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HOMEM MAIS PROCURADO, de John Le Carré
Membro do serviço secreto britânico durante a Guerra Fria, John le Carré, 78 anos, compôs romances que definiram o período, como O Espião que Saiu do Frio. Como outros escritores de espionagem, ele teve de buscar novos temas após o colapso do império comunista, como as maquinações de uma multinacional farmacêutica em O Jardineiro Fiel. Já O Homem Mais Procurado centra-se no tema mais óbvio para um autor do gênero hoje: o terrorismo. Mas não há obviedade no modo como Le Carré aborda o assunto. Trata-se, afinal, de um desses raros autores de best-sellers que conseguem carregar seus livros com zonas de sombra e ambiguidade moral. Issa, o protagonista, é meio russo, meio checheno, talvez um muçulmano, e com possíveis ligações com o terrorismo islâmico. No início do livro, ele aparece em Hamburgo, na Alemanha, depois de fugir de prisões na Rússia e na Turquia, onde foi torturado. Com acesso a uma rica conta bancária cujos fundos têm origem duvidosa , Issa cai no radar do agente alemão Günther Bachmann. É uma trama tensa, cheia de desvãos e dúvidas, que Le Carré maneja com sua costumeira e inigualável habilidade.
ANIMAQ
ALMANAQUE DOS DESENHOS ANIMADOS
DVD UMA
AVENTURA NA ÁFRICA
No início da década de 50, quando filmagens em locações autênticas eram uma raridade, o diretor John Huston enfiou dois superastros do período, Humphrey Bogart e Katharine Hepburn, na quente, úmida e infestada de mosquitos porção leste da África, por semanas a fio e tirou deles desempenhos tão cheios de calor natural e simpatia espontânea que, passadas seis décadas, o filme é ainda hoje um marco do naturalismo. Bogart é Charlie Allnut, capitão de uma modesta e muito decrépita lancha a vapor, a African Queen, com a qual viaja entre lugarejos no interior do continente. Katharine é Rose, uma missionária solteirona que tem de fugir de uma aldeia na selva destruída pelos alemães a I Guerra acabou de começar. Charlie e Rose não poderiam ser mais diferentes entre si: ele é rude, ela é pudica; ele é ignorante, ela é instruída. Mas ambos têm um amor verdadeiro pela aventura. Assim, enquanto descem juntos o rio na lancha, enfrentando de corredeiras a problemas mecânicos, desenvolverão sentimentos muito genuínos também um pelo outro e, de quebra, mostrarão aos alemães do que são capazes dois ingleses determinados.
DISCOS HEAD FIRST, Goldfrapp (Emi)
Depois de flertar com a música folk em Seventh Tree, o duo Goldfrapp, formado pela vocalista Allison Goldfrapp e pelo tecladista Will Gregory, retoma as sonoridades eletrônicas em Head First. Sábia decisão. Ainda que o CD anterior tenha resultado em uma audição agradável, é em meio aos teclados e às programações que o Goldfrapp mostra seu melhor. O novo trabalho está na medida certa: 38 minutos e nove faixas, com um repertório que alterna canções para as pistas com baladas românticas e rende homenagem ao pop e à música eletrônica dos anos 80 especialmente aquela feita pelo produtor Giorgio Moroder (que trabalhou com Donna Summer e compôs o tema do filme Flashdance), pelo grupo Abba e pela cantora Olivia Newton-John (cujo hit Physical, aliás, foi regravado pelo Goldfrapp anos atrás). Rocket, faixa de abertura de Head First, poderia figurar nos discos de qualquer um desses artistas. Esse clima trash-chique está presente até nos clipes da banda: Alive, um dos singles, ganhou um vídeo repleto de vampiros e zumbis de araque.
RAW POWER: Edição especial, Iggy Pop (Sony Music)
Lançado em 1973, Raw Power, do cantor americano Iggy Pop e sua banda, The Stooges, foi um
dos precursores do punk rock. O disco trazia elementos que mais tarde seriam banalizados
por artistas do gênero: vocais urrados, riffs de guitarra distorcidos (cortesia
do guitarrista James Williamson, que fazia sua estreia na banda) e letras transbordantes
de desespero e caos. Raw Power foi também a primeira colaboração
de Pop com seu admirador David Bowie, que levou o cantor para sua empresa e produziu
o disco. (Mais tarde, Iggy Pop, dizendo ter odiado o som do álbum, lançaria
sua própria e inferior versão de Raw Power.)
Esta nova edição é imperdível
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