Edição 1809 . 2 de julho de 2003

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Capas de VEJA sobre o MST, suas táticas e seus líderes: há dezoito anos, a revista trata do assunto e sempre alertou para os abusos

Há quase dezoito anos, na edição de 6 de novembro de 1985, VEJA publicou, pela primeira vez, a sigla MST, do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra. De lá para cá, a revista tratou diversas vezes do assunto, tendo dedicado sete capas aos líderes do MST e à sua tendência incontrolável de invadir a propriedade privada em nome de uma bandeira social. Antes, os integrantes do movimento invadiam propriedades rurais improdutivas. Agora, arrombam as produtivas também. O MST não está sequer esperando o governo fazer a divisão das propriedades agrícolas em lotes para distribuí-los. Os invasores começam a cuidar da divisão e da distribuição eles próprios. Tudo isso é ilegal, mas vem ocorrendo sob a vista das autoridades.

A reforma agrária pode ser uma ferramenta positiva ou negativa, dependendo de como seja manipulada. Feita dentro da lei, pode ajudar a combater o desemprego rural, embora não se deva imaginar que ela venha a funcionar como fonte inesgotável de novos empregos num país que tende a se urbanizar em velocidade acelerada. A reforma agrária ajuda também a evitar o inchaço das periferias metropolitanas, mantendo no campo famílias que, de outra forma, poderiam tomar o caminho das grandes cidades.

O mais preocupante nesse quadro é que, em vez de arrefecer com a distribuição crescente de lotes, o número de invasões aumenta cada vez mais. Por trás dessa evolução paradoxal está uma coisa óbvia: o uso ideológico da bandeira da reforma agrária por quadros de líderes que recrutam não apenas agricultores sem terra para seu movimento, mas também desocupados urbanos em geral, com o propósito de inchar suas fileiras e pressionar o governo e a sociedade. Um dos desafios do atual governo é encontrar solução para esse problema que derrotou os antecessores e só vem piorando desde a posse dos petistas em Brasília.

 
 
 
 
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