbanos
em geral, com o propósito de inchar suas fileiras e pressionar
o governo e a sociedade. Um dos desafios do atual governo é
encontrar solução para esse problema que derrotou
os antecessores e só vem piorando desde a posse dos petistas
em Brasília.
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