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O mundo é de AláCom a conquista de católicos, Eduardo Junqueira
"O aumento do contingente nos países ocidentais ocorreu graças à adesão de ex-cristãos convertidos à fé islâmica", diz Faustino Teixeira, professor de ciência da religião da Universidade Federal de Juiz de Fora. "A conquista de novos adeptos alavancou a liderança muçulmana." Duas vezes por dia o computador do corretor de seguros Paulo Martins emite um pequeno sinal luminoso. Nesses momentos, ele interrompe o trabalho e ora. Em um tom quase inaudível, voltado para a cidade de Meca, na Arábia Saudita, Martins recita orações em árabe. Repete as preces cinco vezes por dia. Às sextas-feiras, ele reza em companhia de centenas de outros brasileiros em uma mesquita em São Paulo. Nascido em uma família de forte tradição católica, Martins, de 41 anos, abandonou suas origens e se converteu ao islamismo em 1995. "No catolicismo, sempre me senti distante de Deus", diz ele. "Com o islamismo, a aproximação com o sagrado não depende de terceiros. Quando eu rezo, falo diretamente com Deus." O contato direto com Alá, sem intermediários – esse é um dos grandes trunfos do islamismo na conquista de cristãos para as fileiras muçulmanas. "A força do islã está no fato de que é uma religião extremamente acessível. Não há hierarquia, a fé pode ser praticada em qualquer lugar e não exige muito engajamento de seus adeptos", analisa o dominicano frei Betto. Os ensinamentos contidos no Alcorão têm força de lei. Os muçulmanos acreditam na ressurreição dos mortos, no inferno e no paraíso. Misericordioso, benévolo, perdoante, clemente, pacificador – o Deus do islã é um só, mas pode ser identificado por 99 adjetivos expressos no Alcorão. Um ditado repetido entre os fiéis diz que "Deus está mais perto de nós do que nossa veia jugular". São metáforas simples mas repletas de sentido místico e fascinantes para muitos. Muito mais atrativas e confortadoras do que a formalidade católica e a exaltação evangélica. Desde 1979, quando a revolução iraniana, liderada pelo clero xiita, derrubou uma monarquia pró-Ocidente, o islã virou sinônimo de fanatismo e terrorismo. Os radicais existem, mas são minoria. Na Arábia Saudita, berço do islamismo, quem rouba tem a mão cortada. Quem mata injustamente é executado em praça pública. São resquícios de um radicalismo cada vez menos praticado. Hoje, a maioria dos países muçulmanos reconhece os direitos das mulheres. A elas já é permitido trabalhar fora. Os tradicionais véus que cobrem o rosto e a cabeça das mulheres convivem em paz com calças jeans e tênis da moda. Com a bênção de Alá.
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